QUANDO OS ANJOS CHORAM...

QUANDO OS ANJOS CHORAM…

Quando os anjos choram…

Por Dalton C. Roque –

Quando os anjos choram,
não é por fraqueza.
É porque alguém calou o coração
num grito seco de mágoa antiga.
Eles sussurram com luz,
mas há ouvidos selados por orgulho,
e há almas que trancaram a porta do peito
com chaves de ressentimento.

Quando os anjos choram,
a Terra estremece em silêncio,
e um perfume de saudade paira no ar
como um eco de tudo que poderíamos ser
se deixássemos de julgar tanto
e amássemos um pouco mais.

Eles não batem nas portas do ego,
esperam — pacientemente —
que um suspiro de arrependimento
seja a senha secreta para reentrar.

Mas poucos escutam.

Só os que sofrem com sinceridade,
os que choram com humildade,
os que se sentem pequenos diante do Universo
e grandes apenas no amor.

Sim, quando fico triste,
há algo em mim que se alarga,
como se o peito se tornasse céu
e, nesse vazio estrelado,
os anjos voltam.

E não dizem nada…

Apenas me envolvem
com um abraço que não tem braços,
um calor que não tem fogo,
uma voz que não tem som,
mas que me reconstrói.

Não há oração mais poderosa
do que o silêncio de um ser que se rende.
Não há música mais divina
do que o perdão oferecido
sem exigência de volta.

Quando os anjos choram,
é porque esperam por nós.
E mesmo com as lágrimas,
ainda sorriem…
porque sabem que um dia
nós também seremos luz.
E aprenderemos a ouvir
aquilo que nunca foi dito —
mas sempre foi sentido.


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