ENTREVISTA REVISTA CAMINHO ESPIRITUAL

ENTREVISTA REVISTA CAMINHO ESPIRITUAL

Entrevista de Victor Rebelo Editor da Revista Caminho Espiritual

  • Dalton, você é um pesquisador espiritualista-universalista, já há vários anos. Conte um pouquinho da sua trajetória como pesquisador.

 

Aconteceu naturalmente, simplesmente fluiu. Sempre fui questionador desde criança, sempre desejei saber como as coisas funcionavam, sempre quis transcender o cotidiano. Eu apertava meus pais com “porquês” e muitas respostam exigiam conceitos humanos e filosóficos que meus pais não estavam preparados. Era curioso, criativo e explorador. Considero meu pai especificamente meu iniciador, meu “hierofante” na área PSI. Ele começou a me ensinar essas coisas na adolescência e eu desejava devorar o conhecimento e lembro-me que era preciso me segurar. Sempre detestei a escola e o estudo formal, preferia engolir as enciclopédias durante as madrugadas, enquanto meus irmãos iam badalar. Meu lado social sempre foi limitado o que só fui melhorar muito mais tarde e ainda com restrições. O que me ajudou a me integrar foi me tornar professor e como era (e sou) muito gozador e extrovertido, me saí muito bem nesta profissão.

Meu pai me ensinou hipnose quando eu tinha uns 17 anos e a antiga Parapsicologia Quevedista também, por incrível que pareça. Ele comprava os livros, me presenteava e eu os devorava. Minha curiosidade só crescia e meu pai percebeu que eu poderia facilmente perder o interesse pelos estudos e teve uma fase que ele congelou tudo e esperou eu amadurecer.

Com uns 20 ou 22 anos eu já dizia que queria estudar Parapsicologia pelos caminhos formais, perspectiva que na época nem existia. Sonho este que fui realizar em Curitiba nas Faculdades Integradas “Espíritas” – www.unibem.br – no curso de pós-graduação de Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia, o que melhorou minha bagagem e conhecimento com foco em pesquisa. Apesar de estar meio sumido de lá me considero um colaborador do INPP – Instituto Nacional de Pesquisas Psicobiofísicas e do CIPE – Centro Integrado de Pesquisa Experimental onde tenho amigos.

 

  • Você pesquisa e realiza práticas de bioenergia. Qual é a importância dessas práticas?

 

Pois é Victor, neste ponto eu sempre bato na mesma tecla. As pessoas possuem a cultura de orar, da prece, quando muito a cultura de estudar e investir no intelecto, mas efetuar as práticas em si são uma microminoria. As pessoas não possuem esta cultura, e eu no mini papel de formiguinha, estou fazendo minha parte para melhorar isto fazendo uns trabalhos audiovisuais para auxiliar as pessoas que ainda estão cruas.

As pessoas confundem meditação, reflexão, concentração, prece e prática bioenergética, que  tenho chamado também de prática bioconsciencial. É o que digo para minha esposa Andréa, não é preciso mudar o modo de vida para praticar, não é preciso virar monge e nem ter disciplina militar. Você pode orar no ônibus, no trem, caminhando, na cadeira do escritório e ninguém percebe, mas pode fazer a prática bioenergética do mesmo jeito e ninguém vai perceber.

Assim como a oração e o pensamento elevado devem fazer parte de nossas rotinas, estas práticas também devem, sem constranger ou inibir ninguém. Inclusive da mesma forma que posso orar por uma pessoa encarnada ou desencarnada, uma prática também pode auxiliar um encarnado ou desencarnado desde que eu saiba como fazer, como dirigir em favor de tal ser.

