HUMOR CONSELHOS DE UM TERAPEUTA QUÂNTICO MINEIRO

HUMOR: CONSELHOS DE UM TERAPEUTA QUÂNTICO MINEIRO

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O terapeuta transholoquântico das montanhas e o fenômeno do Vale do Mucuri

O espiritualista new age mineiro opera em uma frequência vibracional completamente diferente, longe das clínicas de Los Angeles. O maior exemplo dessa vertente é Sebastião Aparecido da Silva, o Seu Bastião, cujo consultório fica nos fundos de uma venda de secos e molhados, ao lado do tonel de feijão. Nas horas vagas, a noite ela conta causos em volta da fogueira e até toca moda de viola.

A sessão de terapia custa meia dúzia de pão de queijo ou um litro de cachaça envelhecida. Esqueça o sotaque neutro e o olhar penetrante de coach. Aqui, a jornada transcendental é feita pisando na terra batida e com uma xícara de café coado na hora, puro, sem açúcar, porque açúcar vicia o campo etérico, uai.

Ele substituiu o incenso de sândalo pela defumação de arruda com palha de milho e arroz, que chama de defumação de cerrado, e trocou os cristais importados por pedras legítimas apanhadas no ribeirão. Para ele, o alinhamento dos chacras e a transmutação energética acontecem no ritmo do interior, sem pressa, com muita conversa e pausas dramáticas.

O jargão místico-mineiro: dicionário de termos

A fusão da semântica cósmica com o dialeto das Alterosas gera conceitos científicos únicos para a agência:

  • Uaiquântico: O princípio da incerteza universal. O universo é um grande mistério que a mente humana não alcança.
  • Arredar o carma: O ato de afastar as energias densas, as contas de luz ou os encostos que estão atrapalhando a caminhada da pessoa.
  • Trem estelar: Qualquer objeto, energia, planeta, constelação ou sintoma físico que ele não consiga explicar de imediato.
  • Campo teocósmico do cadiquinho: A aura da pessoa quando está meio murcha, precisando de um passe ou de um chazinho de cidreira.
  • Evolução no passim da tartaruga: O processo de ascensão espiritual sem afobação, porque pressa é inimiga da perfeição cósmica.

A abertura do trabalho e o diagnóstico transholoquântico

O cliente chega desesperado, reclamando de ansiedade, falta de dinheiro e amor. Seu Sebastião, vestindo uma camisa xadrez surrada e um chapéu de palha com um pingente de cristal comprado no camelô, mas que ele jura que veio de Atlântida, olha para o sujeito com uma lentidão tão filosófica que até as formigas no chão param para ouvir.

Uai, sô, esse seu trem tá mais desalinhado que cerca caída na seca. Pode sentar aí no tamborete, mas cuidado que ela tá de mau humor hoje, a energia dele é meio arredia. Deixa eu dar uma olhada nesse seu campo vibracional. Nossa senhora, seu éter sideral tá parecendo um balaio de gato, tudo embolado. Esse trem tá feio. Cê tá carregando um carma que nem é seu, larga de ser bobo. O campo eletromagnético do seu chakra básico tá parecendo um queijo minas velho: endureceu por fora e mofou por dentro. Mas num prucê se assustar, não, que isso é normal pra quem mora em cidade grande. A vibração do asfalto barra os raios cósmicos do Jequitinhonha.

Quando o cliente pergunta o que está errado, Seu Bastião coça a barba, balança um pêndulo feito de tampinha de refrigerante e solta a explicação:

O trem aqui é o seguinte: ocê tá com o chakra do coração entupido de mágoa. Sabe como eu sei? Porque sua testa tá mais franzida que saco de batata amarrado. A sabedoria estelar mostra que sua alma tá igual a uma estrada de chão na chuva: atolada, cheia de lama e com o carro do vizinho atravessado no meio da passagem. Isso aí é uma dessincronia teocósmica de origem estratosférica. A lua de Marte entrou em retrogradação no signo do cafezal, aí a energia de Vênus num deu conta de puxar a sua vibração do cerrado. Mas fica quieto, que isso passa, uai. Tudo passa, até a fome de feijão tropeiro.

Os conselhos práticos (que não servem para nada, mas soam profundos)

Para a vida amorosa

Cê tá chorando por causa daquele estrupício? Deixa eu te falar uma verdade purinha: o alinhamento cósmico daquele rapaz não bate com o seu, nem se a gente rezar trinta novenas. Fia, ocê tá querendo apressar o rio. Esse negócio de amor é igual a plantar feijão: se ocê ficar desenterrando o pé pra ver se já deu vagem, a planta murcha. A energia do amor é que nem pão de queijo no forno: se abrir a porta antes da hora, murcha tudo. Deixa a frequência interestelar assar no tempo dela. E para de procurar nesses aplicativo de internet, uai. O universo manda a alma gêmea na hora que ocê menos espera, geralmente quando ocê tá na fila do banco com a bexiga cheia. O universo tá preparando um trem muito mais ajeitado pra sua vida, mas cê precisa limpar a prateleira primeiro.

