Nova Era

Podemos chamar de “bagunça”, “mistureba”, colcha de retalhos, onde cada um transforma uma suposta crença pessoal, num comércio incoerente, propondo nomes novos, falsos, psicodélicos, a uma coisa que antiga, para chamar de “novo”, a dizer que é melhor, superior, meio “mágico”, sofisticado ao anterior, chique, apenas para vender e comercializar em cima da boa fé ingênua popular. Exemplo: um cria a Apometria, o outro cria a Apometria Quântica, o outro a Apometria Holoquântica, o outro a Apometria Estelar, o outro a Apometria Angélica. Um cria o Reiki, o outro o Reiki Quantificado, um cria o tratamento com cristais, o outro cria Terapia com cristais quânticos, o outro o benzimento, a seguir o benzimento quântico. Até a literatura, as editoras se prostituíram ao mercado New Age, abusando do termo “quântico” ao final de qualquer expressão e título de livros. Uma outra febre da Nova Era são os “mestres”. Agora em cada esquina, boteco ou blog tem algum “médium” que “canaliza” um mestre uma vez por semana para postar “textinho” no blog / site. As mensagens são inócuas, sem conteúdo, demonstrando uma bondade piegas, sem informação substancial nenhuma. Tem gente montando bijuteria, artefatos com vidro e sal grosso, dizendo que são endossados pelos Arcanjos, tem gente que crê que Saint Germain é seu padrinho, tem gente esperando os ETs aterrarem em seu quintal por ser um escolhido exclusivo. Tem gente procurando receitinha mágica para “ascender” (de ascensão) para evoluir consciencialmente sem fazer qualquer esforço, tentando comprar o “céu” tal a velha inquisição, na ingenuidade e boa fé de quem pouco discerne qual é o cubo e qual é a esfera.

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Outro | Apometria | Gente | Chamar | Reiki | Cristais | Benzimento | Quântico | Qualquer | Podemos
Dalton Campos Roque
Artífice de palavras e desvelador de abismos. Médium das letras que transita entre o ácido e o sublime. Engenheiro de "pontes" que ligam o visível ao inefável. Projetor e pesquisador do astral, cultiva um jardim de paradoxos, onde florescem humor e transcendência. Meus livros são portais — alguns levam ao sótão da alma, outros às catacumbas do riso. Costumo dizer que “escrever é o último exorcismo antes do amanhecer”.

Autor de dezenas de obras independentes — cinco sobre informática, uma sobre autopublicação e o restante sobre espiritualidade e consciência, sem religião.

Engenheiro Civil, pós-graduado em Educação em Valores Humanos (Sathya Sai Baba) e em Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia. “Me ame quando eu menos merecer, pois é quando mais preciso.”

E um lembrete: todo texto, crítica ou alerta que escrevo serve, antes de tudo, para mim mesmo.

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