Uma visão consciencial
Poucas personalidades brasileiras atravessaram tantas décadas sob exposição pública quanto Xuxa Meneghel. Isso oferece uma possibilidade rara para quem pretende observar valores, espiritualidade e amadurecimento: não precisamos congelar a pessoa numa entrevista ou numa fase da vida. Existem declarações feitas em épocas diferentes, ações mantidas durante anos, erros reconhecidos publicamente e mudanças de entendimento que permitem enxergar uma trajetória.
Este texto parte desse critério. As experiências espirituais relatadas por Xuxa serão apresentadas como experiências relatadas por ela, sem transformá-las automaticamente em fatos objetivos. Da mesma forma, uma ação social não será tomada como prova absoluta de elevação moral, e um erro não servirá para invalidar toda uma vida. O que interessa aqui é observar o conjunto. Como prometi antes, estamos criando uma visão mais consciencial do universo da cultura pop.
UMA RELAÇÃO PESSOAL COM DEUS
A presença de Deus na fala de Xuxa não surgiu recentemente. Em entrevista à revista Quem, em 2006, quando lhe perguntaram por que costumava chamar Deus de “o cara lá de cima”, ela explicou sua relação usando ideias como carinho, amizade, confiança, intimidade, proximidade, amor e respeito. Também disse que rezava e agradecia regularmente, que orava com Sasha e mencionou sua admiração pela Oração de São Francisco. Revista Quem
É uma declaração interessante porque revela uma religiosidade pouco baseada no medo. Deus aparece muito mais como presença próxima e afetiva do que como uma autoridade punitiva. Isso não significa que possamos estabelecer toda a teologia pessoal de Xuxa a partir de uma entrevista, mas esse modo de falar reapareceria muitos anos depois.
Em dezembro de 2020, numa conversa com Nany People repercutida por Patrícia Kogut, de O Globo, Xuxa detalhou melhor sua formação religiosa. Disse ter sido criada no catolicismo, contou que sua mãe ensinou os filhos a respeitar também o espiritismo e o meio evangélico e afirmou ter lido muitos livros espíritas. Acrescentou acreditar em diversos elementos do espiritismo e do budismo, enquanto também discordava de determinados aspectos do próprio catolicismo. Sua formulação foi bastante direta: “eu sou de Deus”. Para ela, mais importante que a filiação religiosa seria acreditar em Deus, no amor e manter a fé. Kogut
Esse depoimento permite caracterizar sua espiritualidade pública como plural e pouco dogmática. Convém ter cuidado com os rótulos. Xuxa não se declarou espírita nessa entrevista, pelo contrário, afirmou continuar ligada ao catolicismo. Entretanto, deixou claro que seleciona ideias de diferentes tradições segundo aquilo em que acredita. Aqui eu tomo nota, isso se chama UNIVERSALISMO intuitivo.
É um comportamento comum na espiritualidade brasileira contemporânea, embora no caso dela esteja documentado de maneira especialmente clara: existe uma religião de origem, mas a consciência religiosa não permanece fechada nos limites institucionais dessa religião.
UMA FÉ QUE TAMBÉM PASSOU POR CRISES
A espiritualidade de Xuxa fica mais humana quando ela relata seus momentos de enfraquecimento.
Na mesma conversa de 2020, falou sobre uma sequência muito dura de perdas familiares. Seu irmão, seu pai e sua mãe morreram em um período relativamente próximo, seguido ainda pela morte de um animal ao qual era ligada. Ao falar da morte da mãe, vítima de Parkinson, Xuxa admitiu que sua fé ficou abalada. Disse que a relação com Deus foi sendo recuperada posteriormente, inclusive com a ajuda de Sasha. Kogut
Esse ponto merece atenção. Pessoas religiosas algumas vezes são apresentadas como se uma fé verdadeira significasse ausência de dúvida, revolta ou crise. A experiência narrada por Xuxa indica algo diferente: ela acreditava em Deus, sofreu perdas, experimentou um enfraquecimento da fé e depois reconstruiu essa relação.
