MEMÓRIA CELULAR

MEMÓRIA CELULAR

Retirado de <http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2008/04/memoria_celular.html>

Autor: Acid

Semana passada, um americano que havia recebido há 13 anos o coração de um suicida em um transplante se matou da mesma forma que seu doador. Além do que, 1 ano depois do transplante, ele já havia procurado a família do doador para agradecer pelo órgão e acabou se envolvendo (e casando!) com a viúva do antigo dono do coração!

Isso nos dá realmente o que pensar. Afinal, não é o primeiro caso.

“Nunca vou esquecer o dia em que recebi aquele telefonema. Eu fui a primeira pessoa a quem mamãe ligou. Ela me disse: como é que ele foi capaz de se matar? Fizemos uma reunião de família e meu irmão falou: vamos doar todos os órgãos dele”, conta a irmã do jovem Howie.

O fígado de Howie foi doado para Debbie Véga. “Naquele dia eu estava muito doente, e podia até ter entrado em coma se não tivesse recebido aquele fígado a tempo”, diz Debbie.

A história ocorreu nos Estados Unidos. A operação foi um sucesso, mas logo depois coisas estranhas começaram a acontecer com a mulher que recebeu o fígado no transplante:
– “Dois dias depois do transplante, eu pedi ao meu marido: compre amendoim, compre salgadinho de queijo para mim. Só que eu nunca gostei de comer isso. Passei três ou quatro meses comendo essas coisas, sem parar. Aí comecei a fantasiar: será que era isso que o doador gostava de comer?”

Debbie voltou ao hospital para tentar conseguir informações sobre o doador. Ela perguntou a uma enfermeira: é um homem? Uma mulher? A enfermeira respondeu: é um garoto. Só disse isso. Houve outra mudança nos hábitos de Debbie depois do transplante: ela começou a praticar luta. Ela pensou: será que o doador gostava de lutar? Dois anos depois da operação, ela finalmente conheceu a família do doador. As irmãs do jovem confirmaram: sim, ele gostava de lutar, e dava chutes iguais ao dela.
– “Parece que é ele usando o corpo dela. É como se ele quisesse provar a todo mundo que continua vivo”, diz a irmã.

Casos como esse são pesquisados pelo doutor Gary Schwartz, um professor de medicina da Universidade do Arizona. Ele diz:
– “Explicações meramente biológicas são insuficientes para entender esses fatos bizarros. Essas memórias dos transplantados sugerem a possibilidade de continuidade da consciência mesmo depois da morte”.
Os céticos dizem que essas memórias são simples coincidências, ou talvez efeitos colaterais dos medicamentos que os pacientes devem tomar depois da cirurgia. Mas como explicar uma outra história contada por Debbie?
– “Assim que acordei da cirurgia, lembrei de uma coisa que parecia um sonho: vi uma cena, um rapaz, uma moça de aparência latina. Ela usava uma blusa listrada”.
A irmã comenta:
– “Isso me assustou, porque o meu irmão se matou na frente da namorada. Ela foi a última pessoa que ele viu: naquele dia, ela estava mesmo de blusa listrada”.

O doutor diz que um dos casos mais fascinantes que estudou foi o de um jovem de 17 anos, um violinista, assassinado na rua. Seu coração foi transplantado para um homem de 47 anos, que, de repente, se apaixonou por música clássica. Passou a ouvir música clássica por horas e horas e disse que aquelas melodias comoviam seu coração. O problema do doutor Schwartz é demonstrar que células e órgãos podem guardar e transmitir algum tipo de memória. Mas ele acredita que existe uma espécie de energia que circula pelo corpo e leva informação a todas as células. É uma energia que teria origem no coração e estaria relacionada com nossas emoções.
– “Emoção é energia em movimento, ela pode estabelecer ligações biofísicas”, defende o controvertido pesquisador.
Em uma ótima entrevista à Revista Planeta, o Dr. Paul Pearsall (vide entrevista após o texto) nos fala que as células têm memória e que o coração carrega um código energético especial, que nos conecta com os demais seres humanos e com o mundo à nossa volta. De certa maneira, sua teoria explica por que muitos transplantados passam a manifestar traços da personalidade do doador. Segundo Pearsall, “o fato de que as células têm memória é uma lei básica da natureza. Mesmo os mais simples organismos unicelulares lembram como se movimentar, encontrar alimento, fazer sexo e evitar os predadores. Os cientistas chamam isso de memória da função, mas, se uma célula pode lembrar, é bem provável que muitas células juntas poderiam ter memórias mais complexas e elaboradas. As células do coração são as únicas células rítmicas. Elas pulsam mesmo quando estão fora do corpo, e quando colocadas próximas a outras células do coração, se comunicam entre si e entram juntas numa batida rítmica. As células do coração retiradas por biópsia de um paciente e colocadas num prato de laboratório vibraram mais rápido quando seu doador estava sendo testado numa esteira ergométrica, num aposento no fim do corredor, bem distante do lugar onde suas células estavam sendo observadas. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, transferiram as memórias de vermes. Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia mostraram que um único elétron podia alterar as memórias de nossos genes. Existem dezenas de fascinantes descobertas em pesquisas que indicam o princípio de que estamos ligados de uma maneira que ainda não entendemos.”

