NÃO QUERO PERDÃO, QUERO SERVIÇO DE REDENÇÃO

NÃO QUERO PERDÃO, QUERO SERVIÇO DE REDENÇÃO

 

Ah, a consciência…
Ah, o ego…
Ó, conflito…
Culpa, ansiedade, medo… e pressa.

Descobrir a inexorabilidade das leis naturais — e aceitá-las — é como cravar uma lâmina no próprio peito da alma. Alma errante, desnudada diante do espelho do auto enfrentamento, sem mais rotas de fuga.

A ânsia de se livrar da culpa transforma o ego em um fugitivo apressado: “preciso evoluir logo!”
Mas a consciência não dança conforme o tic-tac do relógio humano.
Seu compasso é outro — milimétrico, silencioso e eterno.
E só há um caminho legítimo: o serviço consciente de reparação,
a devolução integral do que foi distorcido nas horas-vazias da insensatez.

Não, não dramatizo.
Não imploro compaixão.
Nem você sente minha dor, nem caminhou sobre minhas pegadas partidas.
Você ri da consciência alheia, zombando da dor que denuncia lucidez,
enquanto se orgulha de sua anestesia emocional e da inércia confortavelmente normótica.

Você se diz livre, bem-resolvido, vive de prazeres —
e aponta os outros como doentes, frágeis, “problemáticos”.
Mas eu não estou aqui para te convencer.
Estou ocupado despertando — pelo bem do serviço e pelo mal da dor. Ao mesmo tempo.

Talvez minha dívida seja mais densa que a tua.
Talvez eu tenha me afastado demais do eixo.
Por isso, agora, ajo com firmeza para devolver o que subverti:
honra, dignidade, valores, vidas.

Não quero perdão.
Não o mereço — ainda.
Quero, sim, quitar.
Com juros e correção monetária consciencial.
E só então, com a alma limpa e o olhar erguido, poderei te encarar
com a verdade no rosto e o coração em paz.

Sou um mendigo do karma…
mas um bilionário do despertar.
Arrasto meus grilhões não como punição,
mas como exercício de força moral,
na esperança de, um dia, poder caminhar ereto sob a luz
que emana daqueles que vieram antes de mim,
os que aprenderam a servir — e servindo, se elevaram.

Que minhas lágrimas se convertam em trabalho silencioso,
que minha dor se transmute em serviço útil,
e que minhas quedas sirvam de impulso para os que vêm depois,
sedentos de saber, famintos de ser.

Porque o que me foi revelado “do alto” não é privilégio,
mas tarefa.

Sou Dalton Campos Roque,
correndo na frente do prejuízo — para que ele não me alcance.

Nota do autista:
sabe o que me salvou, mesmo quando tudo desmoronava?
Meu eterno bom humor — sem moralismo.

Te espero lá.
Na rua do eterno, esquina da consciência, quebradas do astral.

Muita Paz Consciencial, Luz Espiritual e Amor Universal.
Consciencial.org – @Consciencial

 


Dalton Campos Roque
Artífice de palavras e desvelador de abismos. Médium das letras que transita entre o ácido e o sublime. Engenheiro de "pontes" que ligam o visível ao inefável. Projetor e pesquisador do astral, cultiva um jardim de paradoxos, onde florescem humor e transcendência. Meus livros são portais — alguns levam ao sótão da alma, outros às catacumbas do riso. Costumo dizer que “escrever é o último exorcismo antes do amanhecer”.

Autor de dezenas de obras independentes — cinco sobre informática, uma sobre autopublicação e o restante sobre espiritualidade e consciência, sem religião.

Engenheiro Civil, pós-graduado em Educação em Valores Humanos (Sathya Sai Baba) e em Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia. “Me ame quando eu menos merecer, pois é quando mais preciso.”

E um lembrete: todo texto, crítica ou alerta que escrevo serve, antes de tudo, para mim mesmo.

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