Visto apenas psicologicamente, trata-se de uma elaboração do luto. Visto religiosamente, pode ser entendido como uma crise e posterior recomposição da fé. Não precisamos escolher uma interpretação única.
EXPERIÊNCIAS QUE XUXA INTERPRETA COMO ESPIRITUAIS
Em entrevista às Páginas Amarelas da revista VEJA, em janeiro de 2021, Xuxa fez declarações ainda mais incomuns. Ao ser perguntada diretamente sobre sua fé, voltou a dizer que sua religião era Deus. Em seguida relatou ouvir, em determinadas circunstâncias, vozes que atribui a Deus ou a um anjo. Contou inclusive que já desistiu de viagens de avião depois de perceber internamente uma orientação para não embarcar. Na mesma entrevista declarou acreditar ter visto duendes e fadas. VEJA
É possível afirmar documentalmente que Xuxa relata essas experiências e atribui a elas significado espiritual. Não dispomos de meios para demonstrar, a partir de uma entrevista jornalística, qual seria a natureza objetiva dos fenômenos. Uma voz percebida internamente pode receber interpretações psicológicas, neurológicas, religiosas ou parapsíquicas diferentes. O pesquisador sério registra primeiro o fenômeno relatado e somente depois discute hipóteses.
Dentro do paradigma consciencial, experiências desse tipo poderiam levantar questões relativas a intuição, inspiração extrafísica, clariaudiência ou percepção parapsíquica. Seria precipitado concluir que qualquer uma dessas hipóteses está comprovada no caso de Xuxa, mas sabemos que estes dons são fisiológicos, ou seja, são capacidades naturais do ser humano e muitas pessoas as manifestam cotidianamente.
Há, contudo, um dado relevante: a espiritualidade que ela descreve não é exclusivamente intelectual. Ela afirma vivenciar experiências que considera espirituais. Isso diferencia sua posição da pessoa que simplesmente aceita intelectualmente a existência de Deus.
REENCARNAÇÃO E ABERTURA AO ESPIRITISMO
Outro elemento aparece numa entrevista concedida a Taís Araújo no programa Superbonita, do GNT, em 2021. Quando Taís perguntou como Xuxa gostaria de voltar numa outra encarnação, ela respondeu à pergunta aceitando naturalmente sua premissa. NaTelinha
Isoladamente, uma resposta desse tipo não permitiria montar uma doutrina pessoal da reencarnação. Quando, porém, é colocada ao lado da declaração de que Xuxa leu muitos livros espíritas e acredita em diversas ideias do espiritismo, surge uma coerência razoável. Kogut
Podemos dizer, portanto, que existem evidências públicas suficientes para afirmar que ideias reencarnacionistas fazem parte de seu universo espiritual. Seria exagerado ir além disso e classificá-la formalmente como espírita.
Curiosamente, a mesma entrevista com Taís Araújo também revela os limites de nossas próprias concepções idealizadas.
Ao falar de uma futura encarnação, Xuxa disse que gostaria de voltar com características físicas semelhantes às de Taís, uma mulher negra. Taís imediatamente introduziu uma dimensão que a fala de Xuxa não estava considerando: a experiência de ser negro em uma sociedade marcada pelo racismo não pode ser reduzida à admiração estética pela cor da pele ou pelo cabelo. A declaração de Xuxa foi criticada justamente por essa idealização. Exame
Não vejo utilidade em utilizar esse episódio para condená-la, nem em apagá-lo porque gostamos dela. Ele mostra uma limitação de percepção num assunto complexo. Evolução moral pressupõe também descobrir aspectos da realidade que anteriormente não percebíamos.
A ESPIRITUALIDADE TRANSFORMADA EM VALORES
Uma espiritualidade pode produzir belos discursos e permanecer completamente separada da conduta. No caso de Xuxa, existem algumas áreas em que encontramos continuidade entre valores declarados e comportamento público.
A defesa das crianças é a mais evidente.