O coração é muito mais do que um mecanismo bombeador. Ele não está a serviço do cérebro, mas é um parceiro para formar com ele nossa organização interna de manutenção da saúde
(Paul Pearsall)
A medicina chinesa já sabia disso há alguns milhares de anos. Segundo eles, o coração é responsável por controlar o sangue, os vasos sanguíneos e a mente. Isso mesmo. Não só a atividade mental, como a consciência, ou, como eles chamam, “dotar a mente de tesouro”. Quando há Ki/Qui (energia vital) em abundância no coração, isso se reflete no rosto, que possui muitos vasos sanguíneos. Um rosto brilhante e rosado revela uma pessoa sã, enquanto um rosto obscuro ou azul-purpúreo indica deficiência de Ki ou estagnação do sangue no coração.

Mas poderia um distúrbio mental afetar de forma irreversível a memória celular do coração? Vejamos o que diz o espiritismo, no capítulo 18 do livro de André Luiz (Psicografado por Chico Xavier) Missionários da Luz, que trata de obsessão e seus efeitos no organismo:

A jovem que reagia contra o assédio das sombras demonstrava normalidade física razoável. Parecia alguém que fazia todos os esforços para defender o equilíbrio da própria casa. No entanto, os outros apresentavam lamentáveis condições orgânicas. A mulher possuída tinha sérias perturbações, desde o cérebro até os nervos lombares e sacros, apresentando completo desequilíbrio da sensibilidade, além de grave descontrole das fibras motoras. Esses desequilíbrios não se limitavam apenas ao sistema nervoso, mas atingiam também as glândulas e demais órgãos em geral.
(…)
Percebendo que Alexandre estava mais disponível, comentei o que havia observado, perguntando, em seguida:
– Tendo em vista os desequilíbrios físicos que pude verificar nos assistidos, podemos considerá-los como doentes do corpo também?
– Com certeza – afirmou Alexandre -, o desequilíbrio da mente pode causar perturbação geral do corpo físico. É por isso que as obsessões, quase sempre, vêm acompanhadas de aspectos muito complicados. As perturbações da alma levam às doenças do corpo.
– Mas e se conseguíssemos afastar os obsessores definitivamente? Como ex-médico encarnado, vejo que estes doentes psíquicos não têm as doenças restritas à mente. Com exceção da jovem mais forte, os outros apresentam estranhos desequilíbrios do sistema nervoso, com distúrbios no coração, fígado, rins e pulmões. Digamos que conseguíssemos fazer com que os obsessores desistissem de seu intento. Os obsidiados teriam de volta o equilíbrio físico, retomando a saúde plena?
Alexandre pensou um pouco, antes de responder, e disse:
– André, o corpo físico é como um violino que se entrega ao músico, que, nesse caso, é o espírito encarnado. É indispensável preservar o instrumento das pragas e defendê-lo de ladrões. (…) O violino simbólico de que falamos, quando entregue às forças do mal, pode ficar parcialmente destruído. E, mesmo que seja devolvido ao verdadeiro dono, pode não ter mais a qualidade que tinha antes. Um Stradivarius pode ser autêntico, mas não poderá ser ouvido com as cordas arrebentadas. Como vemos, os casos de obsessão apresentam complicações naturais e, para solucioná-los, não podemos dispensar a colaboração direta dos próprios interessados, os obsidiados.
– Entendo! Mas, suponhamos que os obsessores mudem de idéia e se afastem definitivamente do mal, depois de atacarem o corpo dos obsidiados durante longo tempo… Nesse caso, esses obsidiados não se recuperariam imediatamente? Não teriam a saúde completa novamente?
Com a paciência que lhe é peculiar, Alexandre respondeu:
– Já vi casos assim e, quando acontecem, os antigos perseguidores se transformam em amigos, ansiosos por reparar o mal praticado. Às vezes, com a ajuda dos planos superiores, conseguem a recuperação física plena daqueles que sofreram os seus ataques desumanos. No entanto, na maioria dos casos, os obsidiados não conseguem mais recuperar o equilíbrio do corpo físico.
– E vão com a saúde comprometida até a morte? – perguntei, muito impressionado.
– Sim – respondeu Alexandre, tranquilamente.

