O ERRO DOS OUTROS E SEU JULGAMENTO

O ERRO DOS OUTROS E SEU JULGAMENTO

O ser humano tem o ímpeto natural de julgar, não há controle, é instintivo. Isto vem dos ancestrais da espécie humana, desde a pré-história, desde o Homo Erectus que habitou a Ásia, e se repete em todos os animais em graus variados, afinal é questão de sobrevivência. Estes animais, inclusive os primeiros esboços dos seres humanos tinham que ficar vigiando, analisando o ambiente a sua volta e quaisquer outras formas de vida, que pudessem ameaçá-lo. Ele vivia com medo e tinha que ficar “julgando”, analisando em derredor o tempo inteiro. Isso se interiorizou em seu inconsciente pessoal, coletivo e ainda ajudou a formatar a fisiologia de seu cérebro, principalmente suas sinapses.

É perfeitamente natural – biologicamente – que tenhamos esta mesma condição em nosso organismo. Há também a questão do inconsciente coletivo e dos campos morfogenéticos influindo na espécie em todo globo até hoje. Não há como quantificar ou fazer uma análise melhor desse conjunto de influências desses campos psíquicos na espécie humana hoje.

Então parece que tudo contribui para justificar e endossar nosso comportamento canalha de ficar julgando a outrem, fazendo chacota, ironia, deboche e crítica gratuita? Eu vou deixar você chegar a sua própria conclusão. Não tenho postura pré-definida, quero levantar os prós e os contras, mas a questão é que quero ir além da biologia, da mesologia e dos campos psíquicos, pois o homem evoluiu mais ainda. Estamos quase no final da ERA DE EXPIAÇÃO (2015) e uma micro minoria de pessoas já começa a compreender o PARADIGMA CONSCIENCIAL, ou seja, a transcender o Paradigma Cartesiano.

O que desejo revelar é que se você não conhece o desdobramento do holossoma humano e seus corpos sutis, o processo bioenergético, não irá mesmo compreender nada deste artigo, não é para você. Eu considero o Paradigma Cartesiano, mas o transcendo ao voar para o Paradigma Consciencial.

Até há poucos anos considerava-se o ser humano com apenas 5 sentidos ordinários, agora sabemos que são infinitos sentidos que vão se desenvolvendo e ampliando conforme o nível de consciência vai evoluindo espiritualmente.

A evolução desses sentidos não é linear, ela é complexa, misturada, interdependente contribuindo para identidade consciencial da pessoa. Até mesmo os 5 sentidos básicos, físicos e ordinários são relativos. Simples, o vermelho que enxergo é diferente do vermelho que você enxerga. As percepções dos tons da cor branca podem variar muito conforme a pessoa. Há pessoas com bom olfato e péssima visão, há infinitas combinações possíveis dessas relatividades sensoriais. Então imagine como ficam as pessoas que possuem 6, 7, 8, … sentidos?

Sim, os outros sentidos são mais transcendentes e vão para os aspectos psíquicos, parapsíquicos e intuitivos e podem transcender o espaço e/ou tempo. Às vezes os humanos confundem estes sentidos com questões religiosas ou espirituais, mas não é fato. Muitos desses sentidos são inerentes ao agente que os possui naturalmente, mas podem ser utilizados nos subsequentes processos espirituais, até mesmo nos rituais e comunicações religiosas, mediúnicas, etc.

Pode parecer que estou desviando do assunto, mas precisamos ser astutos e entender como são as percepções para depois analisar as questões dos julgamentos. Por enquanto, estou tratando da evolução humana. Comecei com a biológica / mesológica indo para psíquica-parapsíquica / transcendental.

Então, antes o ser humano julgava apenas usando os 5 sentidos básicos, agora ele analisa, julga e condena usando muitos outros sentidos, variando a questão conforme o agente e o contexto bio-psico-sócio-consciencial.

Mas a questão é que nossa sociedade atual (2015) está mais estável, mais pacífica, temos leis, ordem, etiqueta social, regras de contexto, religião, condição moral, ética, bioética e cosmoética. Conclui-se que não é mais tão perigoso viver (por mais que exista bala perdida) hoje que na época das cavernas – isto é fato.

Então porque ainda julgamos tanto?

