E SE AMANHÃ FOU MEU ÚLTIMO DIA DE VIDA

E SE AMANHÃ FOR MEU ÚLTIMO DIA DE VIDA?

Todas as manhãs, ao abrir os olhos, respiro fundo e me pergunto: “E se esta for minha última experiência física neste plano?” Não por morbidez, mas por lucidez consciencial. Essa pergunta — tão simples quanto poderosa — é uma chave que me reconecta com a essência do viver com presença, gratidão e sentido.

Relembrar a transitoriedade do corpo e da matéria me liberta do apego às mágoas e às futilidades do ego. Se este dia for meu último nesta dimensão, que ele seja pleno de significados, não de repetições automáticas. Que minha escolha seja pelo amor ao invés da crítica; pela escuta em vez da pressa; pela ternura no lugar da intolerância. Que o silêncio seja mais sábio que a acusação, e a compreensão mais nobre que o orgulho ferido.

Rejeito a superficialidade de uma vida ocupada e sem propósito. Prefiro a leveza de uma jornada onde cada gesto pode ser uma oferenda ao Todo: um sorriso espontâneo, uma palavra curativa, uma presença real diante do outro. Se este corpo cair ao fim do dia, que minha consciência parta em paz por ter tentado ser ponte, e não muro; farol, e não sombra.

Abraço, danço, estudo, erro, perdoo, agradeço. Vibro com cada aprendizado, mesmo aqueles que chegam através da dor. Honro os acertos e os desacertos como partes de um mesmo caminho de lapidação do ser. Afinal, o que conta no juízo da consciência não é o tempo que duramos, mas a qualidade com que vibramos.

Se for hoje minha passagem, que eu parta como quem cumpriu — ou ao menos tentou cumprir — sua pequena missão neste grande palco chamado Terra. E que meu último suspiro carregue o perfume da gratidão, e não o peso do arrependimento.

Dalton Campos Roque – @Consciencial – Consciencial.Org


Dalton Campos Roque
Artífice de palavras e desvelador de abismos. Médium das letras que transita entre o ácido e o sublime. Engenheiro de "pontes" que ligam o visível ao inefável. Projetor e pesquisador do astral, cultiva um jardim de paradoxos, onde florescem humor e transcendência. Meus livros são portais — alguns levam ao sótão da alma, outros às catacumbas do riso. Costumo dizer que “escrever é o último exorcismo antes do amanhecer”.

Autor de dezenas de obras independentes — cinco sobre informática, uma sobre autopublicação e o restante sobre espiritualidade e consciência, sem religião.

Engenheiro Civil, pós-graduado em Educação em Valores Humanos (Sathya Sai Baba) e em Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia. “Me ame quando eu menos merecer, pois é quando mais preciso.”

E um lembrete: todo texto, crítica ou alerta que escrevo serve, antes de tudo, para mim mesmo.

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