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DHARMA

Por Gloria Arieira – Retirado integralmente de: http://www.vidyamandir.org.br/#!dharma/c1tal – Imagem de top: http://www.vidyamandir.org.br/#!dharma/c1tal – editado por nós com muito respeito

Dharma é uma palavra sânscrita que não possui uma tradução exata.

O conceito tem que ser entendido para que possamos usar a palavra em Sânscrito com seu amplo significado.

Dharma vem da raiz verbal dhr que significa sustentar. Dharma é um substantivo que quer dizer “aquilo que sustenta algo”. O dharma de uma pessoa é o que a faz ser o que é. O dharma de mãe ou pai, de filho ou filha, de companheiro ou companheira, de amigo, de cidadão. Fazer o meu dharma é fazer o que devo dentro de cada função específica, de cada papel específico que exerço a cada momento. Saber como fazer o dharma da mãe que sou a cada momento que a situação exija. Este é o chamado de svadharma, o papel a ser seguido em particular por uma pessoa  – vishesha dharma.

Há outro significado que é do conjunto dos valores éticos básicos que devem ser seguidos pelo ser humano de forma a colaborar para uma sociedade harmônica e justa. Falar a verdade e não ferir (satyam e ahimsa) são exigências para que duas ou mais pessoas possam viver em paz. Ninguém gosta de ser enganado ou magoado, agredido. E para exigir que o outro não minta para mim ou me agrida, tenho que defender a verdade e estar atento ao outro, para não feri-lo.

Viver a vida diariamente atento aos valores universais que me são caros e que com certeza também o são para outros, é viver uma vida de dharma, seguindo o dharma geral, os valores éticos comuns – samanya dharma.Livro O karma e suas Leis - Ramatis

Assim, uma vida em que se prioriza o dharma é uma vida na qual a pessoa está atenta ao dharma nas suas duas expressões. Estar atento ao dharma faz com que a mente se torne discriminativa e atenta, pois quando os desejos estão alinhados com o dharma, não temos problema; mas, quando os desejos se opõem ao dharma, temos o que se conhece como um conflito. De um lado está o que quero e do outro está o que sei que devo fazer. Quem vencerá este cabo de guerra? Vencerá aquele com o qual eu tenha meu compromisso mais forte, aquilo que não cedo pois é muito precioso para mim. O yogi terá o dharma como seu maior compromisso e deixará de lado o desejo que se opõe a ele. Porém, o bhogi, aquele que prioriza seus desejos e prazeres, deixará o dharma de lado quando este antagonizar seus interesses e desejos.

Uma ação que respeita o dharma produz punya, resultado positivo. A ação contrária, que não protege o dharma, produz papa, resultado negativo. Punya e papa são invisíveis, adrshta, mas são experienciados na forma de alegria ou tristeza. Algumas vezes a palavra dharma significa punya, o resultado positivo da ação que produzirá um bem-estar no futuro.

Quando satisfazemos nossos desejos agindo inadequadamente, mesmo que outros não o percebam, a lei da ação traz o resultado correspondente à nossa ação. O resultado pode não vir imediatamente, mas virá com certeza um dia, pois leis cósmicas não falham. Como não falham as leis que fazem a terra girar, as águas dos rios correrem sem parar até o encontro com o mar, a chuva cair etc.

A vida com o dharma é uma vida de yoga, e somente uma vida de yoga conduz à maturidade emocional que é a capacidade de gerenciar a própria mente – seus impulsos, desejos e valores. E é a mente amadurecida que encontra espaço interno para questionar seu objetivo de vida e para planejar realiza-lo. Por isso, Krishna diz a Arjuna duas vezes na Bhagavadgita – yogi bhava, Arjuna! Arjuna, seja um yogi. E, porque você é um yogi, Arjuna, você é muito querido – priyo’si me. E você alcançará certamente o objetivo final da vida – a liberação, moksha, seu desejo maior. Temos então como o maior dharma da vida humana o autoconhecimento que conduz à liberação do sofrimento e da sensação de inadequação.

Enquanto o dharma de uma vida ética e de uma vida de yoga é relativo, o dharma absoluto é o autoconhecimento – nossa maior obrigação, o propósito maior da vida humana. E os sábios dizem que o dharma protege aquele que protege o dharma.

Texto para o Yoga Journal em Agosto de 2014

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Dalton Campos Roque
Engenheiro por destino, editor por teimosia, escritor por vocação, poeta por emoção, pesquisador da consciência por dharma, em busca de redenção.

Autor de dezenas de obras independentes — cinco sobre informática, uma sobre autopublicação e o restante sobre espiritualidade e consciência, sem religião.

Engenheiro Civil, pós-graduado em Educação em Valores Humanos (Sathya Sai Baba) e em Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia. “Me ame quando eu menos merecer, pois é quando mais preciso.”

E um lembrete: todo texto, crítica ou alerta que escrevo serve, antes de tudo, para mim mesmo.

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