O erro de chamar tudo de “projeção astral”
Quando alguém tem a primeira experiência fora do corpo, geralmente corre para a internet e encontra um único termo: projeção astral. A partir daí, passa a usar essa palavra para tudo. Sentiu que flutuou sobre a cama? Projeção astral. Sonhou que voava? Projeção astral. Viu uma luz e encontrou um amparador? Projeção astral.
Didaticamente, isso funciona no começo. É melhor ter um nome do que nenhum. Mas conforme o estudante aprofunda a própria experiência, começa a perceber que nem toda saída é igual.
Há diferenças enormes de grau, de veículo, de lucidez, de liberdade e de faixa extrafísica acessada. Ignorar essas diferenças é como chamar de “viagem” tanto uma ida ao supermercado quanto uma volta ao mundo. É verdade, mas não ajuda muito.
Dentro do paradigma consciencial, podemos organizar essas experiências em cinco níveis principais. Essa divisão não é burocracia terminológica. É uma ferramenta para o projetor entender onde está, o que está vivendo e para onde pode ir.
Vamos a eles.
1. Descoincidência e desdobramento: a bolha
Tudo começa com a descoincidência, um deslocamento do corpo astral (psicossoma) dentro do raio de tração do cordão de prata que varia entre 4 e 6 metros do corpo físico do projetor astral.
Durante a vigília física comum, nossos veículos de manifestação (corpo físico, duplo energético, psicossoma) estão relativamente coincidentes. Funcionam juntos, encaixados, como uma mão dentro de uma luva.
Durante o sono, relaxamento profundo ou práticas projetivas, essa coincidência diminui. O psicossoma começa a se soltar.
A consciência pode sentir:
– Vibrações
– Expansão
– Leveza
– Flutuação
– Balanço
– Sensação de crescimento
– Ruídos intracranianos
– Percepção energética intensa
– Sensação de ocupar dois lugares ao mesmo tempo
Mas isso ainda não é uma projeção completa. Chamamos de desdobramento aquela condição em que existe separação dos veículos, mas o corpo astral ainda permanece dentro da própria psicosfera. É como se houvesse ao redor do corpo uma bolha energética e consciencial. A pessoa pode perceber o quarto, sentir-se maior que o corpo físico, flutuar alguns centímetros, observar o ambiente de outro ângulo, mas continua presa à região energética imediata do soma (psicosfera).
O corpo astral saiu do encaixe físico, mas ainda não saiu verdadeiramente de sua bolha. Por isso dizemos: todo projetor passa por descoincidência, mas nem toda descoincidência resulta em projeção completa. O desdobramento é extremamente comum. Muitas pessoas que cochilam e e acordam de susto com solavanco, provavelmente passaram exatamente por isso.
2. Projeção: ultrapassando a bolha
A projeção começa quando a consciência, utilizando o psicossoma, ultrapassa essa bolha imediata (psicosfera) e consegue se deslocar a distâncias maiores com maior autonomia. É o momento em que a pessoa não está apenas flutuando ao lado do corpo ou presa ao quarto. Ela consegue realmente sair dali.
Pode:
– Atravessar uma parede
– Deslocar-se pela casa
– Ir à rua
– Caminhar pelo bairro
– Voar
– Observar prédios, pessoas e ambientes
Aqui já temos uma projeção propriamente dita. Mas ainda existe uma diferença importante entre sair do quarto e alcançar ambientes extrafísicos mais afastados da crosta terrestre.
3. Projeção na crosta: o plano físico visto de fora
Quando o projetor sai do corpo, mas continua circulando numa faixa extrafísica muito próxima da realidade física, chamamos isso de projeção na crosta. A palavra “crosta” aqui se refere à região extrafísica intimamente relacionada à superfície terrestre e aos ambientes humanos.
A pessoa pode:
– Sair de casa
– Caminhar pela rua
– Voar sobre o bairro
– Observar cidades, edifícios, veículos
– Ver pessoas encarnadas e desencarnadas
– Acessar estruturas muito semelhantes às do mundo físico
Mesmo que ela voe cem metros, quinhentos metros ou alguns quilômetros acima do solo, isso não significa necessariamente que alcançou uma dimensão extrafísica elevada. Altitude física não é elevação vibracional.