Sim, julgamos, mas o julgamento também evoluiu, mudou de nível, foi do bocal ao fútil, do “babaca” ao imbecil, do necessário ao incoerente, da prudência ao sarcasmo dispensável, etc. Sim, mas como não precisamos mais averiguar se há um Tiranossauro na esquina antes de atravessar a rua ou se a tribo rival quer roubar meu alimento, agora nos preocupamos com a cor da roupa da amiga, com sapato do vizinho, com a gravata do chefe, com a marca do celular, com a mentira de um, a traição conjugal do outro, a imoralidade do vovô, mostrando e revelando que estamos desperdiçando uma enorme oportunidade consciencial e evolutiva.

Aquelas velhas sinapses cerebrais instintivas foram recobertas por um neocórtex[1] mais intelectual, matemático e filosófico no decorrer de milhares de anos. Desenvolvemos as ciências, a filosofia, o saber, os códigos de moral e ética, etc.

Temos então, além dos julgamentos moralistas das pessoas “comuns” também os julgamentos dos sensitivos[2] que trazem em si o moralismo de suas religiões, famílias ou comunidades. E acha-se justo julgar quando é “certo”, ou seja, quando as regras morais do observador não condizem com as regras morais do julgado.

As regras morais variam conforme a cultura em que se é formado, inclui-se as religiões. As regras éticas vão de encontro com a lei social onde é vivenciada geográfica e temporalmente. A cosmoética é desvinculada de tudo, é a “moral” dos espíritos superiores e muito evoluídos e não depende de nenhuma regra cultural ou social humana.

Aguarde meu artigo sobre cosmoética: http://consciencial.org/apometria-espiritismo/o-que-e-cosmoetica/

Basta uma Psicologia básica do Paradigma Cartesiano para saber que quem julga e condena um defeito, uma ação incorreta de um colega é porque se Julgaridentificou negativamente com tal pensamento, sentimento, energias. Veja o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=7FIJFI6phco

Esta identificação é independe se é um sensitivo ou não, ou melhor, é agravante num sensitivo, pois ele se identifica mais profundamente com aquela fissura psíquica. Se eu fosse brincar e usar conceitos populares, eu diria que se você julgou aquele sujeito X ali por ser Gay, é porque você já foi, é ou será Gay também. Já ouviu falar esse ditado popular? Na verdade, ele tem uma profundidade psicológica ímpar, pois, se julguei, sim, eu me identifiquei com aquilo e a tenho dentro de mim!!!!!!!! E não adianta berrar, espernear, gritar, negar, justificar, inventar teorias técnicas e desculpas sofisticadas, pois tem sim. Inclusive pode ter tido em encarnações passadas e ainda não superou essas vivências intimamente. O preconceito é uma fissura da alma, melhor, uma das fissuras, pois existem muitas outras, julgar, por exemplo.

E quando julgamos, por mais que conheçamos a situação, algumas informações e dados, nunca teremos uma visão multidensional, multissecular e cármica daquele ser. Nós não calçamos as sandálias dele, não pisamos nas pegadas dele, não vivenciamos a sua dor. E me recordando de meus sofrimentos e falhas existenciais agora, tão “julgáveis”, eu digo para você que “atrás de serra existe serra” e você não se conhece o suficiente para julgar a outrem, seja em que contexto for!

Se você for sensitivo, terá sim, mais dados e informações psíquicas captadas via psicometria, clarividência, clariaudiência, intuição, poderá ouvir as fofocas dos obsessores do sujeito e achar que sabe muito! Mas eu te digo, não sabe não! Porque não adianta ser psíquico, paranormal, sensitivo ostensivo, isto não lhe dá carteirinha de DISCERNIMENTO CONSCIENCIAL e nem de maturidade espiritual.

Aconteceu que primeiro você se identificou com o “objeto” de seu julgamento, depois você julgou – errou duas vezes! É uma pena que não temos o ímpeto instintivo de perdoar, auxiliar e servir. Aliás, só perdoa quem julga, pois quem não julga não necessita perdoar ninguém. Por isto digo que Jesus não perdoa ninguém, pois Ele não se ofende, Ele não julga! E assim todos os outros mestres e avatares.