E quando digo que não existe tal cultura, a questão é séria mesmo, vejamos o item básico “prece”, pois tem gente que crê que pedir coisas a Deus (ou a qualquer entidade) seja orar – e não é -, isto para mim é vampirizar. É a pessoa que só pede para si, é egoísta e pouco ou nada doa de si. Assim como temos que criar uma cultura de paz e convivialidade sadia temos também que cultivar alguns pontos de desenvolvimento dos talentos respectivos aos vários corpos sutis do holossoma: intelecto, emoção, energias, sintonia, etc. Isso é espiritualidade, ela se manifesta no dia-a-dia, em nossa rotina, em nossa ética e não no rótulo da religião ou sistema evolutivo em que se a profere.

Reclamamos das falhas sociais, do trânsito, das religiões fanáticas, dos céticos, mas não fazemos nossa parte nos aplicando um pouquinho mais. As pessoas permanecem na zona de conforto evolutivo, embora se apliquem as necessidades profissionais, ou seja, se aplicam no Paradigma Cartesiano, mas não se aplicam no Paradigma Consciencial.

 

  • Além de auxiliarem no processo de harmonização da aura, elas também ajudam na projeção astral? Como?

 

Esta pergunta é muito importante. Há um lema “Orai e vigiai” e eu criei um outro que é Orai e Bioenergizai em complemento. As práticas não são panaceia universal, mas auxiliam num amplo espectro evolutivo:

 

  • Na saúde física – evitam mini doenças, enxaquecas, melhoram a digestão, equilibram o ectoplasma quando em excesso e o mobilizam quando em baixa, você se cansa menos, se estressa menos, equilibra a produção de hormônios (com ressalvas), etc. Termina o dia bem menos cansado do que se não praticasse nada;
  • Na saúde energética – limpeza e dinamização dos chacras, nádis e aura, etc;
  • Na concentração – cada prática exige uma concentração diferente;
  • Na assistência espiritual – você assiste a si espiritualmente, sua casa, seus desencarnados, etc;
  • Na autodefesa psíquica – você aprende a defender seu campo, seu ambiente;
  • Na mediunidade – melhorando seus chacras melhora o nível de acoplamento bioenergético com seu amigo espiritual e suas percepções mediúnicas;
  • Na projeção consciente – a dinamização da projeção é animismo puro, quanto mais limpar e desenvolver seus chacras melhor o desprendimento e a lucidez; e ;
  • Na força de vontade pessoal – se desenvolvo a concentração isto aqui é mera consequência; etc.

Portanto, auxilia no processo evolutivo, cria amplitude consciencial no portador. Quero deixar claro que o que digo aqui é por minha conta e risco, não li em literatura nenhuma, não ouvi de ninguém, são hipóteses de estudo para uma futura pesquisa. Eu acredito nas minhas percepções pessoais intra e extrafísicas e sempre aconselho a outras pessoas refletirem bastante antes de aceitarem o que um ou outro diz ou escreve, seja espírito ou encarnado.

Então, quem está no nível básico do tal vampirismo que expliquei antes, é bom progredir para a prece. Quem está somente na prece, deve ir para o estudo, para o intelecto. E quem já está no intelecto deve ir para as práticas bioenergéticas. Evolução é isto, não precisa se matar, mas é bom não se acomodar, sair da zona de conforto e dar um passo a frente.

 

  • Você citou o centro de pesquisas das Faculdade Integradas “Espíritas” de Curitiba, existe alguma pesquisa com rigor acadêmico sobre bioenergias?

 

Eu gostaria de fazer pesquisas objetivas com grupos de pessoas, grupos de controle rigorosos, já conto com CIPE e com INPP e tenho portas abertas, mas uma pesquisa exige recursos financeiros, tempo e muita dedicação mental e intelectual. Tenho bons orientadores lá dentro para me ajudar em minhas ideias.

Como exemplo, pesquisas com meditação no Ocidente não param de crescer e de serem confirmadas, mas que eu saiba pesquisas com práticas bioenergéticas ainda não existem em nenhum local do mundo até hoje (2012). Não que tenhamos que nos tornar escravos da ciência convencional e do paradigma cartesiano, mas devemos contribuir para uma mudança de paradigma. Muitos criticam o paradigma, mas não o ajudam.

