REENCARNAÇÃO - SAINDO DA MATRIX

REENCARNAÇÃO – SAINDO DA MATRIX

Retirado de: http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2007/08/reencarnacao.html

Nota: este texto irá ser estudado, aprofundado e refutado no post seguinte por mim, Dalton.


Já conhecemos que a reencarnação é uma crença difundida no hinduísmo, no judaísmo, no cristianismo original e no budismo. Todas essas doutrinas bebem da fonte da cultura oriental, mas essa linha de pensamento (a sobrevivência e retorno da alma após a morte) também era cultivada no Ocidente.

Os gregos órficos, por exemplo, expunham sua Doutrina Palingenésica numa roupagem filosoficamente avançada, que influenciou Sócrates e Platão (na obra Fédon), dentre outros. Antes dele, Pitágoras também a adotou como condição sine qua non para a evolução plena da alma. Clemente de Alexandria (posteriormente cassado pela Igreja Católica) e Orígenes, o Cristão (considerado “o maior erudito da Igreja antiga”), também a divulgariam.



Na Europa gaulesa e britânica, os druidas acreditavam na reencarnação em termos semelhantes aos gregos e budistas. Tal crença foi parte integrante da doutrina cristã até o Concílio de Constantinopla, em 533 d.C., quando, por motivos políticos, foi formalmente repudiada pelo clero. Mesmo assim, a ideia persistiu entre alguns cristãos, especialmente os cátaros, no século XII. Suas ideias (bem interessantes, que com certeza inspiraram os criadores de The Matrix) chocavam-se diretamente com as da Igreja Católica e, por isso, a “Santa” Inquisição lançou mão de uma campanha militar de 20 anos para erradicar os cátaros da face da Terra. Além deles, Giordano Bruno (queimado vivo em 1600) sentiu na pele a intolerância da ICAR ao defender ideias heréticas, como o hermetismo, o heliocentrismo e a metempsicose.

Enfim, a reencarnação é mais uma regra que exceção. Mas as razões e meios pelos quais a reencarnação se processa são meio obscuros nessas religiões, e só a doutrina espírita procurou botar os “pingos nos is”, com a codificação de Allan Kardec e, no Brasil, com os relatos em forma de romances espirituais psicografados por Chico Xavier, carregados de lições de moral e conteúdo didático.

Assim, ficamos bitolados com os romances e deixamos de questionar novas possibilidades, novas visões, novos processos que não entenderíamos nos anos 1950 (época de ouro dos livros de Chico), mas que hoje, quase 60 anos depois, poderíamos ousar entender. O pensamento abaixo não pretende reescrever a teoria da reencarnação para qualquer doutrina, apenas fornecer um ponto de vista alternativo, paralelo. O texto não é exatamente meu; é uma coletânea de coisas debatidas na lista Voadores, principalmente por Lázaro Freire, Patrícia Montini e Arauto Draconiano. Aproximei-me dos textos deles como se fossem meus, mudando coisas aqui e ali e acrescentando tantas outras.

Vejamos alguns dados que comprometem o raciocínio reencarnacionista tradicional:

  1. Nascidos neste planeta até meados de 2002 = 106.456.367.669 pessoas.
  2. Pessoas ainda vivas até meados de 2002 = 6.215.000.000 pessoas.
  3. Razão entre total de espíritos encarnados e desencarnados aguardando reencarnação = 1:10.
  4. Total de espíritos que já nasceram alguma vez neste planeta, mas que já passaram a habitar planetas mais adiantados e não mais encarnarão aqui (estimativa conservadora de 10%) = 10.645.636.766,9.

Conclusão:

  1. 95.810.730.902,1 vidas já foram realizadas, distribuídas entre 68.365.000.000 espíritos, o que dá uma média de 1,4 vidas por espírito, o que significa que, se cada um dos 68.365.000.000 espíritos ainda ligados a este planeta tivesse tido o mesmo número de encarnações que os demais, cada espírito teria reencarnado 1,4 vez.
  2. Prosseguindo nos cálculos, chegamos à conclusão de que, para que pelo menos 10% dos espíritos ainda ligados a este planeta (encarnados ou não) tenham tido 5 encarnações, os outros 90% teriam que ter tido somente uma encarnação.