Estudos de caso – Hipótese 1

José e Maria

Maria frequentava um local espiritualista. Ela tinha uma amiga sensitiva – a Cleuza – que conheceu José e percebeu que este traía Maria. Cleuza foi ética e discreta e sabia que não deveria ou poderia falar nada e assim procedeu, mas mentalmente julgou e condenou José.

José era um executivo muito intuitivo e utilizava este talento PSI nos negócios. E dessa forma José captou que Cleuza havia captado a traição dele. E José captou o julgamento mental de Cleuza o condenando.

Agravante: segundo o acordo moral e social entre José, Maria e a sociedade em que viviam, a regra era ser leal e fiel e deste ponto de vista José estava moralmente errado.

Atenuantes: Maria não dava assistência sexual a José, era assexuada.

José amadureceu muito tardiamente e teve problemas com relacionamentos e namoradas muito abaixo da média e insatisfatórios.

Maria foi marido de José (que foi mulher) em encarnação passada e o traía extensamente.

Conclusão: Cleuza (sensitiva) captou uma pequena fração da situação e nem sequer podia perceber ou imaginar as serras atrás de serras das vidas desses dois sujeitos.

Estudos de caso – Hipótese 2

Luiz e João

Luiz e João eram sócios numa empresa nada próspera. A empresa vivia no limite e no sufoco para pagar as contas e os funcionários.

Luiz era inteligente, esperto e sabia manipular bem as pessoas. João era dedicado, mas um pouco ingênuo e Luiz o explorava na questão do tempo de trabalho e dedicação à empresa. Luiz também o roubava em pequenos valores.

João era sensitivo e sabia. Não gostava, mas tolerava e fingia que não sabia de nada, pois não sentia confiança para sair e tocar a vida sozinho. João não tinha visão de conjunto e julgava Luiz por suas ações levianas.

Atenuante: João um dia saiu e foi viver a sua vida. Com os anos e mais maturidade espiritual descobriu que aprendeu muito com Luiz e que o devia por coisa de vida passada.

Agravante: Na verdade, cada um devia ao outro algo. Luiz devia conhecimento e experiência a João e este devia dinheiro e tempo a Luiz. Por isto os dois deveriam se ajudar e contribuir um com o outro. Agravante para os dois lados.

Atenuante para João e Agravante para Luiz: João finalmente compreendeu, mas Luiz ficou ressentido para sempre acusando Luiz de tê-lo abandonado apesar deste não ter levado qualquer centavo em sua saída da empresa.

Conclusão:

Quem estava de fora e ouviu a história de cada lado, ouviu apenas a razão unilateral e endossou o julgamento do amigo falante, sem imaginar que ele também poderia ter parcela de erro.

 

Estudos de caso – Hipótese 3

Hugo o médium

Hugo era inteligente, com percepções intelectuais aguçadas e gostava de ler. Quando se descobriu médium ficou todo animado. Seu discernimento intelectual e argumentativo era ótimo e assim começou a se sentir superior aos outros.

Fazia seus trabalhos mediúnicos no grupo, mas em silêncio os achava muito limitados. Ficava irritado no Centro Espírita quando via aquela gente toda apenas para sugar quando deveriam ler mais, tentar aprender e a fazer a reforma íntima.

Assim, Hugo julgava seus companheiros e também os visitantes que deveriam receber mais fraternidade do mesmo.

Hugo condenava a plateia por não efetuar a reforma íntima, no entanto, ele também precisava reformar sua arrogância e orgulho intelectual e mediúnico.

Atenuante: Hugo estava trabalhando e se doando e de uma forma ou de outra aprendendo por amor e pela dor.

Agravante: era do mesmo nível de consciência de todos, mas os julgava por se sentir superior.

Conclusão: só os amigos espirituais (os amparadores) tinham uma visão de conjunto. Hugo apesar de ter contato com estes amparadores, não estava susceptível a receber uma admoestação mediúnica deles.

 

Vou continuar com o chavão “Não julgais para não ser julgado. ” Mas porquê? Moralismo? Bíblia? Religião?

Não! Há uma lei bioenergética consciencial aí atrás, pura física, nada de religião!