 

  • Mas fora do ambiente acadêmico estas práticas bioenergéticas têm aumentado?

 

Apesar das práticas bioenergéticas ainda estarem longe de fazerem parte da cultura fluente, muitos espíritos (principalmente os orientais) têm passado práticas de diversos tipos, estilos, nuances e graus para vários médiuns e projetores conscientes lentamente, isto é visível nas literaturas e no vasto campo da internet.

Nestas práticas muitos recursos podem ser utilizados: textos (práticas por escrito passo a passo), imagens estáticas (mandalas, yantras, símbolos, etc), imagens dinâmicas (animações gráficas, vídeos, audiovisual interativo, etc), sons (mantras, músicas, gongos, etc), técnicas respiratórias (pranayamas), posturas (ásanas, mudrás, etc), evocações abstratas (campos, arquétipos, etc) e ainda o que nem imaginei e não sei.

 

  • Como você adequa as práticas a seu dia a dia?

 

Alguém pode até imaginar que pelo fato de eu criar as técnicas eu seja um praticante disciplinado das mesmas, mas não é o caso. Se você tem este pique de disciplina, parabéns! É o que disse, eu gosto de fazer as práticas encaixadas com suavidade em meu dia, sem me estressar. Mas não durmo sem fazê-las, não saio de casa sem orar, entre um e outro momento estou sempre aplicando em mim algo que conheço ou que invento na hora.

Faço no banho, caminhando, tomando café e ninguém nota. Gosto muito das práticas simples e também adoro usar mantras. Eu gosto muito de fazer testes em mim, as práticas me vem a cabeça em forma de bloco e grudam na memória, depois as desenho ao invés de escrever. Às vezes algum amparador as induz em mim, ele projeta as imagens e me ajuda empurrando minhas energias para eu senti-la, vivenciá-la.

Uma máxima para as práticas bioenergéticas, retirado de um ditado lá do interior da minha terra MG: “angu de um dia não engorda cachorro”. Melhor fazer um pouco todos os dias do que fazer 8 horas por dia durante uma semana e depois desistir. Faça o teste em você que eu te desafio!

 

  • Já existe uma cultura bem difundida de se estudar os sete chacras. Por que então as práticas em si não são tão divulgadas em seu devido grau de importância ainda?

 

Pois é Victor, quando falei na questão cultural das práticas, de colocar a mão na massa, é bem o que acontece. Para estudar, nós aqui do ocidente, com perfil mais intelectual, mais racionais, será sempre mais fácil.

Então creio que os sete chacras principais já são bem conhecidos e eu não vou ser redundante em falar deles. O que acontece é que vou aproveitar este momento com você e tentar ser mais útil ao leitor. Se me dá licença eu vou pegar o livro Estudos Espiritualistas de minha autoria e dizer (ler) um pequeno trecho bastante importante que é relativo a Mitos sobre os chacras e bioenergias. Vou citar o mito e em seguida desfazê-lo a meu ponto de vista:

 

  • “Realizar trabalhos de energia, tratamento e cura sem roupa é melhor para tratar dos chacras” – As energias transcendem o espaço e o tempo e permeiam objetos sólidos e a distância física.
  • Roupa preta bloqueia as energias” – Muitos mestres em Artes Marciais utilizavam roupas pretas e eram exímios manipuladores de bioenergias.
  • Os chacras se desalinham” – Os chacras se obstruem, mas não se desalinham, desaceleram, mas não param nunca, senão a pessoa morre.
  • O chacra cardíaco está em cima do coração” – O chacra cardíaco obedece ao alinhamento da coluna vertebral, portanto está situado no centro do peito e não em cima do coração, embora exista outro chacra aí também.
  • Chacra esplênico é um chacra principal” – O chacra esplênico não está associado a nenhuma glândula, portanto é um chacra secundário. Todo chacra principal está obrigatoriamente associado a uma glândula.
  • Colocar o chacra esplênico no lugar do chacra sexual” – O tabu em relação ao sexo fez com que escritores do passado, omitissem o chacra sexual, e esta omissão fez com que muitos estudiosos e escritores ocidentais, pensassem que o chacra esplênico estaria neste local.
  • Fixar cores definitivas nos chacras – Os chacras possuem cores base ou cores de fundo, mas estas variam em função do contexto: saúde, alimentação e sentimentos do momento. Quando os chacras estão realmente desobstruídos, todos eles ficam claros e até brancos.
  • Viagem no 8º chacra – Parece até nome de filme, mas não devemos nos preocupar com isto, se nem fazemos as práticas bioenergéticas básicas ainda.