Sua atuação contra violência física, abuso e exploração de crianças e adolescentes atravessa muitos anos. Em 2014, sua participação na mobilização em torno da chamada Lei Menino Bernardo chegou ao Senado, onde defendeu publicamente a educação de crianças sem violência. No mesmo período, participou no Palácio do Planalto da cerimônia de sanção da legislação que tornou hediondo o crime de exploração sexual de crianças, adolescentes e vulneráveis. Serviços e Informações do Brasil
Há aqui um valor moral bastante identificável: a vulnerabilidade de uma pessoa não reduz seus direitos e não autoriza o mais forte a violentá-la.
Essa preocupação adquire outra dimensão quando lembramos que Xuxa revelou publicamente ter sofrido abusos sexuais durante a infância e adolescência. Em seu documentário, ela voltou a falar sobre as marcas que essas experiências deixaram em sua vida adulta. gshow
Seria especulativo afirmar que toda a sua atuação posterior em defesa das crianças resulta diretamente desses abusos. O que podemos afirmar é que as duas realidades estão presentes em sua biografia: ela relata ter sido uma criança vulnerável que sofreu violência e, adulta, dedicou uma parte significativa de sua atuação pública à defesa de outras crianças vulneráveis.
OS ANIMAIS COMO EXTENSÃO DA ÉTICA
A relação de Xuxa com os animais também ultrapassou o terreno da simpatia.
Em entrevista de 2018 ao portal de Ana Maria Braga, ela explicou sua mudança alimentar relacionando-a diretamente ao sofrimento animal. Disse que havia deixado progressivamente diferentes tipos de carne e definiu sua motivação pela “paixão à vida e ao ser vivo”. Também deixou claro que não pretendia converter outras pessoas ou transformar sua escolha numa espécie de religião alimentar. Ana Maria Braga
Independentemente das discussões nutricionais ou filosóficas sobre veganismo, a motivação ética declarada está documentada: reduzir sua participação no sofrimento e na morte de animais.
Dentro de uma leitura consciencial, isso pode ser relacionado à expansão do círculo de consideração moral. A compaixão deixa de abranger apenas familiares, amigos ou seres humanos e começa a alcançar outras formas de vida sensível.
Entretanto, foi justamente a defesa dos animais que esteve na origem de um dos erros éticos públicos mais graves cometidos por Xuxa.
QUANDO A COMPAIXÃO POR UM GRUPO PRODUZIU INJUSTIÇA CONTRA OUTRO
Em março de 2021, durante uma conversa sobre direitos dos animais, Xuxa sugeriu que pessoas condenadas a longos períodos de prisão pudessem ser utilizadas em testes de medicamentos e vacinas, em substituição aos animais. A declaração provocou forte reação porque transformava um grupo humano privado de liberdade em instrumento experimental e desconsiderava princípios elementares de dignidade, consentimento e direitos humanos. F5 Folha
O episódio merece ser registrado sem suavização. A ideia era eticamente indefensável.
Mas a sequência também importa.
Poucas horas depois, Xuxa publicou um pedido público de desculpas. Não tentou sustentar a posição original nem simplesmente acusou os críticos de interpretá-la mal. Reconheceu que havia julgado e maltratado enquanto pretendia falar contra maus-tratos. Disse expressamente que as pessoas que a criticaram estavam certas e que ela havia errado. UOL Notícias
Do ponto de vista do amadurecimento moral, esse segundo momento é tão interessante quanto o primeiro.
Uma pessoa pode construir durante décadas uma imagem associada à proteção, ao amor e à compaixão e ainda cometer um erro ético sério. Valores não eliminam pontos cegos. O que acontece depois do erro também revela alguma coisa sobre a pessoa: justificar, negar, transferir culpa, esconder ou reconhecer.
Xuxa reconheceu.
Isso não apaga a declaração. Também não seria correto utilizar uma declaração infeliz como resumo moral de uma trajetória inteira.