Referência: Tratado de Medicina Chinesa (Ed. Roca);
Documentário “Transplante de Memórias“, do Discovery Home and Health;
Paul Pearsall – Memória das Células (Ed. Mercuryo)


O Poder do Coração

Escrito por Paul Pearsall

Segundo o Dr. Paul Pearsall, as células têm memória e o coração carrega um código energético especial, que nos conecta com os demais seres humanos e com o mundo à nossa volta. De certa maneira, sua teoria explica por que muitos transplantados – como ele mesmo pode comprovar – passam a manifestar traços da personalidade do doador.

PLANETA – Pesquisas científicas recentes sugerem que o coração pensa e que as células têm memória, havendo uma relação entre esses dois processos. Explique-nos, em linhas gerais, de que forma isso se dá.

Paul Pearsall – O fato de que as células têm memória é uma lei básica da natureza. Mesmo os mais simples organismos unicelulares lembram como se movimentar, encontrar alimento, fazer sexo e evitar os predadores.

Os cientistas chamam isso de “memória da função”, mas, se uma célula pode lembrar, é bem provável que muitas células juntas poderiam ter “memórias” mais complexas e elaboradas. As células do coração são as únicas células rítmicas. Elas pulsam mesmo quando estão fora do corpo. Não é insensato sugerir que milhares de células do coração ressoando juntas e expostas a bilhões de células do sangue que passam pelo coração, a cada segundo, podem conter memórias. Um dos hormônios do corpo associado com a memória é a substância chamada acetilcolina. A falta das moléculas dessa substância é verificada na doença de Alzheimer, na qual a função de memória se encontra gravemente diminuída. Na memória existe também uma “eletricidade”. O DNA do nosso corpo que contém o nosso código genético age como uma espiral de cobre, permitindo que os nossos genes transmitam códigos elétricos entre si. O coração gera um campo eletromagnético de cinco mil milivolts. O coração é capaz de emitir freqüências de onda de rádio, e ele fala com o cérebro através de uma substância chamada ANP, Peptídeo Naturético Atrial (Atrial Naturetic Peptide), descoberta no coração.

A força eletromagnética do cérebro é cerca de 140 milivolts, portanto, a energia codificadora elétrica do coração é forte. As nossas células, os nossos genes, as substâncias no coração e a eletricidade do nosso corpo gerada primariamente pelo coração se combinam para ajudar a fabricar e armazenar as memórias. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, transferiram as memórias de vermes. Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia mostraram que um único elétron podia alterar as memórias de nossos genes. As células do coração, colocadas próximas a outras células do coração, se comunicam entre si e entram juntas numa batida rítmica. As células do coração retiradas por biópsia de um paciente e colocadas num prato de laboratório vibraram mais rápido quando seu doador estava sendo testado numa esteira ergométrica, num aposento no fim do corredor, bem distante do lugar onde suas células estavam sendo observadas. Existem dezenas de fascinantes descobertas em pesquisas que indicam o princípio de que estamos ligados de uma maneira que ainda não entendemos. As questões da memória celular e dos transplantados que recebem as memórias e as características de seus doadores são exemplos da emergência de ciência mais integrativa que esteja disposta a estudar questões que antes ridicularizava.

PLANETA – Além de memórias dos nossos ancestrais, as células poderiam carregar também “lembranças” de vidas passadas?

