ABSOLUTAMENTE GRAÇA RAZERA

ABSOLUTAMENTE

Absolutamente – Por Graça Razera – Psicóloga e escritora

Quero voar tão alto, longe e distante quanto meu pensamento possa me levar e assim sobrepairar as paixões e ódios, inveja e cobiça, futilidade e vaidade, frutos de incompreensões.

Quero ter o poder de manter – nos limites do meu coração – todo amor de um continente protegido numa glacial serenidade.

Quero sair da multidão e alcançar o ponto mais alto do arranha-céu edificado pelos momentos da mais dura e concreta solidão.

Quero chegar ao terraço para sentir a plenitude de estar acompanhada por mim mesma, sem lastimar a ausência de ninguém mais, além de mim.

Para que lá de cima, minha alma possa transmutar-se ao vento em páginas escritas com meu próprio sangue, síntese da vida, da vida que escolhi viver.

Uma vida em que me tornei soberana: livre de sua origem e livre do ciclo vital.

Livre das cicatrizes de uma infância aprisionante, limitada por arames farpados, tal qual um cão de guarda ou gado de corte, que ultrapassei por desespero, não por coragem.

Livre das cicatrizes de espinhos de pseudo-ninhos que me iludi em pertencer.

Livre, porque no terraço da mente não há limites para sonhar e para pensar.

Ao menos – dentro de mim – serei edificantemente absoluta.

Graça Razera


Dalton Campos Roque
Artífice de palavras e desvelador de abismos. Médium das letras que transita entre o ácido e o sublime. Engenheiro de "pontes" que ligam o visível ao inefável. Projetor e pesquisador do astral, cultiva um jardim de paradoxos, onde florescem humor e transcendência. Meus livros são portais — alguns levam ao sótão da alma, outros às catacumbas do riso. Costumo dizer que “escrever é o último exorcismo antes do amanhecer”.

Autor de dezenas de obras independentes — cinco sobre informática, uma sobre autopublicação e o restante sobre espiritualidade e consciência, sem religião.

Engenheiro Civil, pós-graduado em Educação em Valores Humanos (Sathya Sai Baba) e em Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia. “Me ame quando eu menos merecer, pois é quando mais preciso.”

E um lembrete: todo texto, crítica ou alerta que escrevo serve, antes de tudo, para mim mesmo.

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