 

  • Algo mais a destacar em relação ao estudo dos sete chacras principais?

 

Vou falar um pouco sobre o que acho diretamente importante sobre os chacras. Estes vórtices de bioenergias não são apenas isto, eles são centros de consciência. Nossas vidas, perfis individuais e características pessoais nos revelam a quais desses centros de consciência estamos focados.

Quanto mais atrasado, mais focado nos chacras de baixo, quanto mais evoluído, mais acima. A maioria da humanidade está esmagadoramente focada nos 3 chacras baixos, inclusive no primeiro mais baixo que é o do materialismo, do egoísmo e territorial, o chacra básico ou perineal. Estas pessoas com foco nos 3 chacras básicos podem ser denominadas subcérebro abdominal.

Mas a má notícia que tenho para você, é que eu o autor e você o leitor, somos exatamente isto, subcérebro abdominal, e até mesmo os nomes conhecidos atualmente encarnados (2012) que achamos evoluídos, que ocupam os palanques, tribunas, assinam livros, também o são.  A questão é que mesmo sendo nós subcérebro abdominal, podemos ser ligeiramente espiritualizados e já ter começado a trabalhar os centros de consciências mais ao alto.

Vejo pessoas arrogantes e grupos vaidosos apontando para os outros com desdém e os chamando de subcérebro abdominal. Mas observo um comportamento nestes as vezes bem pior que os das massas impensantes, mesmo tendo uma instrução intelectual. Todos temos ego, mas temos que enxergá-lo em nós e procurar esquecer o ego dos outros, pois o próprio ego é o único que se vai conseguir lapidar. Esta é uma questão de ética (auto ética), se preferir, cosmoética, ou seja, eu ter o discernimento de saber lidar comigo mesmo, com minha própria evolução consciencial sem a necessidade egóica, densa, atrasada de ficar apontando para os outros enquanto não percebo o toco dentro de meu olho.

E como não resisto a uma última análise, há duas coisas que realmente são bem mais poderosas que as práticas bioenergéticas na evolução consciencial humana:

 

  • Práticas respiratórias – elas dinamizam as energias com muito mais empuxo, em menos tempo, mas exigem mais força de vontade.
  • A cosmoética – que não vou explicar, pois já escrevi um artigo extenso em número anterior de sua revista sobre isto.

 

  • E quanto a questão de transformar os estudos da consciência e espiritualismo em ciência? Quanto a questão do Paradigma e os problemas com semântica?

 

Vejo místicos, religiosos, espiritualistas, pesquisadores da consciência, etc, sempre argumentando que a linha que eles gostam, que eles escolheram é “ciência”. Mas vejo que utilizam isto apenas como argumento para somente validarem sua fé, suas crenças, suas escolhas e que de ciência não há nada.

Eu me tornei mais crítico neste ponto sim, depois do curso de Parapsicologia. Quando falamos em ciência a primeira coisa é saber é que as definições são importantes, devem ser dados os nomes corretos aos bois, senão não é ciência é misticismo bagunçado. E que inclusive, alguns termos e definições devem mudar e evoluir com as novas descobertas. Isto exige não ter medo de jargões técnicos, não ter medo de neologismos e ter o discernimento e cautela ao defender sua opção evolutiva. Muito do que se ouve e lê por aí se autodeclarando Paradigma Holístico, Sistêmico, Quântico, Integral ou Consciencial não passa de rótulo proselitista e “marqueteiro” para defender situação cartesiana das mais vulgares e obtusas.