LIBERDADE E RESPONSABILIDADE SOBRE A PRÓPRIA VIDA
Outra mudança perceptível em Xuxa ao envelhecer é o crescimento da autonomia.
Na entrevista à VEJA em 2021, ela revisitou períodos em que permitiu que outras pessoas controlassem fortemente sua carreira e aspectos de sua vida pessoal. Ao falar desse passado, não se apresentou apenas como vítima: afirmou que havia permitido parte daquela situação e reconheceu sua própria participação naquela dinâmica. VEJA
Em 2024, ao fazer um balanço da vida, declarou ao Gshow que considerava a liberdade sua maior conquista. Também associou bem-estar espiritual a bons pensamentos, fé em Deus, tentativa de oferecer o melhor aos outros e menor disposição para julgar a vida alheia. gshow
Há uma mudança interessante quando colocamos essas declarações em sequência. A Xuxa jovem tornou-se uma das pessoas mais famosas do país enquanto grande parte de sua imagem e de suas decisões profissionais era administrada por terceiros. A mulher madura passou a enfatizar liberdade, voz própria, limites pessoais e responsabilidade por aquilo que escolhe defender.
Isso não significa que tenha chegado a algum ponto final de evolução. Nenhum ser humano chega. Significa apenas que ela própria reconhece diferenças importantes entre quem foi e quem passou a ser.
UMA ESPIRITUALIDADE UNIVERSALISTA?
Se utilizarmos a palavra em sentido amplo, existem fortes elementos universalistas na espiritualidade de Xuxa.
Ela veio do catolicismo, conservou referências cristãs, lê literatura espírita, declara concordar com aspectos do espiritismo e do budismo, respeita pessoas do meio evangélico e, ao mesmo tempo, rejeita a necessidade de restringir Deus a uma denominação religiosa. Kogut
Seu eixo parece estar menos numa teologia sistematizada e mais em alguns princípios simples: Deus, amor, fé, gratidão, vida, compaixão e respeito.
É possível perceber também uma espiritualidade bastante intuitiva. Xuxa não apresenta uma teoria sofisticada sobre consciência, multidimensionalidade ou evolução espiritual. Suas falas são espontâneas e frequentemente afetivas. Ela acredita, sente, relata experiências, incorpora ideias de tradições diferentes e tenta aplicá-las à vida.
Esse perfil possui virtudes e riscos. A liberdade espiritual favorece abertura e tolerância, mas também pode levar a misturas conceituais sem grande aprofundamento. A intuição pode ampliar a percepção, mas também pode enganar. Experiências pessoais podem ser muito significativas para quem as vive sem, por isso, adquirirem automaticamente valor de prova para os outros.
Uma abordagem consciencial equilibrada precisa reconhecer os dois lados.
XUXA SEM SANTIFICAÇÃO
Há uma tendência humana de exigir coerência absoluta das figuras que admiramos. Quando encontramos qualidades, queremos que todas as demais características confirmem nossa admiração. Quando aparece uma falha séria, algumas pessoas fazem o movimento contrário e passam a negar tudo o que havia de positivo.
A vida real raramente funciona desse modo.
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Ken Wilber observou algo semelhante ao analisar a maneira como idealizamos mestres e personalidades espirituais. Muitas vezes imaginamos que alguém evoluído deveria ser quase uma “cabeça que fala”: sem ego, desejos, necessidades, conflitos, sexualidade, dinheiro, relacionamentos ou contradições humanas. Para Wilber, isso é um equívoco. Transcender a identificação com o ego não significa deixar de possuir personalidade ou necessidades humanas. O sábio não seria “menos que uma pessoa”, mas “mais que uma pessoa”: a dimensão humana permanece, acrescida de uma abertura transpessoal.
Esse mecanismo de idealização não se limita aos gurus. Também pode aparecer quando admiramos artistas, médiuns, escritores ou qualquer personalidade pública. Primeiro retiramos deles o direito à contradição humana, depois, quando descobrimos uma falha, sentimos que toda a imagem anterior era falsa. Talvez o erro esteja justamente nessa expectativa inicial de perfeição.