Esse é um ponto crucial. Voar para cima não é necessariamente “subir de dimensão”. A pessoa pode estar centenas de metros acima da própria casa e continuar vibracionalmente ligada à crosta. Da mesma forma, pode permanecer praticamente no mesmo lugar físico e mudar profundamente de faixa vibratória. As coordenadas extrafísicas não obedecem exatamente à nossa geometria tridimensional.
4. EFC em faixas extrafísicas mais amplas: além da crosta
Em determinado momento, o projetor pode acessar ambientes que já não apresentam aquela correspondência tão direta com a paisagem física. Começam então as experiências fora do corpo mais amplas.
Podem surgir:
– Encontros com amparadores
– Visitas a comunidades extrafísicas
– Ambientes de estudo
– Hospitais extrafísicos
– Núcleos de assistência
– Grupos de trabalho
– Regiões de recuperação
– E inúmeras outras estruturas de faixas diferentes
Também podem ocorrer incursões em regiões densas, tradicionalmente chamadas de umbral. Mas estar no umbral não significa necessariamente estar em uma experiência negativa. Um amparador pode conduzir um projetor lúcido justamente para uma região densa com finalidade assistencial.
Ali podem ocorrer:
– Resgates
– Esclarecimentos
– Encaminhamentos
– Assistência energética
– Observação educativa
Portanto, a qualidade de uma projeção não deve ser medida apenas pela aparência agradável ou desagradável do ambiente. Às vezes, uma experiência difícil pode possuir enorme valor evolutivo.
5. Projeção de corpo mental: o nível mais raro
Existe ainda uma possibilidade muito mais rara. Quando falamos em projeção astral, estamos normalmente falando do deslocamento da consciência utilizando o psicossoma (corpo astral). O corpo físico fica repousando. O psicossoma se afasta. A consciência continua se manifestando através dele. Mas o psicossoma também é um veículo. Ele também possui densidade. Também está relacionado a emoções, energias, formas, ambientes e faixas vibracionais específicas.
Em determinadas condições, a consciência pode se desprender também desse veículo. É o que chamamos de projeção de corpo mental. Aqui ocorre uma nova descoincidência. Assim como o psicossoma (corpo astral ou períspirito) se soltou do corpo físico, agora o corpo mental se desloca vibracionalmente em relação ao próprio psicossoma. É uma experiência completamente diferente.
Corpo mental (mentalsoma) – uma consciência praticamente sem forma
Na projeção de corpo mental, desaparecem muitas das referências habituais da experiência astral.
– Não existe necessariamente um corpo humanoide.
– Não existem pernas para caminhar.
– Não existem pernas para andar.
– Não existe um espaço percorrido da maneira como entendemos fisicamente.
A consciência simplesmente está. Este estado de consciência é tão avançado que pode transcender o tecido do espaço-tempo e adquirir perspectivas micro e/ou macrocósmicas impressionantes.
Sua percepção torna-se muito mais direta e “real”. No paradigma consciencial, o corpo mental não possui massa física e não funciona segundo os mesmos mecanismos energéticos do psicossoma. Por isso, sua relação com espaço e tempo é radicalmente diferente.
O espaço deixa de ser uma distância a ser percorrida. O tempo deixa de funcionar obrigatoriamente como uma sequência linear rígida. A consciência entra numa condição multidimensional em que determinadas limitações próprias da matéria praticamente desaparecem. É difícil descrever essa experiência utilizando uma linguagem construída por mentes condicionadas a cérebros físicos e ao paradigma cartesiano. Nós pensamos em quilômetros, segundos, horas, velocidade, direção, direita, esquerda, antes e depois. Mas tudo isso pertence profundamente à nossa experiência material.
A consciência, fora dessas limitações, percebe a realidade por outros referenciais e não existem palavras suficientes para explicar uma vivência nessas condições.
