Introdução
Você quer um uso consciente do idioma: português quando ele diz melhor, empréstimo estrangeiro apenas quando for técnico, inevitável ou já consagrado. A seguir, um artigo direto com critérios práticos, uma sátira poética “poluída” de estrangeirismos e a versão reescrita em português para mostrar o contraste. Fecho com roteiro de uso responsável e um chamado público à Academia Brasileira de Letras, além de uma defesa explícita de nossas festas e mitos, de Cosme e Damião ao Saci e ao Curupira.
Por que preservar o português
O idioma é forma de consciência. Ele organiza pensamento, dá precisão, cria imagens e sustenta o imaginário local. Ao escrever em português quando há termo claro e expressivo, o autor reforça a experiência brasileira, amplia o repertório do leitor e evita a fumaça do modismo.
Quando o estrangeirismo faz sentido
a) Termo técnico sem equivalente preciso em português, como nomes de padrões, protocolos, conceitos científicos.
b) Títulos, marcas e citações diretas.
c) Casos de consagração de uso em que o leitor comum entende sem ruído.
Sempre que possível, explique no primeiro uso de modo breve.
Quando o estrangeirismo empobrece
a) Para “parecer moderno”, sem ganho de sentido.
b) Quando existe termo português direto e forte.
c) Em slogans vazios que ocultam a falta de ideia.
Nesses casos, o empréstimo vira ruído e trai a inteligência do leitor.
Nota consciencial
A palavra carrega energia e intenção. Escolher a língua com lucidez é gesto cosmoético, reduz vaidade, serve ao leitor e amplia discernimento. Clareza antes de ornamento.
Crítica construtiva à Academia Brasileira de Letras
A ABL tem história e acervo, porém precisa agir mais no cotidiano do idioma. Propostas objetivas:
a) Campanhas públicas contínuas, com materiais abertos para escolas e redes.
b) Prêmios anuais a autores e veículos que unam clareza, beleza e precisão.
c) Glossários vivos e colaborativos de equivalentes em português para termos correntes.
d) Parcerias com plataformas digitais para destacar bom uso do português e conter modismos pasteurizados.
Cultura é chão: Cosme e Damião, Saci e Curupira
Em vez de importar pacotes culturais prontos como Halloween, fortaleçamos nossas tradições. Celebrar Cosme e Damião, Saci, Curupira, Bumba meu boi, Pastoril, é soberania afetiva, não isolamento. Receber o novo, sim, sem dissolver quem somos.
Roteiro prático para autores
a) Se o português diz com igual ou maior precisão, use português.
b) Se usar termo estrangeiro, explique no primeiro uso, quando preciso.
c) Corte modismos que funcionem como muleta de estilo.
d) Em literatura, priorize a palavra que cria imagem.
e) Mantenha glossário do projeto para consistência.
f) Revise caçando empréstimos supérfluos, clareza primeiro.
Poema-sátira: “pitch, hype & vibe”
Fiz um teaser no meu feed com um mood super clean,
postei o trailer do book, chamei no direct o meu team.
Rolou um networking com um coach very premium,
com um briefing e um roadmap para o meu brand ficar mainstream.
No meeting rolou um brainstorming bem hands-on,
o keynote foi top, com insight e um touch de common sense.
Fechamos o setup do launch com uma copy full attention,
e um call to action friendly, com deadline e feedback intense.
No after, fiz um coffee break com vibe minimal,
selfie no stories, hashtag trend, playlist chill.
O plot twist do meu storytelling ficou viral,
deu like, deu share, deu reach, e eu? Fiquei sutil.
Mas o meu core ainda pede um upgrade de feeling,
um reboot na alma, um design thinking no peito.
Porque, no final, sem o look and feel do healing,
fica um lifestyle sem chão, todo conceito.
Poema reescrito: “Ofício da palavra”
Anunciei, sem alarde, a primeira faísca,
e deixei que a imagem dissesse o que podia.
Chamei meus parceiros de ofício para a roda
e, com um fio de mapa, abrimos caminho.
Na conversa, cada um ofereceu o que sabia,
e as ideias vieram como chuva de verão,
rápidas, quentes, necessárias.
Escolhemos passos, prazos, modos de fazer,
com palavras que cabem na palma da mão.
Depois, um café, um riso, um silêncio.
O enredo ganhou assombro,
e a canção encontrou a nota certa.
Houve quem aplaudisse, quem partilhasse,
mas o que ficou foi chão de verdade.
No fim, o coração pediu mais fundo,
renovar o fôlego, aparar o orgulho,
escutar o que a língua diz quando cala.
Então entendi, escrever
é voltar para casa com a palavra.
Considerações finais
Defender o português não é fechar portas, é maturidade criativa. Emprestamos termos quando há ganho real, explicamos quando for útil e confiamos na nossa língua para pensar, sentir e criar. A ação institucional importa, a ABL pode liderar, porém a virada começa na página, palavra a palavra.
Português | Palavra | Termo | Leitor | Idioma | Brasileira | Cosme | Damião | Curupira | Precisão
comunicação clara | Cosme e Damião | cosmoética da linguagem | crítica à ABL | cultura brasileira | Curupira | defesa do português | estrangeirismos úteis | ética do idioma | glossário vivo | identidade cultural | linguagem literária | modismos linguísticos | poesia em português | precisão vocabular | roteiro para autores | Saci | soberania afetiva | tradição e contemporaneidade | uso consciente do léxico