Para as finanças

A sua vida financeira tá empacada porque seu chakra umbilical tá parecendo um fogão de lenha apagado. Cê tá muito apegado, com a mão fechada. Dinheiro é igual água de enxurrada, tem que circular. Vamos fazer um mantra quântico mineiro, para reativar a chama da prosperidade. Repita comigo três veis devagar: “Vai que é sua, uai… vai que é sua, uai… vai que é sua, uai”. Isso alinha us trem holoquântico do sucesso. Mas num adianta fazer isso deitado no sofá, não. Pega três pedrinhas de brita lá do quintal, passa no meio do alecrim, coloca no bolso e mentaliza a abundância do universo. Mas tem que fazer sem afobação, no passim da tartaruga. O universo ajuda, mas ele gosta de ver ocê suando a camisa. O negócio é ralar, mexer com gado, vender jacaré, e a grana vem por tabela. O universo é bão, mas ele num é trouxa, sô.

Para a ansiedade e o estresse moderno

Ansiedade é o diabo, uai. Mas num é o diabo do capeta, é o diabo da ansiedade mesmo. Isso é acúmulo de radiação cósmica na nuca e opinião alheia que cê fica guardando no seu chacra cardíaco. Esse povo da internet berra demais, credo em cruz. Eles tão tudo no topo daquele tal de dunning-kruger que os cientistas falam, achando que sabe de tudo e não sabe fritar um ovo. Vou te passar um exercício do reiki da roça, testado e aprovado pelos meus cinquenta anos de existência terrena: ocê vai pegar uma vassoura de piaçava e varrer o chão de casa fazendo um círculo anti-horário. Enquanto varre, ocê fala baixinho: “Arreda, tristeza, arreda, conta de luz, arreda, vizinho chato”. Isso limpa a aura e ainda deixa a casa limpa. Desliga esse telefone um cadiquinho, vai ver as nuvens passarem em cima da serra e toma um banho de assento com sete ervas. O universo é bão, a gente é que complica os trem tudo.

Os artefatos mágicos e a cura final

Seu Sebastião vende cristais de cura, mas não são peças importadas de altíssima vibração. São pedras de brita de construção e pedaços de tijolo que ele pintou com esmalte de unha. Ele chama uma de Jaspe Hiperbólico da Serra do Cipó e a outra de Turmalina Megassuprasúmica, que na verdade é apenas uma pedra de sal grosso triturada.

Pega essa pedra, fio, e coloca no bolso esquerdo. Quando ocê sentir ela pesando, é porque ela tá absorvendo as ondas negativas do concreto. Se pegar ela quentinha, aí é porque o espírito santo energético do cerrado aprovou. Se ocê perder ela, uai, faz parte do desapego quântico.

No final da sessão, que dura o tempo de Seu Sebastião tomar três cafés, ele junta as mãos no peito, olha para a prateleira de farinha de milho e decreta o encerramento:

Agora, seu timing cósmico vai dar uma encaixada, mas ocê precisa ter fé, uai. Fé igual à fé de que o trem vai dar certo. Se num der certo, o problema é da sua hertzagem. Num intendeu? É a mesma coisa que frequencialismo. Compra uma lâmpada de led azul pra colocar no quarto que ajuda a destravar o chakra das goela. E bebe água, muita água. Água de filtro é melhor, mas se for de torneira, bota um copo de vidro do lado durante a noite pra eletrificar com a luz da lua, deixa a janela aberta. Uai, o universo é bão dimais da conta, sô. Só que ele é mineiro igual a nós, funciona no tempo de boi, chega devagar, mas chega. E se ocê acreditar que vai chover, a terra molha, se acreditar que num vai, a terra chora, mas num adianta ficar pianinho não, porque o carma é igual a fubá no angu: se mexer demais, empelota. Fica em paz, e não esquece do boleto do cartão, porque isso aí o universo num paga, não.

Estudo de caso N.A.U.S.E.A. – NÚCLEO DE ASTROFÍSICA UTÓPICA E SÁTIRA EMPÍRICA ABSOLUTISTA

A agência submeteu uma cliente de Belo Horizonte ao tratamento do Seu Bastião. Ela chegou com estresse crônico e saiu carregando uma brita pintada de azul e uma receita de chá de boldo com afirmações quantílicas. Três dias depois, ela voltou para o retorno, mas Seu Bastião estava de folga porque tinha ido pescar no ribeirão. Ela relatou aos pesquisadores que o tratamento não resolveu os problemas estruturais, mas que nunca havia rido tanto na vida, e assim, acabou melhorando.

Conclusão da N.A.U.S.E.A.: a terapia do mineiro new age não cura doenças complexas, mas é cem por cento eficaz contra o tédio, pois transforma o vazio existencial em um vazio existencial com um sotaque acolhedor e uma boa prosa de boteco ou no pé do fogão de lenha.

No fundo, a sabedoria prática da roça tem mais densidade filosófica que dez tratados de misticismo quântico complexo. Enquanto o guru da internet fala em dissolver o ego através de meditações transcendentais caríssimas, o Seu Bastião resolve a questão de forma direta: tira essa bosta desse sapato apertado, bota uma havaiana e vai capinar um lote que a vida melhora na hora, uai. Nessa simplicidade, a agência descobriu o segredo cósmico final: o universo é uma enorme panelinha de ferro onde a sociedade cozinha as próprias dificuldades, e o único tempero que realmente funciona é a resenha.

OBS.: Entenda melhor como funciona a N.A.U.S.E.A.HUMOR: N.A.U.S.E.A. – NÚCLEO DE ASTROFÍSICA UTÓPICA E SÁTIRA EMPÍRICA ABSOLUTISTA Read More »

 


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