Quem fiscaliza nossos atos, erros e acertos em toda a vida? Tem algum anjo ou serviçal espiritual fazendo anotações com caderninho marcando ponto negativo igual a professora do primário para cada um de nós?

A resposta mais simples e mais óbvia é a exata. Nós mesmos nos fiscalizamos e diante da lei evolutiva de fundo – a COSMOÉTICA – nós mesmos nos julgamos. Se adquirirmos o bom hábito de perdoar as pessoas, por automatismo e reflexo iremos nos perdoar na mesma medida. É quase uma experiência de Pavlov humana e consciencial. Se você se condiciona a perdoar, perdoará a si, mas se se condiciona a julgar e culpar, irá fazer isto consigo mesmo sem perceber, sem pensar!

E como mantemos nosso aspecto humano observador – e temos que manter – o ímpeto de julgar mentalmente ainda nos será instintivo. O que devemos fazer é freá-lo com uma auto-observação de que julgou (julguei) e em seguida perdoar o alvo do julgamento e perdoar a si mesmo por ter julgado.

É questão de física, ação e reação – se emano energias de perdão para mim e para todos, estas retornarão para mim inevitavelmente.

[1] Neocórtex, “córtex mais recente” é a denominação que recebem todas as áreas mais desenvolvidas do córtex. Recebe este nome pois no processo evolutivo é a região do cérebro mais recentemente derivada. Essas áreas constituem a “capa” neural que recobre os lóbulos pré-frontais e, em especial, os lobos frontais dos mamíferos. É a porção anatomicamente mais complexa do córtex. Separa-se do córtex olfativo por meio de um sulco denominado fissura rinal. Possui diversas camadas celulares e diversas áreas envolvidas com as atividades motoras, intimamente envolvidas com o controle dos movimentos voluntários, e funções sensoriais. Se encontram muito desenvolvidas nos primatas e destaca-se seu desenvolvimento no Homo sapiens sapiens.

[2] Percepção extrassensorial (PES), também chamada Psi-Gamma (PG), em Parapsicologia, é a suposta habilidade de certos indivíduos, chamados “sensitivos” ou “psíquicos”, para perceber fenômenos e objetos independentemente de seus órgãos sensoriais. O termo foi cunhado por Joseph Banks Rhine.

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Sobre o(a) autor(a)

Dalton Campos Roque - auto intitulado como "Tio Dalton" de forma irreverente, sempre bem humorado e brincalhão. Formado em Engenharia Civil, pós-graduado em Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia e em Educação em Valores Humanos. Manifestou eventos paranormais e mediúnicos desde o berço e foi criado neste meio, pois seu pai e dois irmãos também manifestavam fenômenos parapsíquicos ostensivos. Começou a aprender com o pai (que é médico e Parapsicólogo) Parapsicologia e Hipnose a partir dos 14 anos de idade. ----- Professor de Informática, espiritualista universalista, médium intuitivo, curioso e espontâneo em desconstruir falácias religiosas, espiritualistas e "New Age's". ----- Curte Rock Progressivo, Rock pesado, música New Age e músicas mais espirituais em geral, adora filmes de ficção científica e ação. Curte eletrônica, áudio, física e matemática. ----- É simples, irreverente, se denomina "caipira" e "sente muitas saudades de seu planeta". ----- O que mais aprecia é escrever, aprender, criar "coisas" novas e originais e organizar conhecimento com tendências mais científicas. Detesta o misticismo exacerbado New Age, o que considera uma desinformação. --- -Me ame quando eu menos merecer, pois é quando mais preciso.---- "Desvio-me daquilo que não posso aperfeiçoar e me aproximo daquilo que posso. Se não tenho condições de curar meu corpo, tenho condições de curar minha mente e, assim, me libertar para tomar decisões sensatas. Eu escolho o que me preocupa. O pensamento pode ser dirigido tanto para o caos quanto para a quietude. Posso optar por não esboçar infinitamente as “causas” das minhas dificuldades e projetar, no futuro, as suas limitações e agonias. Se não posso evitar que certas pessoas me condenem, posso parar de analisar seus motivos e deixar de defender meus atos. Não importa de quais aspectos eu não goste ou tenha medo, posso interromper minhas desgastantes tentativas de torná-los perfeitos." Hugh Prather - A Arte da Serenidade

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