Fora da Justiça Social, não há salvação possível para o espírito coletivo.
Não porque falte o mérito individual, mas porque a redenção de uma civilização se mede pelo cuidado com seus últimos e mais esquecidos integrantes.
Sem equidade de direitos, não há civilização, apenas um pacto de conveniências travestido de ordem.
Onde a lei protege uns e condena outros à margem, o tecido social se corrompe, e a própria ideia de humanidade comum se esvai como névoa ao sol.
Se todos não defendem o direito de todos, o dinamismo da evolução consciencial se esteriliza.
Porque a consciência não amadurece no isolamento, mas no confronto fraterno com a alteridade, e todo avanço que não seja compartilhado é apenas um deslocamento de privilégios.
O materialismo, em si mesmo neutro como a ferramenta, tornase nefasto quando a distribuição da riqueza ignora a justiça.
Acumular sem partilhar não é riqueza, é sepulcro de possibilidades, e o prazer solitário do ter, quando há quem nada tenha, é o princípio da anestesia moral.
Uma sociedade onde a renda não flui com equidade e humanidade não superou, em essência, a lógica escravagista.
Mudase o nome das algemas, modernizamse os mecanismos de domínio, mas o espírito permanece o mesmo: o privilégio de poucos construído sobre a penúria de muitos. Civilização sem justiça distributiva é apenas um arremedo polido de barbárie.
Ramatis, por Dalton Campos Roque
Justiça | Civilização | Apenas | Social | Espírito | Equidade | Humanidade | Riqueza | Salvação | Possível
Autor de dezenas de obras independentes — cinco sobre informática, uma sobre autopublicação e o restante sobre espiritualidade e consciência, sem religião.
Engenheiro Civil, pós-graduado em Educação em Valores Humanos (Sathya Sai Baba) e em Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia. “Me ame quando eu menos merecer, pois é quando mais preciso.”
E um lembrete: todo texto, crítica ou alerta que escrevo serve, antes de tudo, para mim mesmo.
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