Estranho, não? Vejamos abaixo um diálogo do filme Waking Life, que é uma espécie de Quem Somos Nós da filosofia e dos sonhos lúcidos:

— Não me sai da cabeça algo que você me disse.
— Algo que eu disse?
— É. Sobre a sensação de que você observa a sua vida, da perspectiva de uma velha à beira da morte… Lembra?
— Sim… Ainda me sinto assim às vezes. Como se visse minha vida atrás de mim. Como se minha vida desperta fosse de lembranças…
— Exatamente. Ouvi dizer que Tim Leary, quando estava morrendo, disse que olhava para seu corpo que estava morto, mas seu cérebro estava vivo. Aqueles 6 a 12 minutos de atividade cerebral depois que tudo se apaga. E um segundo nos sonhos é infinitamente mais longo do que na vida desperta. Entende?
— Claro. Tipo, eu acordo às 10h12. Então volto a dormir e tenho sonhos longos, complexos, que parecem durar horas. Aí acordo e são 10h13.
— Exato. Então aqueles 6 a 12 minutos de atividade cerebral podem ser a sua vida inteira! Quero dizer, você é aquela velha olhando para trás e vendo tudo.
— Se eu sou, o que você seria nisso?
— O que eu sou agora. Talvez eu só exista na sua mente. Sou apenas tão real quanto qualquer outra coisa.
— É… Andei pensando sobre algo que você disse.
— O que é?
— Sobre reencarnação, e de onde todas as novas almas vêm ao longo do tempo. Todo mundo diz ser a reencarnação de Cleópatra, ou de Alexandre, o Grande… Não passam de pessoas comuns, como todo mundo. Quero dizer, é impossível. Pense nisso: a população mundial duplicou nos últimos 40 anos, certo? Então, se você acredita nessa história egóica de ter uma alma eterna, há 50% de chance de sua alma ter mais de 40 anos. Para que ela tenha mais de 150 anos, é uma chance em seis.
— O que você está dizendo? Reencarnação não existe? Ou somos todos almas jovens? Metade de nós é de humanos de primeira viagem?
— Não, só quero dizer…
— Aonde você quer chegar?
— Acredito que, de alguma forma, a reencarnação é uma expressão poética do que realmente é a memória coletiva. Li um artigo de um bioquímico, não faz muito tempo. Ele dizia que, quando um membro de uma espécie nasce, ele tem um bilhão de anos de memória para usar. É assim que herdamos nossos instintos.
— Gosto disso. É como se houvesse uma ordem telepática da qual fazemos parte, conscientes ou não. Isso explicaria saltos espontâneos, universais e inovadores na ciência e na arte. Como resultados surgindo em toda parte, independentemente. Um cara num computador descobre algo e, simultaneamente, várias outras pessoas descobrem a mesma coisa.
Houve um estudo em que isolaram um grupo por um tempo e monitoraram suas habilidades em fazer palavras cruzadas em relação à população em geral. Então deram-lhes um jogo da véspera, que as pessoas já tinham respondido. A pontuação deles subiu dramaticamente. Tipo 20%. É como se, uma vez que as respostas estejam no ar, pudessem ser pescadas. É como se estivéssemos partilhando nossas experiências telepaticamente.

População da Terra:
1000: 310 milhões
1900: 1,6 bilhão
1950: 2,7 bilhões
2000: 6 bilhões
2050: 9 bilhões

Não precisa de muita conta para ver que, matematicamente, quase todos estão na primeira “encarnação” aqui. Ou que o que chamamos de reencarnação pode ser algo bem mais coletivo, assim como a evolução, se “somos todos um só”. Será por isso que tantas pessoas diferentes dizem acreditar ter sido Cleópatra ou Allan Kardec? Talvez seja hora de abrirmos a mente para um modelo mais akáshico e coletivo de reencarnação.

Por outro lado, é inegável (aos espiritualistas e sensitivos) que acessamos, senão “vidas”, pelo menos “vivências passadas”, até como parte de nossa experiência pessoal. Podemos inclusive ter lembranças e sincronicidades. Mas será que vêm mesmo de um ego de nossa “propriedade”? Será que o que acessamos em TVP, Akash e sonhos vem mesmo da continuidade de nosso ego pessoal? E, se somos todos um só, por que precisaríamos ter um ego tão pessoal assim?

