Introdução: escopo e critérios do confronto
Este estudo compara, de modo sistemático e publicável, duas obras que usam o termo “Akash/Akáshico” com intenções diferentes:
- Ervin Laszlo, A ciência e o campo Akáshico: uma teoria integral de tudo (Cultrix, 2008), que propõe um “campo A” como campo universal de “in-formação” capaz de explicar coerência não local, ajuste fino cosmológico e integração entre física, vida e consciência.
- Dalton Campos Roque e Andréa Lúcia da Silva, Akash: o conhecimento perdido (obra autoral), que reposiciona o Akash como “sistema operacional da consciência” e “matriz consciente do universo”, integrando tradição espiritualista, crítica ao modismo, e um eixo cosmológico forte via “Queda” (Pietro Ubaldi).
Critério de análise: (1) definição do objeto “Akash”, (2) ontologia (o que ele é), (3) mecanismo explicativo (como ele opera), (4) epistemologia (como se conhece), (5) escopo (o que ele pretende explicar), (6) riscos de confusão e zonas de convergência.
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Desenvolvimento
1) Tese central de cada obra
Laszlo (campo A como in-formação física)
Laszlo afirma que existe um campo universal de “in-formação” (informação ativa que “forma” o recipiente), e que esse campo, chamado “campo akáshico”, explicaria a coerência não local do micro ao macro, a coerência dos organismos e a relação entre cérebros/consciências e o todo.
Ele aproxima o Akasha tradicional do vácuo quântico entendido como “plenum” (não-vazio), e propõe que o campo A venha a se somar aos campos físicos conhecidos.
Roque e Silva (Akash como sistema operacional da consciência)
A obra declara que o Akash não é apenas “arquivo” (registros), mas a própria matriz: “não contém as informações, ele é as informações”, com caráter omnisciente e transcendente ao tempo, e cuja leitura exige expansão de consciência, não “rituais”.
O livro também se posiciona explicitamente contra a banalização mercadológica do termo e contra usos “new age” vazios, propondo uma travessia entre paradigma científico e consciencial sem reduzir um ao outro.
2) Tabela comparativa principal: ontologia, mecanismo, método, escopo
| Eixo | Laszlo: campo akáshico | Roque e Silva: Akash consciencial |
|---|---|---|
| Definição de Akash | Campo universal de in-formação (informação ativa) que conecta tudo e explica coerência não local. | Matriz consciente e “sistema operacional” do universo/consciência; Akash como o próprio tecido informacional transcendendo tempo. |
| Base física correlata | Vácuo quântico como plenum, equivalente moderno do Akasha; resgate de analogias como Tesla. | Usa física como ponte conceitual (vácuo quântico, cordas etc.) sem tratar isso como “prova” da espiritualidade; correlação, não comprovação. |
| Função explicativa | Explicar não-localidade, ajuste fino, coerência em sistemas vivos e consciência, sem apelo a “vontade divina” como causa necessária. | Explicar a realidade como multidensidades e processos conscienciais, com forte eixo cosmológico (Queda, densificação, evolução), além de significado e propósito. |
| Epistemologia (como se conhece) | Predominantemente científico-filosófica: hipótese integradora para anomalias e fronteiras da ciência, buscando uma TDT-I. | Híbrida e declarada: ciência para o “como”, consciencial para o “porquê”; ênfase em intuição/experiência interior e discernimento. |
| Acesso ao “Akash” | Não é tratado como “consulta mediúnica”; é inferido como campo físico-informacional universal. | Acesso psíquico é difícil, sutil, depende de expansão consciencial; rejeita “mantras e mandingas” como atalho. |
| Linguagem dominante | Física, cosmologia, biologia, teoria da informação/in-formação. | Metalinguagem consciencial, crítica cultural e ponte com ciência; inclui cosmologia espiritualista (Ubaldi) como espinha dorsal. |
3) Convergências reais (onde os dois livros se encontram de verdade)
3.1 Akash como “meio” universal que conecta
- Laszlo: o campo A conecta tudo, e a in-formação explicaria coerência não local e integração do cosmos.
- Roque e Silva: o Akash é onipresente, “estamos dentro dele”, e funciona como pano de fundo de ordem, significado e propósito.
Convergência: ambos rejeitam a ideia de um universo essencialmente fragmentado, e trabalham uma realidade interconectada.
3.2 Centralidade da informação (não só energia e matéria)
- Laszlo sustenta que não há apenas matéria e energia, há um elemento mais sutil, real: in-formação ativa.
- Roque e Silva radicaliza: Akash não “guarda” informação, ele “é” informação em regime transcendente.
Convergência: a “informação” deixa de ser mero dado humano e vira princípio estruturante.
3.3 Vácuo quântico como ponte
Laszlo aproxima diretamente Akasha e vácuo quântico/plenum.
Roque e Silva usa o vácuo quântico como uma ponte conceitual, com cautela metodológica (correlação, não prova).
Convergência: ambos usam o vácuo quântico como linguagem moderna para falar de um “substrato” mais fundamental do que matéria grosseira.
4) Divergências estruturais (onde a diferença é de fundação, não de detalhe)
4.1 Divergência ontológica: “campo físico-informacional” vs “sistema operacional consciencial”
- Em Laszlo, o campo A é um campo universal sutil, porém enquadrado como hipótese científico-filosófica para explicar fenômenos (não-localidade, ajuste fino, coerência).
- Em Roque e Silva, o Akash é ontologicamente consciencial: matriz da consciência, com camadas, acesso por expansão consciencial, e implicações de propósito e dharma.
