AS FLORES DA ALMA

AS FLORES DA ALMA

Aquelas flores reluziam uma suave aura branca.

Eram como prismas de vidro que refratavam as sete cores do arco-íris em todas as direções.

Seu odor se ampliava como que por mágica, impregnando os olfatos.

 

De repente, uma gota de lágrima respinga por sobre aquele lindo fulgurante copo de leite (flor).

O olhar fixo em sua direção, embalava os devaneios da alma daquela senhora.

Envolvido de brilho e perfume, deixara se hipnotizar por aquela energia impessoal pelo qual Deus nos abençoa a todos, em todos os dias.

 

O coração de dona Maria apertava.

Enquanto muitos abastados desperdiçavam em suas mesas e cozinhas, ela não tinha com que alimentar seus filhos.

 

Enquanto as indústrias fabricavam bens de consumo em série transformando seus funcionários em robôs, ela nem tinha fogão a gás.

Mas profundos são os mistérios de Deus.

Uma mão em seu ombro direito a surpreendeu por trás.

 

Acordava de seu devaneio de dor, que clamava humilde por uma vida melhor.

Ao se virar para trás, viu uma alma boa a lhe oferecer uma cesta básica.

Dona Ana, que morava na casa cujo jardim hipnotizara o coração carente de Maria, parecia que fazia parceria com as flores.

 

Suas plantas tratadas com amor tinham o dom de hipnotizar os carentes sinceros.

 

Esta é uma história de dois jardins.

Havia um jardim na entrada daquele lindo sobrado e havia outro no coração de Dona Ana.

São flores que amam as flores.

Estas são as flores que precisamos cultivar na alma.

 


Dalton Campos Roque
Artífice de palavras e desvelador de abismos. Médium das letras que transita entre o ácido e o sublime. Engenheiro de "pontes" que ligam o visível ao inefável. Projetor e pesquisador do astral, cultiva um jardim de paradoxos, onde florescem humor e transcendência. Meus livros são portais — alguns levam ao sótão da alma, outros às catacumbas do riso. Costumo dizer que “escrever é o último exorcismo antes do amanhecer”.

Autor de dezenas de obras independentes — cinco sobre informática, uma sobre autopublicação e o restante sobre espiritualidade e consciência, sem religião.

Engenheiro Civil, pós-graduado em Educação em Valores Humanos (Sathya Sai Baba) e em Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia. “Me ame quando eu menos merecer, pois é quando mais preciso.”

E um lembrete: todo texto, crítica ou alerta que escrevo serve, antes de tudo, para mim mesmo.

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