Num artigo publicado esta semana pela revista Science, o Dr. H. Henrik Ehrsson, do Departamento de Neurociências Clínicas do Instituto Karolinska, Suécia, conseguiu induzir pessoas sadias a uma experiência extra-corporal. Segundo Ehrsson, o fenômeno é “uma ilusão perceptiva na qual os indivíduos experimentam que seu centro de consciência, ou seu ‘eu’, está situado fora de seus corpos físicos e que olham para seus corpos do ponto de vista de outra pessoa. Esta ilusão demonstra que o sentido de ‘ser’, localizado dentro do corpo físico, pode estar determinado plenamente por processos perceptivos, isto é, pela perspectiva visual junto com o estímulo multissensorial do corpo”. Em outras palavras, é um cientista neuronal dizendo que seu “eu” não necessariamente existe dentro do seu corpo.

Lázaro conta que certa vez teve certezas íntimas de ter sido um personagem conhecido. Para não viajar muito, aceitou talvez ter sido um conhecido do cara, um colaborador. Mas o fato é que pegava um livro e lhe vinha tudo, fora sincronicidades variadas. Tudo o que faria um espírita pensar ter sido “o” cara e tentar recuperar sua “missão”. Por precaução, preferiu confirmar para si mesmo do que sair revivendo sua suposta encarnação anterior. E obteve algumas confirmações. Até que começou a acessar a vida de outro autor B, com a mesma sinceridade e intensidade. Mais confirmações vieram. Depois, ao pegar um livro de um autor C, veio-lhe um pacote de conhecimentos. Ele já sabia o que estava escrito, escrevia parecido com ele, identificava-se muito com o autor. O mesmo valeu para D, que fontes espirituais confiáveis disseram mais tarde ter sido ele em outra vida. Ele se identificava com todos. E os vários karmas de A, B, C e D explicavam sua vida nos defeitos e nas qualidades. O problema: essas pessoas viveram praticamente ao mesmo tempo. Tentaram lhe dizer que talvez tivessem se encontrado, ou que talvez ele tivesse sido um intelectual que estudou muito os quatro, mas no íntimo ele sabe que “acessou” algo.

O fato é que nosso “hardware”, mesmo sendo de última geração, parece poder acessar “softwares” mais antigos via emulação.

Um modelo mais dilatado dos Arquivos Akáshicos pode responder por esses fenômenos. Para quem não sabe, esses arquivos são como registros de eventos que acontecem em determinado lugar. Um sensitivo, por exemplo, poderia, ao caminhar nas praias da Normandia, acessar algumas cenas do desembarque do Dia D, impressas no “éter” ou “Akash”. Seria pelos mesmos motivos que certos lugares ficam “mal-assombrados”.

Alguns anos atrás, no Carnaval em Recife, o autor relata ter entrado num estado alterado ao seguir o Batutas de São José. Viu, sobrepostas à visão real, cenas de carnavais antigos: pierrots e colombinas nas janelas dos casarões, chuva de confetes e serpentinas. Uma experiência marcante e estranha, ver uma janela aberta com alguém e, ao mesmo tempo, a mesma janela fechada. Saiu do estado abalado pela beleza e pela nostalgia.

Explicações podem variar: lembrança de outra encarnação, acesso aos registros Akáshicos, deslocamento temporal ou até delírio. Mas são questões que não deveriam ficar em compartimentos rígidos de crenças: devem ser abordadas sob todos os ângulos, pois não temos certeza de nada.

Uma pessoa faz Terapia de Vidas Passadas para entender por que não gosta da nora, e então descobre que ela roubou seu marido em outra vida. Tudo parece se encaixar magicamente. Pode até ter vindo de uma vida passada, mas ela viveu inúmeras outras coisas, e se o inconsciente buscou aquela imagem, é porque ali está o simbolismo para equilíbrio e resolução. O inconsciente poderia buscar no Akash, na vida de outra pessoa, num mito coletivo ou inventar a imagem na hora. Tanto faz: o ponto é que a imagem escolhida funciona como compensação psíquica.

Tempo e espaço não fazem sentido para o inconsciente (Freud). A metafísica psicológica atual é como a fábula do elefante e dos três cegos: todos estão certos e errados ao mesmo tempo. Ken Wilber afirma que cada escola psicológica explica certos comportamentos dentro de um espectro. Do behaviorismo radical à psicologia transpessoal, cada uma acerta dentro de seu enquadramento.