Um projetor astral nessa experiência de projeção de corpo mental, pode visitar um buraco negro ou um fóton numa vivência indizível. Acredito que muitos inventores e grandes cientistas fizeram suas descobertas com experiências espontâneas durante cochilos e sono profundo acordando com ideias percebidas fora do corpo. Há vários fatores intervenientes neste processo:
– Amigo espiritual (amparador) que “sopra” um conhecimento nos paraouvidos (ouvidos extrafísicos)
– Pesquisa fora do corpo por:
– Visitas a bibliotecas extrafísicas em comunidade avançadas (colônias espirituais)
– Participação em rodas de grupos de estudos nestas mesmas comunidades
– Amparador pessoal (amigo espiritual / “anjo da guarda”) conversando fora do corpo e recordando o que o projetor programou para fazer reencarnado
Claro, todas são possibilidades, não certezas. O corpo mental, dentro ou fora do corpo é o responsável pela intelectualidade e discernimento (em vários níveis, contextos e graus), pode ser desenvolvido com estudo, pesquisa, experiência duras e contínuas desde o nascimento e ir sendo desenvolvido, e trabalhar por novas associações de ideias e visões de conjunto em pensamento estruturado e descobrir novos conhecimentos por esforço e vontade. É como uma musculação do “corpo intelectual”.
Uma escala didática
Podemos resumir essa progressão da seguinte maneira:
| Nível | Descrição |
|---|---|
| 1. Desdobramento | Existe descoincidência, mas a consciência permanece predominantemente dentro da psicosfera imediata do corpo físico. Uma média que varia entre 4 a 6 metros. |
| 2. Projeção | A consciência ultrapassa essa “bolha” ou psicosfera imediata e adquire maior liberdade de deslocamento extrafísico. |
| 3. Projeção na crosta | O projetor se movimenta extrafisicamente, porém permanece numa faixa vibracional muito próxima e vinculada à realidade física terrestre. |
| 4. EFC em ambientes extrafísicos mais amplos | A consciência acessa regiões, comunidades e contextos menos dependentes da crosta, podendo encontrar amparadores, visitar ambientes extrafísicos e participar de experiências assistenciais, educativas ou evolutivas. Sim, desta forma se tornou uma Experiência Fora do Corpo. |
| 5. Projeção de corpo mental | O corpo mental (mentalsoma) se desprende do psicossoma. A consciência passa a vivenciar uma condição em que as referências habituais de forma, espaço, tempo e localização podem ser profundamente transcendidas. |
O objetivo não é colecionar fenômenos
É importante não transformar essa classificação numa competição projetiva. A questão não é descobrir quem “sai mais longe” ou quem alcança o plano mais elevado. Projeção consciente não é turismo extrafísico. Uma experiência aparentemente simples pode ser profundamente educativa. Uma curta saída na crosta pode ensinar mais sobre medo, apego, lucidez e autocontrole do que uma experiência espetacular.
Da mesma maneira, uma projeção assistencial numa região densa pode ter muito mais valor evolutivo do que uma visita agradável a um ambiente luminoso. O fenômeno é importante. Mas o que fazemos com ele é mais importante ainda.
Considerações finais: somos consciências eternas e imortais
A projeção consciente amplia nossa compreensão de que somos muito mais do que o corpo físico. A projeção de corpo mental leva essa constatação ainda mais longe. Mostra que também não somos apenas o corpo astral.
Os corpos são veículos:
– O físico é um veículo.
– O complexo energético (duplo etérico) não é um veículo, é um invólucro que conecta (“cola”) o corpo astral no corpo físico e não se desloca ou porta a consciência
– O psicossoma é um veículo.
– O corpo mental é um veículo extremamente sutil.
E a consciência (eu, self, espírito puro, transcendente, sem forma, sem volume, sem nada,…) utiliza cada um deles conforme a dimensão, a necessidade e o nível de manifestação.
Quando começamos a compreender isso, a experiência fora do corpo deixa de ser apenas uma curiosidade extraordinária da noite ou do cochilo da tarde de domingo.
Ela passa a ser uma janela para uma questão muito maior: afinal, o que realmente somos quando retiramos, um após o outro, todos os veículos através dos quais estamos acostumados a nos perceber?