A ciência não é perfeita e também possui suas “crenças” e essas se chamam, dentro do jargão acadêmico, axiomas. Os axiomas são as premissas básicas, os pontos de partida para os desenvolvimentos dos argumentos das ideias e os pressupostos teóricos e hipotéticos, etc.

Então se eu desejo vivenciar minha opção evolutiva como ciência ou tentar abordar as questões do Paradigma Consciencial de minha vivência, visão e atenção, eu preciso entender o Paradigma Cartesiano, o Paradigma Consciencial, seus limites e seus entremeios. Para depois ter o discernimento de saber que devemos – pelo menos incialmente – usar um termo adequado, talvez: pré-ciência, meta-ciência, paraciência, neociência, ciência de borda, para não distorcermos em nome da própria fé ou paixão pelo grupo ou ideia com que se afinizou.

Os termos que o Paradigma Cartesiano utiliza e podem ter um duplo significado ao serem usados no Paradigma Consciencial, nós devemos substituir. Exemplo: bioenergias – atualmente diz respeito a energias ecológicas e biocombustível, então logo não servirá mais para significar energias humanas, talvez o mais adequado seja energias bioconscienciais; multidimensões – se refere as dimensões físicas, então já não servem para designar as dimensões conscienciais, onde sugiro multidensidades, etc.

Todo estudo PSI sem exceção é considerado misticismo pela ciência cartesiana. Então está na hora de tentarmos universalizar alguns conceitos e consequentemente alguns termos e neologismos também, mas com parcimônia e sem exageros destemperados. O Paradigma Consciencial deverá ser validado pela universalidade das experiências pessoais de todos nós sem qualquer sistema de exclusão. Assim poderemos transformar a projeção astral consciente num fenômeno significativamente estatístico um dia.

 

  • O magnetismo tem algo a ver com bioenergias?

 

Eu evito usar o termo magnético (e os termos já utilizados pela ciência cartesiana) nas questões sobre bioenergias. É porque desejo pelo menos aplicar uma intenção de ciência nessa questão que adoro tanto que é consciência e espiritualidade, e vejo que as pessoas lidam de forma tão leiga (isto é natural) dizendo que sua escolha é ciência tão ingenuamente.

Magnético diz respeito a ímã, se o passe é magnético, ou seja, a irradiação de bioenergias é magnética, então os médiuns poderiam ser substituídos por ímãs. Sei que exagerei um pouco, mas estou tecnicamente correto. Então eu não acredito que o conjunto de nossos campos aura / duplo etérico sejam magnéticos ou elétricos, pois estas são medidas cartesianas mensuráveis por aparelhos conhecidos. O eletroencefalograma, p. ex., capta através de eletrodos na cabeça os impulsos bioelétricos do cérebro que se manifestam na pele da cabeça.

Podemos, por exemplo, chamar a aura de campo bioenergético, energético, biocampo informacional, campo consciencial / bioconsciencial, campo psíquico, psicosfera, etc.

 

  • Os chakras ficam no campo bioelétrico (duplo etérico). Você pode comentar um pouco sobre esse campo energético que envolve nosso corpo?

 

O veículo ou substrato onde estão nossos chacras é o “Duplo Etérico” que possui uma ou mais dezenas de sinônimos, que ainda creio que sejam todos válidos enquanto não houver o tal duplo ou semelhante significado com utilizações cartesianas, conforme expliquei antes.

