ESPIRITUALIDADE FAST-FOOD OU DE FIM DE SEMANA

ESPIRITUALIDADE FAST-FOOD OU DE FIM DE SEMANA

Falar em espiritualidade é tratar de evolução da consciência. Pode chamar como quiser: religião, ciência, filosofia, doutrina, sistema, seita, versão reformulada disso ou daquilo — tanto faz o rótulo. O que importa é o conteúdo, a coerência e a seriedade. E nisso, o mundo anda carente.

Vivemos num planeta marcado por sofrimento, desigualdade, violência e fome. Nesse cenário, a transformação consciencial do indivíduo não é luxo, é urgência. Quando um ser humano melhora, contribui energeticamente para o todo. A Terra não vai se curar sozinha — depende da consciência de cada um de nós.

Num mundo viciado em materialismo, egocentrismo, vaidade, orgulho e fanatismo, o mínimo que se espera de quem se diz espiritualista é lucidez, exemplo e postura. Mas não é o que vemos por aí.

Há uma epidemia de “espiritualidade de fim de semana”. Gente que trata o autoconhecimento como entretenimento esotérico, misticismo fast-food ou clube social para se sentir incluído. Não há compromisso real com a evolução, só curiosidade superficial, consumismo de cursos rápidos e a ânsia por títulos e rótulos que elevem o ego, mas não o espírito.

Enquanto isso, reencarnações são desperdiçadas. O tempo passa, as oportunidades escorrem pelo ralo da alienação e do comodismo. O que não se enfrenta agora, vira débito kármico depois. E a conta vem. Sempre.

Frequentar eventos sobre “anjos”, “apometria mágica”, “espiritualidade celestial de boutique”, etc., sem compromisso real com reforma íntima e responsabilidade assistencial, é ilusão. Pura distração do ego. Alguns acham que com meia dúzia de cursos e técnicas bioenergéticas já estão prontos para ensinar, curar ou “vibrar luz para o mundo”. Mas falta-lhes o básico: intenção reta, autocrítica e coerência.

A vibração que emitimos não depende da técnica, e sim do caráter. A energia que você movimenta é moldada pela intenção. Intenção atrai companhia: ou obsessores e sofrimento, ou amparadores e esclarecimento. Não adianta enfeitar o discurso se o coração vibra vaidade e manipulação.

A internet está cheia de coisas boas, mas também de bizarrices. A banalização do sagrado virou moda. Há de tudo: “qual o nome do seu anjo?”, “como atrair a alma gêmea com sal grosso?”, “mandinga para afastar olho gordo”, “cristais como guarda-costas espirituais”… Isso é espiritismo de camelô, misticismo néscio disfarçado de iluminação.

É preciso separar o joio do trigo: diferenciar ciência espiritual séria de modismos superficiais, separar lucidez de devaneio. Nem o misticismo deslumbrado da New Age, nem o cientificismo frio e arrogante da academia cartesiana são suficientes. O caminho está no meio: com discernimento, pesquisa honesta, e uma espiritualidade desapaixonada, livre de dogmas.

Sentir seu amparador é natural. Inventar nomes de “anjinhos” e construir rituais vazios é fantasia. Usar cristais com sabedoria energética é válido. Usá-los como fetiche mágico contra o “mal” é infantil.

Vivemos numa época de escritores vazios, que empacotam lixo místico para vender bem entre os despreparados. O mercado sabe: quanto mais rasa a informação, maior o público. E se o público tem pouco senso crítico, vai consumir qualquer porcaria com embalagem espiritualizada.

Livros bons não vendem porque exigem do leitor reflexão, esforço e confronto com suas sombras. Livros ruins vendem porque massageiam o ego e oferecem promessas baratas de evolução sem esforço. Enquanto isso, a sociedade dança no ritmo dos chakras inferiores: sexualidade banalizada (chacra básico) e consumismo ansioso (chacra umbilical).

Festas, churrascos e cervejas têm seu lugar. Ninguém está propondo abstinência nem cara fechada. Mas há prioridades. E a consciência — essa sim — costuma ser deixada para o final da fila. Não é preciso virar monge, mas separar tempo e foco para estudar a vida com profundidade. Ter tempo para refletir, silenciar, sentir, revisar posturas e mudar.

Menos revistas vazias, mais livros com conteúdo. Menos programas alienantes, mais escolhas com valor. Menos gente tóxica e mais amizades com sentido. Mais profundidade, menos aparência.

O sagrado está sendo profanado todos os dias. Tudo virou banal. Tudo é permitido, tudo é justificado. Relativiza-se até o que é injustificável. E isso não é moralismo — é fato.

Não estamos aqui para dar lição de moral. Não queremos moldar ninguém. Só queremos provocar reflexão. Cada um tem seu caminho, sua história e suas dores. Mas precisamos admitir: o mundo está perdido não por falta de fé, mas por falta de consciência.

Vemos crianças erotizadas na TV, pornografia ao alcance de todos, culto ao corpo em vez de ao caráter. A inteligência virou artigo secundário. A consciência virou luxo. O vulgar se tornou norma. A mediocridade virou padrão.

Não estamos condenando o erotismo sadio, o amor de casal, o prazer legítimo. Mas sim a vulgarização da alma, o vazio embalado como liberdade. As religiões, por um lado, condenam tudo como “pecado”. A sociedade, por outro, normaliza o caos como “expressão individual”. Nenhum dos dois serve.

Não espero milagres. Espero consciência. Não deposito minha esperança em políticos, pastores, gurus ou salvadores. A mudança começa em mim. E em você.

Ninguém salva ninguém. Ninguém condena ninguém. Somos causa e efeito de nós mesmos. Cada pensamento, cada emoção, cada escolha molda o agora e o depois. Karma não é castigo — é espelho.

Não acredito em fórmulas prontas, gurus infalíveis, líderes espirituais com aura de marketing. Acredito na consciência humana, quando lúcida e honesta consigo mesma. Acredito na evolução como destino inevitável. E sei que só chegarei lá se encarar minhas sombras, meus erros, meus medos. Inclusive os que não percebo.

Sou Dalton Campos Roque. Espiritualista sério. Autista assumido. Vivo com um karma negativo real e duro, que me acompanha diariamente. Produzo materiais originais e profundos (Produtos e Cursos – https://cursos.consciencial.org – Livros impressos1 – https://clube.consciencial.org  – E-books – https://ebook.consciencial.org). Não sigo modismos. Não caio em anestesias espirituais. E sei que um dia terei que encarar, sozinho, o tribunal da minha própria consciência.

Nem Deus, nem Buda, nem Krishna, nem Jesus poderão me livrar de mim mesmo. O que posso fazer — e faço — é me encarar, me trabalhar e me transformar. Isso sim, traz paz. Isso sim, é espiritualidade.

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