Desde que publiquei minha primeira obra espiritualista, O Karma e Suas Leis, em 2004, minha vida como escritor tornou-se também uma longa experiência de autodescoberta. Ao longo desse percurso, escrevi dezenas de obras espiritualistas, além de livros técnicos, cursos, sites, textos, práticas, áudios e materiais de estudo voltados à expansão da consciência.
Depois de muitos anos tentando compreender minha própria forma de funcionar, decidi compartilhar publicamente uma parte importante da minha identidade: sou autista. Esta página não é uma tentativa de convencer ninguém, nem de transformar diagnóstico em espetáculo. É um gesto de transparência, amadurecimento e responsabilidade pessoal diante dos leitores que acompanham meu trabalho.
Nota necessária: este é um relato pessoal. Não pretende substituir avaliação clínica, nem generalizar a experiência autista. Cada pessoa no espectro vive sua condição de modo próprio, com desafios, potenciais, limites e formas particulares de interação com o mundo.
Em minha trajetória, o autismo não anulou a criação. Ele também trouxe dificuldades reais: inadequação social, falhas de filtro, cansaço em interações, estranhamento diante de códigos sociais e conflitos que nem sempre compreendi no momento em que ocorreram.
Hiperfoco
Foco intenso em temas complexos
A escrita espiritualista, o estudo da consciência, a projeção astral, o karma, o dharma, a bioenergia e a multidimensionalidade tornaram-se campos de concentração profunda.
Visão de conjunto
Associação de ideias
Tenho facilidade para conectar conceitos, organizar estruturas, perceber relações abstratas e transformar estudo em livros, cursos e mapas de conhecimento.
Transparência
Sem personagem iluminado
Não pretendo representar uma imagem espiritualista artificial. Sou humano, contraditório, em processo, tentando servir melhor apesar das minhas limitações.
Minha superdotação, meu hiperfoco e minha persistência ajudaram a compensar dificuldades e a transformar uma vida de estudo em produção contínua. Mas isso não apaga os tropeços. O mesmo traço que favorece concentração e produtividade pode dificultar convivência, improviso social, leitura emocional imediata e adaptação a ambientes muito exigentes.
O ponto central é simples: não quero usar o autismo como desculpa para tudo, mas também não quero mais fingir que minha forma de funcionar é igual à média das pessoas.
Respostas a perguntas comuns sobre autismo
Algumas perguntas surgem por curiosidade legítima. Outras nascem de estereótipos. Reorganizei esta parte em blocos mais diretos, para responder sem transformar o texto em confronto desnecessário.
“Você não parece autista.”
Autismo não tem aparência única. Não existe “cara de autista”. O espectro é diverso. Há pessoas com maiores dificuldades de comunicação, outras com maior autonomia, outras com alto desempenho intelectual, outras com comorbidades importantes, e muitas vivendo entre adaptação, esforço e mascaramento social.
No meu caso, a escrita, o estudo e o trabalho solitário favoreceram muito minha produtividade. Isso não elimina minhas dificuldades; apenas mostra que elas se expressaram de modo diferente do estereótipo popular.
“Autismo virou moda?”
Não. O que aumentou foi a visibilidade, o acesso à informação e a capacidade de reconhecer perfis que antes passavam despercebidos, especialmente em adultos que aprenderam a mascarar comportamentos ou compensar dificuldades por décadas.
Chamar isso de “moda” empobrece a conversa e desrespeita pessoas que passaram a vida inteira tentando entender por que se sentiam deslocadas, exaustas, diferentes ou inadequadas em ambientes sociais comuns.
“Como você escreveu tanta coisa sendo autista?”
Justamente pela combinação entre hiperfoco, disciplina, visão abstrata, interesse profundo e vida dedicada ao estudo. Ao longo dos anos escrevi obras espiritualistas, materiais técnicos, cursos, páginas, textos, práticas e estudos. A escrita se tornou meu modo mais natural de organizar pensamento, experiência e espiritualidade.
Falar de improviso pode ser difícil. Gravar vídeos pode ser difícil. Conversar em câmera pode ser difícil. Mas escrever é o lugar onde minha mente respira melhor.
“Você está exagerando?”
Para quem vê de fora, talvez pareça excesso. Para mim, é apenas a soma de décadas de estudo, trabalho, hiperfoco e necessidade interior de organizar ideias em obras. Não escrevo para parecer produtivo. Escrevo porque minha mente precisa construir sentido.
Um pedido público de desculpas
Esta talvez seja a parte mais delicada desta página.
Muitas vezes minha falta de filtro, meus brancos mentais, minha dificuldade de leitura social, meu deslocamento psicológico e minha inadequação em certos contextos me tornaram inconveniente, incoerente ou constrangedor para outras pessoas. Isso pode ter acontecido pessoalmente, em grupos de discussão, por WhatsApp, em cursos, por telefone ou em situações que talvez eu nem tenha percebido direito.
Não escrevo isso para me vitimizar. Escrevo por cosmoética, por transparência e por respeito. Se em algum momento fui ríspido, reativo, desajeitado, excessivo ou inadequado sem perceber o impacto da minha fala, deixo aqui meu pedido sincero de desculpas.
Também aprendi com o retorno recebido. Muitas vezes recebi o “troco”, e isso também fez parte do meu aprendizado. Não sou melhor nem pior que ninguém. Sou uma consciência tentando compreender a si mesma com mais honestidade.
Para quem deseja conhecer melhor meu trabalho
Esta página também responde a uma dúvida legítima: o que foi construído ao longo dessa jornada? Abaixo estão caminhos para conhecer minha produção, meus sites, minhas obras e os conteúdos que desenvolvo com Andréa.
Livros
Obras impressas e e-books
Livros espiritualistas, estudos sobre karma, dharma, Ramatís, projeção astral, bioenergias, apometria, natureza, consolo e crítica consciencial.
Ela existe para organizar uma confissão pública, um pedido de compreensão e uma prestação de contas. Não quero reduzir minha identidade ao autismo, nem transformar minha trajetória em vitrine de superação. Também não quero esconder o que explica parte importante da minha forma de perceber, escrever, trabalhar, errar, acertar e servir.
A vida inteira tentei traduzir experiências internas em linguagem espiritualista, consciencial e universalista. Agora, ao compreender melhor minha neurodivergência, posso olhar para minha própria história com mais honestidade.
Seguirei escrevendo
Continuarei estudando, escrevendo e compartilhando conteúdos sobre consciência, espiritualidade, karma, dharma, Ramatís, projeção astral, bioenergias, neurodivergência e autoconhecimento. Quem desejar conhecer melhor essa produção pode começar pelos mapas abaixo: