INSTITUIÇÃO CONSCIENCIOCÊNTRICA – A “CONSCIÊNCIA” AO CENTRO

INSTITUIÇÃO CONSCIENCIOCÊNTRICA – A “CONSCIÊNCIA” AO CENTRO

Consciência + centro – consciência ao centro. Há várias linhas conscienciocêntricas: a Gnose, a Rosacruz, a Teosofia, o Espiritismo, a Antroposofia, a Conscienciologia, etc. Conscienciocêntrica é o estudo da consciência sob ponto de vista ou paradigma consciencial, multidensional, pluriexistencial.

Desejamos distinguir “linhas” de “instituições”. A linha é mais ampla, é sempre bela ou “perfeita”, pois é composta de ideias, que se apresentam em forma de propostas evolutivas, projetos, doutrinas, teorias e hipóteses bem formuladas.

A instituição é uma loja ou grupo de pessoas maior ou menor que pode ser de uma linha, de outra ou várias combinadas com características próprias.

Eu observei, a partir de fatos consumados, que quanto maior a Instituição, maior a incidência de fofocas, mesmo sendo conscienciocêntrica. Há grupos onde as fofocas são tão valorizadas que de vez em quando produzem “excomunhões” e/ou autoexclusões de alguns fiéis/alunos. Isso em pleno século XXI.

Há inquisição para todos os gostos, graus evolutivos e tamanhos. De vez em quando alguém se suicida, por ter sido esclarecido de forma “avançada”. De vez em quando alguém não aguenta a fofoca e depois de 20 ou 30 anos de casa e de se entregar de corpo e alma, desiste, sai e vai procurar seu próprio rumo. Há até gurus que valorizam tanto as fofocas que tiram satisfação pessoalmente!

Sem falar nas infidelidades conjugais,  que correm aos quatro ventos e em todas as bocas numa atitude francamente antiética (vamos esquecer a cosmoética que é avançada demais para esse povo). Geralmente estas notícias são abafadas o máximo possível pelos staffs dessas instituições, mas não há como cercear o testemunho das pessoas que não estão nos livros, mas chegam aos ouvidos.

Muito cuidado, você que hoje se entrega de corpo e alma e defende com garras uma instituição x. Você pode ser o excomungado ou o suicida de amanhã, se não atender mais os interesses, a política, a filosofia, a “ética” ou a “cosmoética”[1] da loja.

Se você leitor, não viu o que vi e não sabe do que sei, saiba que minhas linhas não são levianas. A fofoca no ser humano é proporcionalmente maior de acordo com o número de cabeças que participam. Na prática o ego prevalece sobre o lindo refrão das doutrinas, purezas e cosmoéticas dos grupos.

 

Contrafluxo e discernimento

Certa vez eu estava fazendo um curso, na verdade uma imersão de final de semana em Petrópolis – RJ no ano de 1995. Juntos comigo estavam um casal amigo, todos voluntários de uma instituição que chamarei de X. Chegamos sexta-feira a noite e a imersão terminaria no domingo à tarde.

Nesta instituição X, há um conceito de “contrafluxo”. Consideram a sociedade patológica (o que concordo plenamente) e que vale a pena evoluir consciencialmente mais rápido trilhando o contrafluxo social tão fútil, mesquinho, materialista e egoísta. Concordo com o conceito plenamente.

O amigo integrante do casal citado, possuía bons conhecimentos de espiritualidade, se declarava ótimo clarividente[2], projetor consciente, que fazia psicometria com fluência das pessoas e que também possuía vários talentos parapsíquicos, repito, tudo afirmação dele mesmo.  Convivi com tal figura durante muitos anos e de fato aprendi muito com ele, mas muitas coisas testemunhei com reserva.

Continuando o raciocínio, estávamos eu e o casal amigo na citada imersão e o período de sábado pela manhã havia terminado. Estávamos dentro de um grande salão deitados em colchonetes. Era um grupo grande de alunos, bastante orgulhosos de frequentar tal grupo e imersão, e de seguir um grande guru que vou chamar de guru Master, pois se consideravam muito evoluídos. O guru Master é o autor do conceito de evoluir mais rápido pelo contrafluxo, o que concordo plenamente e vivencio em minha existência junto com Andréa (minha esposa).

Do lado de fora do salão havia uma grande piscina. Na saída do grande salão da imersão era preciso contornar a piscina para chegar ao restaurante, mas havia dois caminhos, um mais curto pela direita e outro mais longo pela esquerda da piscina. O caminho mais curto era o que todos trilhavam naturalmente.

Eu saí no meio das pessoas e também peguei o caminho óbvio e mais curto, cheguei ao restaurante para almoçar e me acomodei a mesa. Alguns instantes depois chega meu amigo muito observador me relatou:

Observei que todos passaram pelo lado direito da piscina e vi que o guru Master passou pelo lado esquerdo (o mais longo), então eu o perguntei por que ele fez isto. Ele me respondeu que era por causa do ‘contrafluxo’. Então eu também peguei o mesmo caminho como ele.”

Após quase uma dezena e meia de anos de tal evento, me recordo e acho graça. Sempre parto do princípio de que não sou evoluído e posso não ter a capacidade de entender as coisas a fim de minimizar meus erros. Mas não me furto a questionar, ouso a pensar e não digo amém para ninguém.

Meus questionamentos são:

  • Se aquele era um grupo de alunos do próprio guru, porque ele pegou o contrafluxo dos próprios alunos que o seguem? Os alunos que se afinizam com os conceitos dele também não são evoluídos como ele? Ou pelo menos não querem ser? Por que se distinguir dos próprios alunos que frequentam sua instituição e pagam caro pela imersão?
  • Sei que todo tráfego de pessoas gera uma corrente bioenergética com respectivo holopensene característico, mas porque fugir dele? Se o guru Master é mais evoluído, não seria mais assistencial pegar o mesmo tráfego bioenergético[3] que seus alunos?
  • Faz tanta diferença bioenergética assim pegar o caminho diferente? Será que o guru estava evitando os espíritos carregados na aura dos alunos? Mas eles acabaram de sair de um campo bioenergético intenso e foram tratados por espíritos ditos avançados numa sala cheia de equipamentos extrafísicos e tal! Se havíamos terminado o primeiro período de imersão, não teríamos que estar todos limpos de energias patológicas e espíritos doentios?
  • Observando a conduta do amigo que entre nossa convivência sempre se declarou avançado, evoluído cheio de talentos e capacidades parapsíquicas, agiu igual a macaco de imitação, copiando uma conduta sem questionar apenas pisando nas pegadas do guru Master que tanto admirava.

Ele simplesmente disse amém sem questionar. E o lema fundamental desta instituição X é “não acredite em nada, só em sua vivência pessoal”.

Atitudes de falta de discernimento e imaturidades, várias eu tive, tenho e terei, mas nunca me considero o tal, aliás, minha autocrítica é muito severa, talvez até ao exagero. Há pessoas que mesmo aparentemente preparadas e maduras e até orgulhosas e vaidosas disso cometem os piores lapsos de discernimento. E cometem porque não são maduras e nem avançadas consciencialmente de fato, mas apenas desejam ser e esnobam transpirando ego.

Deixo registrado aqui o comportamento do amigo, pois o que mais vi em grupos evolutivos, foram estes tipos, com enormes potenciais, mas com grande dificuldade em discernir com profundidade e clareza, capacidade esta que fica obnubilada pela vaidade e orgulho exacerbados.

 

Aliás, é bom que se diga que a maioria de proativos que se consideram gurus no ocidente hoje possuem resistência a discípulos que pensam.

[1] Perceba a ironia dos termos “ética” e “cosmoética” entre aspas. Quaisquer argumentos, desculpas ou justificativas na boca de um ser bem eloquente poderão convencer um bom ingênuo.

[2] Clarividente: Visão dos espíritos e seu meio. Projetor consciente: saídas do corpo em viagem astral consciente. Psicometria: leitura energética de pessoas e ambientes.

[3] Bioenergias, bio-energias, bioenergética, energias bioconscienciais são campos que emanamos a partir dos pensamentos através de nossas auras.

O que você achou?

Sobre o(a) autor(a)

Dalton Campos Roque – auto intitulado como “Tio Dalton” de forma irreverente, sempre bem humorado e brincalhão. Formado em Engenharia Civil, pós-graduado em Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia e em Educação em Valores Humanos. Manifestou eventos paranormais e mediúnicos desde o berço e foi criado neste meio, pois seu pai e dois irmãos também manifestavam fenômenos parapsíquicos ostensivos. Começou a aprender com o pai (que é médico e Parapsicólogo) Parapsicologia e Hipnose a partir dos 14 anos de idade.
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Professor de Informática, espiritualista universalista, médium intuitivo, curioso e espontâneo em desconstruir falácias religiosas, espiritualistas e “New Age’s”.
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Curte Rock Progressivo, Rock pesado, música New Age e músicas mais espirituais em geral, adora filmes de ficção científica e ação. Curte eletrônica, áudio, física e matemática.
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É simples, irreverente, se denomina “caipira” e “sente muitas saudades de seu planeta”.
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O que mais aprecia é escrever, aprender, criar “coisas” novas e originais e organizar conhecimento com tendências mais científicas. Detesta o misticismo exacerbado New Age, o que considera uma desinformação. — -Me ame quando eu menos merecer, pois é quando mais preciso.

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