Em termos simples: Laszlo tenta “subir” da física para uma visão integral; Roque “desce” de um princípio consciencial para mapear o físico como manifestação.
4.2 Divergência epistemológica: inferência científica vs vivência interior (com declaração de limites)
Laszlo descreve o caminho típico da ciência: anomalias, hipóteses integradoras (“fábulas científicas”), busca de paradigma mais fértil.
Roque e Silva formaliza duas bússolas: ciência (como, falseabilidade) e consciencial (porquê, significado, intuição e axiomas), e antecipa objeções dos dois lados.
Isso gera uma divergência editorial importante: Laszlo quer plausibilidade científica; Roque quer coerência consciencial sem vender “prova”.
4.3 Divergência cosmológica: ausência de “Queda” em Laszlo vs centralidade da “Queda” em Roque
A obra de Roque assume a teoria da “Queda” de Pietro Ubaldi como espinha dorsal interpretativa: do “Sistema” ao “Antissistema”, densificação, origem da matéria como involução da consciência.
Laszlo, no trecho analisado, não funda sua cosmologia em um drama ontológico de queda, mas em dinâmica de campos, vácuo, in-formação e coerência.
Consequência: Roque consegue falar com naturalidade sobre propósito, karma/dharma e evolução consciencial; Laszlo tende a ficar no território de uma teleologia “fraca” (ajuste fino e integração), sem abraçar uma narrativa espiritual de origem.
4.4 Divergência sobre “registros akáshicos”
Laszlo registra a definição tradicional: “registro permanente de tudo o que acontece e aconteceu”.
Roque critica a redução do Akash a “arquivos” e afirma que isso é insuficiente: o Akash seria anterior aos eventos, no sentido de matriz informacional, e a leitura não é trivial nem ritualística.
Aqui há uma divergência de precisão conceitual: Laszlo usa a tradição como ponto de partida para reinterpretação científica; Roque usa a tradição como ponto de partida para expansão consciencial e crítica ao reducionismo (inclusive “teosófico popular”).
5) Tabela de “paralelos funcionais”: mesmos problemas, soluções diferentes
| Problema que ambos querem enfrentar | Solução em Laszlo | Solução em Roque e Silva |
|---|---|---|
| Por que o universo parece integrado, não fragmentado? | Campo A como in-formação universal que conecta sistemas e sustenta coerência. | Akash como matriz consciencial onipresente, pano de fundo de ordem e evolução. |
| Como explicar não-localidade e correlações “instantâneas”? | Coerência não local como fenômeno real; in-formação do campo A como explicação lógica. | Não-localidade é ponte conceitual, mas o fundamento último é consciencial, acessível por expansão, não por experimento apenas. |
| Como impedir o uso banal e comercial do termo? | (Não é o foco central nos trechos vistos; o termo é recontextualizado cientificamente.) | Crítica direta à banalização, ao “quântico” de marketing e à “terapia akáshica” como atalho. |
| Como falar de propósito sem cair em dogma? | Evita apelar à “vontade divina” como necessidade explicativa; mantém o campo no natural ampliado. | Integra propósito/dharma e evolução consciencial como dimensão legítima do paradigma consciencial. |
6) Síntese crítica: onde a comparação ganha profundidade
6.1 O ponto mais fértil de convergência
O melhor “encaixe” entre as duas obras está na ideia de um substrato universal que não é apenas energia/matéria, mas um nível organizador informacional: Laszlo chama isso de in-formação no campo A , Roque chama isso de Akash como matriz informacional e consciencial .
Se um leitor quiser construir uma ponte entre elas, o caminho mais limpo é:
- tratar Laszlo como hipótese físico-informacional de base (um “como” ampliado),
- e Roque como hipótese consciencial-teleológica (um “porquê” com cosmologia própria), mantendo clara a diferença de método.
6.2 O ponto de ruptura inevitável
A ruptura inevitável é epistemológica: Laszlo busca legitimidade no percurso da ciência de fronteira (anomalias → hipótese integradora → paradigma) . Roque assume, de forma explícita, que há uma via de conhecimento interior e uma cosmologia consciencial que não depende de validação empírica nos moldes clássicos, embora dialogue com a ciência.
Esse não é um “defeito” de nenhum dos dois, é uma escolha de fundação.
Comparação 1 – super resumida em vídeo de 6 minutos
Conclusão: o que um terceiro deve levar para casa
- As duas obras falam de “Akash”, mas não estão fazendo a mesma coisa. Em Laszlo, “campo akáshico” é um nome para um campo universal de in-formação acoplado ao vácuo quântico e usado para explicar coerência, não-localidade e integração do cosmos.
- Em Roque e Silva, o Akash é uma matriz consciencial: não só “registro”, mas fundamento informacional e operativo da realidade, com implicações de propósito, dharma e evolução, e com uma cosmologia estruturante baseada na “Queda” (Ubaldi).
- A convergência mais sólida é a centralidade da informação como elemento organizador universal (não reduzível a dado humano).
- A divergência mais decisiva é o “modo de validação”: inferência científico-filosófica em Laszlo, e travessia consciencial declarada (com crítica aos modismos) em Roque, sem confundir analogia com prova.
Comparação diferente mais detalhista em vídeo de mais de 7 minutos
Akash | Campo | Laszlo | Formação | Informação | Coerência | Consciência | Akáshico | Ciência | Universal
Akash | campo akáshico | ciência de fronteira | coerência | cosmovisão integral | dharma | discernimento | in-formação | modismo new age | não-localidade. | paradigma consciencial | Pietro Ubaldi | plenum | propósito | queda | Registros Akáshicos | vácuo quântico