Paul Pearsall – A questão das memórias de vidas passadas é muito interessante. Se por um lado tem havido muita publicidade sobre reivindicações de pessoas de que elas foram um rei ou uma rainha ou outra figura histórica bem conhecida na sua “vida passada”, tem havido também pesquisas muito cuidadosas, que levantam muitas questões sérias e interessantes sobre essa possibilidade. O dr. Ian Stevenson, da Universidade de Virgínia, viajou pelo mundo por quase 40 anos para documentar mais de dois mil casos de crianças pequenas que afirmam recordar-se de vidas passadas. No Havaí, onde nasci, acredita-se que nossos ancestrais estão sempre conosco e dentro de nós. Acreditamos, e a ciência o demonstra, que nossas células carregam os códigos daqueles que vieram antes de nós. Para os cientistas, uma das coisas mais difíceis de aceitar é a idéia de que a separação e os limites são ilusões. Todos nós somos de fato Um e conectados em muitos níveis. Não importa se nosso cérebro presta atenção ou não, nossas células lembram de onde viemos. Cabe a nós prestar atenção a isso.

PLANETA – Diante das descobertas da cardioenergética, podemos dizer que o coração é o maior responsável pela nossa saúde, e não o cérebro, como propõe a psiconeuroimunologia?

Paul Pearsall – Como o psicólogo Abraham Maslow afirmou, a saúde é uma questão de ser, não de fazer. “Quem” somos é primordial para o nosso bem-estar. A medicina moderna tem uma orientação muito mecânica. Ela busca explicações concretas e singulares. Não há dúvida de que o cérebro não está realmente na nossa cabeça, mas no corpo todo. As células do estômago e do coração falam com o cérebro tanto quanto o cérebro fala com o nosso corpo. O coração é muito mais do que um mecanismo bombeador. Ele não está a serviço do cérebro, mas é um parceiro para formar com ele nossa organização interna de manutenção da saúde. O coração secreta hormônios, como o ANF, que ajuda a regular todo o sistema do nosso corpo. O coração bem como o cérebro é um órgão hormonal. A questão em saúde não é “a mente sobre a matéria”, mas “a mente é matéria”. Nosso corpo inteiro e todos os seus sete bilhões de células podem pensar, sentir e conectar-se com outras células. Por causa de sua imensa energia eletromagnética e de outras energias, o coração particularmente se conecta com outros corações. A saúde e a cura são questões de compaixão, de ligação e de estar consciente de que nós não “temos” um corpo, mas somos o nosso corpo.

PLANETA – Sendo assim, que conselhos o senhor daria para quem deseja se curar de um mal qualquer ou evitar doenças?

Paul Pearsall – Escrevi um livro, publicado agora em agosto, intitulado Miracle in Maui: Letting Miracles Happen in Your Life (“Milagres em Maui: Deixando os Milagres Acontecerem em sua Vida”). Ele documenta minha cura milagrosa, o câncer em estágio IV e a recuperação de um transplante de medula, quatro quimioterapias radicais e radiação no corpo todo. Meu conselho é lembrar que não é possível praticar a “autocura”. Toda cura é uma questão de reconexão – seja a reconexão com o nosso próprio corpo, com os nossos sistemas corpóreos e células se conectando umas com as outras, ou a conexão com os nossos ancestrais e a terra. Cura é conexão. Quando nos tornamos “cardiossensíveis” e ouvimos o nosso coração, encontramos ali mensagens de cura que todos nós compartilhamos – um tipo de sabedoria espiritual em comum de paciência, unidade, agradabilidade, humildade e ternura, a qual é a linguagem do coração, que permite que os milagres aconteçam.

PLANETA – De certa maneira, a existência de um código do coração parece ter sido confirmada ao senhor por dezenas de histórias de transplantados cardíacos que, depois de receber o órgão, passaram a manifestar traços da personalidade do doador. Dos casos que estudou, quais os que mais o impressionaram?

Paul Pearsall – Publiquei vários casos de transplantados de coração que receberam as memórias de seus doadores. Estes aparecem em revistas profissionais. Descrevo muitos casos no meu livro Memória das Células (Editora Mercuryo). Lamento ter publicado os casos “dramáticos” porque eles parecem evocar grande resistência e tornam sensacionalismo aquilo que deveria ser seriamente científico, médico e espiritual. Na verdade, os casos que me impressionam mais são os casos calmos, sutis, que envolvem o “sentir-se profundamente conectado com o meu doador”, e “amar meu doador agora e para sempre”. Todos nós somos receptores de transplante de coração. Se você quiser ler sobre casos notáveis, leia o meu livro. Se você quiser aprender realmente sobre o código do coração, sente-se, fique de mãos dadas com alguém que você ama, e sinta a energia da conexão coração com coração. A energia do coração está à nossa volta. Cabe a nós querermos ser receptores.