O pensamento transpessoal de Wilber bebe da teosofia e dos rosacruzes, inspirados no modelo tibetano encontrado no Livro Tibetano dos Mortos, que rompe com a reencarnação da personalidade. Frank Visser propõe que o ego espiritual está dissociado da personalidade terrena. O espírito seria uma gota num oceano que comportou gotas que animaram Napoleão, João Pedreiro e outros. Após a morte, a personalidade permanece um tempo no astral e se desvanece gradualmente até sumir. O ego espiritual “descansa” até sentir novamente a “fome” de estímulos mais densos.

Não somos mandados de volta contra a vontade, mas por necessidade. Apenas quem já alimenta suas “baterias” conscientemente não precisa retornar. Algumas almas retornam por compaixão para ajudar outras.

O autor questiona: se o ego espiritual encarna uma personalidade, o que é feito das memórias dessa personalidade? Elas são retidas? Se sim, a personalidade estaria retida no ego. Se são compartilhadas com outros egos, por que o ego sentiria necessidade de “descer”, se compartilha a experiência alheia?

Jung via a existência pós-morte como uma consciência humana coletiva. Quando alguém morre, transmite sua experiência para essa consciência, que nunca ultrapassa o limite da capacidade humana encarnada. Por isso a vida encarnada tem tanta importância: só aqui aprendemos.

Wilber usa a imagem do mergulhador que busca uma pérola nas profundezas: o espírito busca a vivência na Terra, mas precisa voltar periodicamente para respirar.

O orfismo via o corpo como túmulo da alma. A vida encarnada seria uma morte; a morte, o início da verdadeira vida. A alma é julgada e reencarna sucessivas vezes, inclusive em corpos de animais, até purificar-se. Pode passar até mil anos no “inferno” órfico antes de renascer. O destino dos iniciados é diferente dos profanos.

A Igreja Messiânica e a budista Risho Kosei-kai ensinam que somos a soma de milhares de antepassados. É a Doutrina Anatta, do “não-eu”, onde o que permanece não é a alma individual, mas o karma produzido. Buda explicava a continuidade da vida por uma cadeia de 12 fatores condicionados, começando pela ignorância e terminando na decrepitude, morte e sofrimento. A roda de Samsara gira pela ignorância; invertendo-se o processo, alcança-se a libertação.

O budismo nega a alma imortal individualizada. Tudo é impermanente, inclusive a individualidade, que é ilusão e causa sofrimento.

Talvez estejamos apegados demais à personalidade para analisar a reencarnação olhando não só flores individuais, mas o jardim como um todo.

O Prof. Alberto Cabral diz que há reencarnações por arquétipos: não reencarnamos com os mesmos parentes de outrora, o que seria impossível. Os espíritos vestem encarnações similares. Você pode achar que reencontrou um amigo antigo, mas ele evoluiu, e o novo amigo é apenas alguém semelhante no padrão kármico. Reencarnamos por sintonia.

Krishnamurti diz que, ao morrer, nada individual sobra. Existe apenas um “padrão coletivo de emoções” personalizado em cada nascimento. Só escapa da roda quem desperta e se funde no Todo.

A Gnose ensina que cada alma tem 108 vidas para se autorrealizar. Se falhar, involui até a “segunda morte” e recomeça desde o mineral. Recebe mais 108 vidas em novo ciclo.

Os Rosacruzes ensinam que renascemos a cada 144 anos, em média. Uma pessoa que vive 80 anos ficaria cerca de 64 anos no plano psíquico antes de reencarnar. Uma criança que morre aos 4 anos aguardaria 140 anos.

O Bhagavad-gita diz: “Assim como a alma corporificada passa da infância à juventude e à velhice, a alma passa a outro corpo após a morte. A alma autorrealizada não se confunde com tal mudança”. Os Vedas explicam que a alma transmigra por 8.400.000 formas de vida até alcançar a condição humana, única capaz da autorrealização.

Para a ciência, existe a possibilidade de multiversos. Como fica a individualidade em universos paralelos?

O resultado dessa mistura parece apontar para um aperfeiçoamento da individualidade, conquistada e aprimorada, para voltar ao Todo de onde apenas aparentemente saiu. Por que tudo começou? Seria o Criador querendo se reconhecer? Seria o Deus em mim saudando o Deus em você? Seria tudo um engano? Ou geração de energia que mantém o universo?

Referência: Considerações sobre a Ideia da Reencarnação Ontem e Hoje: Uma Abordagem Científica, Histórica e Psicológica; O mito de Orfeu.


 


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