LIVRO DOS ESPÍRITOS CAP 8

LIVRO DOS ESPÍRITOS CAP 8

LIVRO DOS ESPÍRITOS – ÍNDICE DO CAPÍTULO 8 – EMANCIPAÇÃO DA ALMA

I – O Sono e os Sonhos
II – Visitas Espíritas Entre Vivos
III – Transmissão Oculta do Pensamento
IV – Letargia, Catalepsia, Morte Aparente
V – Sonambulismo
VI – Êxtase
VII – Dupla Vista
VIII – Resumo Teórico do Sonambulismo, do Êxtase e da Dupla Vista


O Livro dos Espíritos – Allan Kardec

VII – Dupla Vista

447.0 fenômeno designado pelo nome de dupla vista(1) tem relação com o sonho e o sonambulismo?

— Tudo isso não é mais do que uma mesma coisa. Isso a que chamas dupla vista é ainda o Espírito em maior liberdade, embora o corpo não esteja adormecido. A dupla vista é a vista da alma.

  1. A dupla vista é permanente?

—A faculdade, sim; o seu exercício, não. Nos mundos menos materiais que o vosso, os Espíritos se desprendem mais facilmente e se põem em comunicação apenas pelo pensamento, sem excluir, entretanto, a linguagem articulada; também a dupla vista é para a maioria uma faculdade permanente; seu estado normal pode ser comparado ao dos vossos sonâmbulos lúcidos, e essa é também a razão por que eles se manifestam a vós mais facilmente do que os encarnados de corpos mais grosseiros.

  1. A dupla vista se desenvolve espontaneamente ou pela vontade de quem a possui?

— Na maioria das vezes, ela é espontânea, mas a vontade também, muitas vezes, desempenha um grande papel. Assim, podes tomar, por exemplo, certas pessoas chamadas leitoras da sorte, algumas das quais possuem esta faculdade de dupla vista e nisso a que chamas visão.

  1. A dupla vista é suscetível de se desenvolver pelo exercício?

— Sim, o trabalho sempre conduz ao progresso, e o véu que encobre as coisas se torna transparente.

    450 – a) Esta faculdade se liga à organização física?

—    Por certo, a organização desempenha o seu papel; há organizações que se mostram refratárias

  1. De onde vem que a dupla vista pareça hereditária em cenas famílias?

-Similitude de organizações, que se transmite, como as outras qualidades físicas; e depois, desenvolvimento da faculdade por uma espécie de educação, que também se transmite de um para outro.

  1. E verdade que certas circunstâncias desenvolvem a dupla vista?

– A doença, a proximidade de um perigo, uma grande comoção podemdesenvolve-la. O corpo se encontra às vezes num estado particular que permite  ao Espírito ver o que não podeis ver com os olhos do corpo.

Comentário de Kardec: Os tempos de crise e de calamidades, as grandes emoções todas as causas enfim, de superexcitação moral provocam às vezes o desenvolvimento da dupla vista. Parece que a Providência nos dá, em presença do perigo, o meio de conjugar.  Todas as seitas e todos os partidos perseguidos oferecem numerosos exemplos a respeito.

  1. As pessoas dotadas de dupla vista sempre têm consciência disso?

– Nem sempre; para elas. é coisa inteiramente natural, e muitas dessaspessoas acreditam que se todos se observassem nesse sentido,  perceberiam ser como elas.

  1. Poder-se-ia atribuir a uma espécie de dupla vista a perspicácia de certas pessoas que, sem nada terem de extraordinário, julgam as coisas com mais precisão do que as outras?

–É sempre a alma que irradia mais livremente e julga melhor do que sob o véu da matéria.

       454 – a) Esta faculdade pode, em certos casos, dar a  presciência das coisas?

–-Sim; ela dá também os pressentimentos, porque há muitos graus desta faculdade e o mesmo indivíduo  pode ter todos os graus ou não ter mais do que alguns

(1) Kardec usou as duas expressões: “Segunda vista” e “dupla vista”, com evidente preferência pelo primeiro. Em português, sendo mais comum “dupla vista”, demos preferência a esta. (N. do T.)

 

 

 

 

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