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Xuxa apresenta uma trajetória extensa de defesa de crianças, animais e grupos vulneráveis. Demonstra religiosidade persistente, abertura inter-religiosa e uma concepção de Deus fortemente relacionada ao amor. Também relata experiências que interpreta como espirituais e demonstra familiaridade com ideias espíritas e reencarnacionistas. Essas coisas estão documentadas. Revista Quem
Ao mesmo tempo, cometeu erros públicos. Algumas falas mostraram simplificações, preconceitos não percebidos ou falhas importantes de julgamento. Pelo menos em episódios relevantes, também houve capacidade de ouvir críticas, reconhecer o erro e rever publicamente a própria posição. UOL Notícias
Talvez seja justamente aí que sua trajetória se torne mais interessante para um estudo sobre consciência.
Evolução não significa apresentar uma biografia sem manchas. Uma biografia assim provavelmente seria propaganda.
O que podemos observar em Xuxa é uma pessoa submetida desde muito jovem a fama extraordinária, dinheiro, poder, exploração comercial, relações pessoais complexas, perdas, abusos, críticas e milhões de olhares. Dentro desse percurso surgiram erros importantes, mas também ações sociais mantidas durante décadas, revisão de valores, maior autonomia e uma espiritualidade que parece ter se tornado menos institucional e mais pessoal com o passar dos anos.
UMA LEITURA CONSCIENCIAL
A partir deste ponto entramos deliberadamente no campo interpretativo. As afirmações anteriores podem ser verificadas documentalmente, a leitura seguinte pertence ao paradigma consciencial.
Sob essa ótica, alguns aspectos da trajetória de Xuxa chamam atenção. A primeira é a ampliação progressiva do círculo afetivo. Crianças, pessoas vulneráveis, animais, diferenças humanas e liberdade aparecem repetidamente entre suas preocupações. Não sabemos os bastidores conscienciais ou kármicos de sua existência, e seria irresponsável inventá-los. Podemos, contudo, observar a manifestação exterior desses valores.
Também encontramos possíveis indícios de sensibilidade parapsíquica em experiências que ela própria relata. Ouvir orientações internas, perceber presenças e aceitar naturalmente conceitos como reencarnação são dados compatíveis com uma consciência aberta à multidimensionalidade. Compatibilidade, entretanto, não significa comprovação.
Outro aspecto talvez seja ainda mais importante: a capacidade de reciclagem consciencial.
A evolução consciencial não pode ser medida apenas pelas convicções corretas que alguém já possui. Também importa o que a consciência faz quando descobre que estava errada. Uma consciência rígida protege a própria imagem. Uma consciência em processo de amadurecimento consegue, algumas vezes, suportar a desagradável percepção de sua própria incoerência e modificar-se.
Xuxa não demonstra isso em todos os episódios nem precisamos idealizá-la. Mas existem exemplos públicos concretos dessa revisão.
Aos 63 anos, sua trajetória permite enxergar uma mulher muito diferente daquela jovem que entrou na televisão brasileira. Permanecem características antigas — a afetividade, a relação com crianças, os animais, a crença em Deus —, enquanto outras foram sendo reconsideradas à medida que sua autonomia aumentou e suas experiências se acumularam.
É provavelmente aí que reside o aspecto espiritual mais interessante de Xuxa Meneghel. Não precisamos transformá-la em santa, médium ostensiva, mestre espiritual ou modelo moral perfeito. Ela nunca se apresentou dessa maneira.
O que existe, documentalmente, é uma mulher que acredita em Deus, admite dúvidas, lê sobre outras religiões, aceita a reencarnação, relata experiências espirituais, demonstra compaixão em diversas áreas, comete erros, reconhece pelo menos alguns deles e continua revendo a própria vida.
Para uma abordagem consciencial séria, isso já é material suficiente.
E talvez seja mais valioso estudar uma consciência humana assim, em movimento, do que inventar perfeições que nunca existiram.