PLANETA – As mudanças na personalidade do receptor são notadas também em casos de transplantes de outros órgãos, como rins e pulmões, por exemplo?

Paul Pearsall – Casos de receptores que recebem memórias e características de seus doadores foram relatados em transplantes de rim, fígado e até de córnea. Quanto mais estudo esse assunto, mais suspeito que o verdadeiro mistério reside em por que algumas pessoas parecem sintonizar tão profundamente com as memórias das células e com o seu código do coração. Podemos aprender com essas pessoas corajosas e normalmente humildes. Elas são como astronautas espirituais. Alguns zombam delas, mas se estivermos dispostos a ouvir amorosa e abertamente, podemos ouvir o código do coração. Se permanecermos com o coração duro, deixamos de nos beneficiar com as lições do coração e com aqueles que as aprenderam.

PLANETA – O senhor levantou, entre cientistas, médiuns e curandeiros, várias teorias que explicam por que os transplantados manteriam uma conexão energética com o doador falecido. Alguma delas lhe parece ser, particularmente, mais correta que as demais?

Paul Pearsall – Eu adoro o ceticismo da ciência, mas abomino o seu cinismo. Infelizmente, a televisão e o encontro popular apresentam distorções daquilo que são, na verdade, processos sutis, mas poderosos, da cardioconexão. Acontece muita falsidade. Muitos dos chamados astros “paranormais” são presumivelmente bem-intencionados e podem, de fato, estar mais dispostos a usar aquilo que alguns chamam de seu “sexto sentido”, mas eles não estão realmente fazendo nada que todos nós não possamos fazer. O ponto simples, mas profundo, é que todos nós estamos conectados. Alguns de nós reconhecem esse fato, dão profundo valor a isso e tentam sintonizar-se com a energia sutil dessa conexão. Outros zombam dela ou ficam ampliando as metas, de modo que nenhuma quantidade de pesquisa é suficiente para convencê-los sobre assuntos como memória das células, o coração que pensa e sente, e a assim chamada sensibilidade “psi” ou paranormal. Como a maioria dos pesquisadores dispostos a “sair da caixa” da “vida até a morte” e “um corpo governado por um cérebro”, descobri que o que for que nos conecta é algo sutil. Olhando para as antigas ciências indígenas, como a cultura havaiana, antigos ensinamentos chineses e outras sabedorias “velhas”, descobri que elas contêm muitas chaves para maior entendimento de nossa profunda conexão. Mas devemos estar dispostos a abraçar tanto as ciências antigas quanto as novas e estudar tanto o mito quanto a matéria. Pessoalmente, eu não acho que faremos muito progresso no entendimento desses assuntos das memórias das células, corações que sentem e a conexão espiritual total antes que resolvamos o problema epistemológico. Acho que não podemos aprender o que precisamos somente com o cérebro moderno. Precisamos também de uma mente de nativo – inocente, conectada com a natureza.

PLANETA – Como o senhor vê a hipótese de o espírito do doador, por falta de preparo, influenciar a pessoa que recebeu seu órgão?

Paul Pearsall – Se por espírito você quer dizer “energia vital”, não há dúvida de que somos afetados pelo espírito de todos. Não há nada amedrontador ou mau sobre o fato de a energia amorosa de um doador encontrar caminho para o receptor. Doar um órgão é um dos mais poderosos atos de amor. Cabe a nós decidir beber dessa energia amorosa e do espírito de seu doador.

PLANETA – Um problema cardíaco poderia afetar a energia V, a energia informativa do coração?

Paul Pearsall – A maioria dos doadores de órgãos sofre uma morte trágica e súbita. Se você pergunta se a natureza desse acontecimento se dirige para as memórias dos receptores, a resposta é “sim e não”. A resposta é “sim” se o receptor escolhe buscar isso e estar aberto para isso. A resposta é “não” se o receptor escolhe ver o coração doado como mera substituição de bomba. Minhas entrevistas com os receptores e famílias dos doadores, porém, indicam que é primordialmente a essência amorosa do doador que é transmitida ao receptor. Se pensarmos no transplante somente como células se transferindo para outro corpo, não entendemos o ponto. Há muito mais. Não é apenas memória das células. Parece haver algo sobre a profunda natureza de salvar vidas na doação de órgãos que diminui a nossa percepção de que somos todos conectados. Talvez o transplante de órgão seja uma questão de fornecer – como numa chamada telefônica – uma linha mais clara e direta para essa conexão.

