DIÁRIOS DE UM AUTOR INVISÍVEL 1 - O silêncio que responde quando nenhuma palavra basta

DIÁRIOS DE UM AUTOR INVISÍVEL 1 – O silêncio que responde quando nenhuma palavra basta

Há silêncios que doem mais do que qualquer crítica.
Silêncios que ecoam em prateleiras vazias, em mensagens não respondidas,
em lançamentos que caem como folhas em um pátio abandonado.

Eu os conheço bem.
São os silêncios que acompanham o autor que escreve não para agradar,
mas para revelar.
E o que se revela — quando é verdade — costuma incomodar ou passar despercebido.

Minhas palavras foram costuradas com lucidez,
e o tecido final nunca foi feito para a vitrine:
foi feito para cobrir consciências nuas que ainda não sabem que estão expostas.

Escrevo porque algo em mim arde.
E quando termina o livro, o que sobra não é alívio,
é um vazio cheio de ecos que ninguém escuta —
exceto aquele silêncio denso que parece murmurar:
continue.

É esse silêncio que me responde quando nenhuma palavra basta.
Quando não há retorno, nem aplauso, nem número,
nem gráfico, nem algoritmo, nem “parabéns pelo engajamento”.

O silêncio, esse velho mestre,
me recorda que há livros que não foram feitos para agora.
Foram escritos para outro tempo, talvez para outros seres,
ou para que, ao menos uma alma — em alguma existência — os encontre
e diga: era isso que eu precisava ler, mas o mundo me oferecia distrações.

Aceito esse destino como quem aceita um sacerdócio.
Não por resignação, mas por coerência.
Eu sei o que carrego. E mesmo invisível, sigo.

Porque entre vender ilusões e escrever o que dói,
eu escolho o que dói.
Porque é ali que mora a cura.

Dalton Campos Roque – @Consciencial – Consciencial.Org


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