Conscinho sempre teve uma imaginação que não cabia na cabeça, nem no quarto e, às vezes, nem neste planeta. Ele gostava de observar as coisas simples, como o vento balançando as folhas, e transformá-las em grandes teorias cósmicas, cheias de humor e profundidade. Só que havia um detalhe importante: seus melhores companheiros espirituais eram um cachorro chamado Pequeno Mini Little e um gato chamado Felino Cat Miau. Sim, nomes enormes e redundantes, mas Conscinho jurava que eram absolutamente necessários para manter o universo devidamente organizado, pelo menos no quintal.
Pequeno Mini Little era um cachorro minúsculo, quase microscópico, que adorava latir para o vazio, como se enxergasse alguma entidade invisível fazendo careta. “Provavelmente um espírito com alergia à vida terrena”, dizia Conscinho, enquanto acariciava suas enormes orelhas proporcionais à importância universal daquele cãozinho. “Se existe um universo em expansão, deve existir também um latido em ascensão”, concluiu, totalmente satisfeito com a lógica.
Já Felino Cat Miau era o contrário absoluto: grandioso, majestoso, sério, felinamente filosófico, e andava como quem já tinha lido todos os livros sagrados do planeta, inclusive aqueles escritos antes da escrita existir. Ele caminhava devagar, com passos que pareciam meditação ambulante, como se estivesse testando a gravidade apenas para garantir que ela continuava funcionando. Conscinho acreditava que Felino Cat Miau já tinha nove vidas, cinquenta certificações e um mestrado em silêncio contemplativo.

Certo dia, Conscinho estava em profunda reflexão sobre o sentido da existência, porque nada menos que isso merecia sua atenção matinal, quando Pequeno Mini Little começou a farejar um ponto no ar, girando em círculos como uma antena viva procurando Wi-Fi celestial. Conscinho olhou para o céu (claro, pois todo bom filósofo espiritual olha para cima quando quer entender o mistério aqui embaixo) e perguntou:
“Será que existe um portal interplanetário disfarçado de vento?”
Felino Cat Miau, sentado no telhado, olhou com aquele ar de sarcástica contemplação. Conscinho jurava que o gato piscava em código espiritual ancestral, traduzível mais ou menos assim: “Meu caro, às vezes um vento é só um vento… ou não.”
Acontece que Conscinho era mestre em exageros involuntários. Se via uma formiga carregando um pedaço de pão, ele afirmava que aquela era a representação viva da persistência universal tentando atravessar os obstáculos cármicos do quintal. E se alguém perguntasse como ele sabia disso, respondia com toda seriedade: “A autopercepção espiritual é meu esporte preferido.”

Nesse dia, Pequeno Mini Little começou a latir para a sombra de Felino Cat Miau, que por sua vez olhou para o cachorro com um ar de “você desperta meu lado zen e meu lado sarcasmo ao mesmo tempo”. Conscinho, claro, decidiu interpretar isso como um debate filosófico interespécies sobre quem estaria mais evoluído espiritualmente.
E então fez sua síntese final, totalmente exagerada, hiperbolicamente verdadeira e espiritualmente bem humorada:
“Se o universo couber no quintal, então nós somos maiores do que imaginamos, menores do que sentimos e exatamente do tamanho que precisamos ser!”
Conscinho riu sozinho, Pequeno Mini Little continuou latindo para o nada, ou para o tudo invisível, e Felino Cat Miau apenas bocejou, com aquele ar de quem já entendeu todos os mistérios da vida e agora só está esperando Conscinho alcançá-lo, sem pressa. Afinal, a evolução não exige corrida, apenas passos bem humorados.

Conscinho | Felino | Pequeno | Little | Vento | Cachorro | Universo | Menos | Quintal | Apenas
autoconhecimento | cachorro espiritual | consciência infantil | conscinho | espiritualidade | gato espiritual | história consciencial | humor espiritual | quadrinhos espirituais | reflexão diária