PLANETA – Supondo-se que a essência humana está no coração, o que pode acontecer, do ponto de vista espiritual, se a ciência conseguir, no futuro, substituí-lo definitivamente por um órgão artificial ou até mesmo de um animal, como vem sendo tentado?

Paul Pearsall – Mesmo se a medicina for capaz de fornecer um coração artificial confiável, ele também carregará a energia daqueles que o forneceram. Novamente, estamos conectados com todos e com tudo. O mundo moderno pensa que os objetos não têm energia, mas eles têm. Einstein mostrou que, se um simples grão de areia pudesse ser impulsionado rápido o bastante, ele poderia conter energia suficiente para iluminar uma cidade. Se matéria e energia estão conectadas pela velocidade da luz, parece possível que nossas mentes e corpos estejam conectados por significado. Os médicos, os pesquisadores, as equipes clínicas, enfermeiras, família e todos os envolvidos no transplante de coração “artificial” sem dúvida transplantariam sua energia junto com essa “máquina”. O trabalho no programa de Pesquisa de Anomalias em Engenharia de Princeton demonstrou que, quando as pessoas focalizam sua intenção nos objetos, acontecem neles mudanças sutis, mas significantes. Novamente é importante lembrar o assunto de conexão entre todos e tudo em todo lugar. Para entender realmente o que escrevi sobre isso, meu leitor precisa parar de viver no SIN, self-interest norm (“norma de auto-interesse”), e começar a pensar e sentir na direção mais coletivista de antigas culturas indígenas.

PLANETA – Qual a relevância da sua teoria para casos de rejeição de órgãos, já que, ao receber um novo coração, o paciente pode estar ganhando valores morais e religiosos, por exemplo, completamente diferentes dos seus?

Paul Pearsall – A rejeição de órgão é um processo complicado. Há muitos fatores bioquímicos envolvidos, mas não há dúvida de que a questão da “energia” é importante também. Uma boa combinação depende não só do tamanho do órgão e da compatibilidade bioquímica; até certo ponto depende também – os médicos o reconheçam ou não – de uma compatibilidade energética entre o doador e o receptor, e mesmo entre a família do doador e a família do receptor. Fala-se que, “se não sabemos que não sabemos, então não sabemos”. Aqueles que preferem ignorar a importância da memória das células, o coração como órgão sensório e as sutis conexões energéticas no mundo o fazem para o detrimento daqueles que eles esperam ajudar.

PLANETA – Há alguns anos, o senhor próprio passou por um transplante de medula óssea. Esse fato influenciou de alguma maneira as suas pesquisas?

Paul Pearsall – Meu transplante de medula foi um transplante autólogo, ou seja, os médicos retiraram minha própria medula, trataram-na e colocaram-na de volta no meu corpo. Até hoje, tenho dentro de mim muitas associações que estão ligadas a esse transplante, e sei que a energia amorosa de meus médicos e enfermeiras ressoa dentro de mim. Não tenho certeza se minha medula também captou de alguma forma essa energia e a colocou dentro de mim. Sei, no entanto, que a energia amorosa pode ser enviada e recebida.

PLANETA – A energia V parece ter correspondência em várias culturas e sistemas de cura antigos, caso da energia chi dos chineses, por exemplo…

Paul Pearsall – Os havaianos referem-se à energia sutil de nossa conexão como mana. A maioria das culturas antigas tem seus próprios nomes para essa energia, mas sem dúvida que milhares de anos de sabedoria antiga ensinam que, de fato, há uma conexão energética “vital” entre tudo o que existe. Os cientistas falam somente de quatro tipos de energia (eletromagnética, gravidade e energia nuclear fraca e forte). Mas, quando você fala a esses mesmos cientistas sobre mana ou uma energia sutil, eles costumam responder que eles a têm sentido em suas próprias vidas. Os cientistas gostam de dizer que são totalmente objetivos, mas não são mais objetivos que a maioria de nós. Eles têm seus preconceitos também. Eu só peço que eles olhem para onde estou apontando, em vez de morder o meu dedo. A cultura havaiana ensina que o primeiro princípio da vida é aloha, que significa compartilhar (alo) o sopro sagrado (ha) da vida. Todos nós fazemos isso todo dia. Cabe a nós escolher termos consciência disso, viver a nossa vida em plena consciência disso e de acordo com esse princípio do paraíso.

Fonte: Paul Pearsall revista Planeta


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