Pai-Mãe da Consciência Cósmica,
Princípio sem princípio, Presença anterior aos mundos,
Fonte silenciosa de onde brotam a vida, a inteligência e o amor,
Tu que habitas o coração dos sóis e o íntimo invisível de cada consciência,
santificada seja a Tua Presença em nós.
Venha a nós a lucidez do Teu Reino,
não como promessa distante, mas como estado de consciência conquistado no templo interior.
Que a Tua Vontade se revele através de nosso dharma,
e que aprendamos a reconhecê-la além dos desejos do ego,
além do medo, das ilusões, das máscaras e das certezas que ainda nos aprisionam.
Que assim como os astros obedecem silenciosamente às leis que sustentam o Universo,
possamos alinhar pensamento, sentimento, energia e ação
às leis maiores da vida, da evolução, da justiça, da fraternidade e do amor.
Dá-nos hoje o alimento de que verdadeiramente necessitamos:
A força para atravessar nossas provas,
O discernimento para compreender nossos desafios,
A serenidade para aceitar o que ainda não podemos transformar,
A coragem para transformar aquilo que depende de nós,
E a sabedoria para distinguir uma coisa da outra.
Concede-nos consciência para compreender nosso próprio karma,
sem revolta diante das consequências,
sem culpa diante dos erros,
sem orgulho diante das conquistas,
reconhecendo em cada experiência uma possibilidade de aprendizado, reparação e crescimento.
Perdoa nossas ignorâncias na medida em que aprendemos a compreender as ignorâncias daqueles que caminham conosco.
Ensina-nos a não devolver sombra à sombra, violência à violência, desprezo ao desprezo.
Que tenhamos força suficiente para interromper em nós as antigas correntes de mágoa, vingança e ressentimento,
para que nenhum passado continue governando o presente através de nossas próprias feridas.
Quando atravessarmos os vales da dúvida,
quando antigas sombras emergirem de nosso inconsciente,
quando o medo tentar obscurecer a razão
e o ego desejar novamente ocupar o trono de nossa consciência,
recorda-nos quem somos.
Somos consciências em jornada.
Somos aprendizes da eternidade.
Somos viajantes entre dimensões, experiências, encontros e despedidas,
carregando conosco aquilo que nenhuma morte pode destruir:
o nível de consciência que conseguimos conquistar.
Não permitas que adormeçamos novamente na matéria,
hipnotizados pelas aparências, pelas posses, pelas disputas e pelas pequenas vaidades do mundo transitório.
Que nossos olhos vejam além da forma,
que nossa mente atravesse os condicionamentos,
que nosso coração ultrapasse as fronteiras
e que nossa consciência reconheça a unidade existente por trás da diversidade da criação.
Livra-nos, sobretudo, de nossa própria inconsciência.
Do orgulho espiritual.
Da certeza arrogante.
Do fanatismo disfarçado de fé.
Da vaidade travestida de missão.
Da fuga chamada transcendência.
Da omissão chamada paz.
Da ignorância que acredita já ter despertado.
Que diante dos fenômenos busquemos discernimento.
Diante do conhecimento, humildade.
Diante do sofrimento, compaixão.
Diante do poder, responsabilidade.
Diante da verdade, silêncio interior suficiente para que o ego não a transforme em instrumento de superioridade.
Que nossas energias sejam limpas.
Que nossas intenções sejam claras.
Que nossas palavras curem mais do que firam.
Que nossas mãos auxiliem mais do que controlem.
Que nossa presença alivie mais do que pese sobre aqueles que cruzarem nosso caminho.
E quando chegarmos aos portais que separam aquilo que fomos daquilo que poderemos ser,
dá-nos coragem para atravessá-los.
Que possamos deixar para trás as velhas identidades,
os antigos condicionamentos,
as fidelidades inconscientes à dor,
os personagens que construímos para sobreviver
e todas as ilusões que já cumpriram sua função em nossa caminhada.
Que morra em nós aquilo que precisa morrer
para que uma consciência mais ampla possa nascer.
Que se dissolva aquilo que nos separa.
Que desperte aquilo que nos integra.
Que se revele aquilo que sempre esteve presente.
E quando a última máscara cair,
quando cessar o ruído das pequenas vontades,
quando o silêncio finalmente atravessar nossa mente,
que possamos reconhecer, no centro de nós mesmos,
a centelha da mesma Consciência que pulsa nas estrelas.
Então compreenderemos que nunca estivemos separados.
Que cada existência foi uma escola.
Cada encontro, um espelho.
Cada dor, uma iniciação possível.
Cada amor, uma lembrança da Unidade.
Cada escolha, uma semente lançada ao campo infinito do karma.
E cada despertar, apenas mais um passo na longa ascensão da consciência em direção a si mesma.
Pai-Mãe da Vida,
que nossa vontade se harmonize com a Lei Maior,
que nosso conhecimento se converta em sabedoria,
que nossa sabedoria se converta em serviço
e que nosso serviço se converta em amor consciente.
Pois Teu é o mistério que sustenta os mundos,
Tua é a inteligência que permeia a criação,
Tua é a Vida que atravessa todas as vidas.
E nós, centelhas conscientes desse infinito,
seguiremos aprendendo, servindo, amando e despertando,
até que aquilo que hoje buscamos no alto
se revele plenamente dentro de nós.
Assim é.
Assim se cumpra em consciência.
Assim despertemos.
Dalton Campos Roque – consciencial.org