Mas no processo de reentrada, de retorno, de volta para o corpo na gestação, acontece uma série de processos conscienciais complexos. O karma atua e influencia em tudo. Ao nascer nós somos  quase a mesma pessoa do passado, numa síntese de experiências e memória subjacentes, guardadas na consciência, que se manifesta em todos os corpos sutis. Os corpos sutis são, grosso modo, o astral e o mental, que podem ser subdivididos. Na minha opinião não existe divisão, contorno, limite ou fronteira entre os corpos sutis, sejam eles quais forem abaixo, no meio ou acima. Tudo é uma questão meramente didática, para podermos entender o processo.

O que existe é um gradiente de energias se manifestando num diminuir vibratório onde o fim se encontra no corpo físico. E como há uma diferença vibratória grande entre o corpo astral (psicossoma) e o corpo físico (soma), é necessário a existência de um substrato que permeie a ambos que é o duplo etérico (energossoma).

Então os chacras seriam como super  parafusos energéticos encaixando e segurando um corpo sutil astral num corpo físico denso. E quando se efetua práticas bioenergéticas, mesmo que seja focado apenas um ou dois chacras, na verdade, estamos trabalhando com o duplo etérico inteiro. Há um dizer que profere “cada chacra é metade ele mesmo e metade todos os outros chacras”. Há uma malha de interdependência e ela que perfaz o duplo etérico.

E este corpo astral também possui seus chacras e nádis. São os chacras astrais (parachacras) e os nádis astrais (paranádis). Então temos os chacras no duplo etérico e os chacras no corpo astral. Se os chacras são os parafusos, os parachacras são as buchas (risos).

Temos também alguns “nós” nos nádis que são, grosso modo, desaceleradores de energias chamados granthis, temos as “telas etéricas” (conhecidos por telas búdicas – termo que evito) que são filtros conscienciais hiper complexos, pouco estudados e pouco conhecidos no ocidente, que são elementos intermediários entre as energias do corpo físico/do duplo etérico e as energias sutis do corpo astral.

 

  • O que é estado vibracional?

 

O EV ou Estado Vibracional ainda é pouco conhecido e portanto, pouco utilizado. É um nível avançado que não se atinge da noite para o dia e exige muitos anos de intenso esforço. Ele é um estado de pura força e dinamismo energético. É o ponto onde todas as energias do duplo etérico, todos os chacras estão vibrando ao máximo.

Para iniciar tal prática o procedimento é extremamente simples. Imagine e se concentre numa esfera de luz que sobe e desce percorrendo e permeando todo seu corpo dos pés a cabeça de cima para baixo inúmeras vezes em alta intensidade e velocidade, esteja você deitado, sentado ou de pé. E claro, você pode praticá-lo conversando, caminhando, ministrando passes, provendo Reiki, benzendo, etc. Desde que ele não te atrapalhe nas devidas concentrações e métodos de sua técnica. Pelo menos ele deve ser efetuado antes e depois de qualquer passe, tratamento ou sistema de cura. Também irão auxiliar nas projeções da consciência e nos trabalhos mediúnicos.

A vantagem dele, é que é tão simples, que mal exige imaginação ou concentração, é quase uma aplicação direta da prática, portanto, sobra apenas a persistência do praticante. Bastante recomendado.

 

  • O que é o famoso cordão de prata? Ele pode ser rompido numa viagem astral?

 

O cordão de prata, que também recebe algumas dezenas de nomes diferentes é energia pura. Ele é formado pelo duplo etérico “esticado”. Como o duplo envolve, percola e prende o corpo astral no físico, quando o astral sai ele leva estas energias, cujas “fibras” se esticam no fenômeno da projeção. Numa projeção o cordão de prata jamais será rompido. Se fosse possível energia ser rompida fácil assim, também seria possível roubarmos um pedaço da aura de alguém – vale a analogia.

Há também outra referência que é legal citar e é o “cordão de cobre”. Na verdade é a mesma coisa, é o mesmo cordão de prata, é apenas uma contextualização do fenômeno projetivo. Quando o projetor está dentro da psicosfera, dentro deste raio de ação, cuja tração é mais forte, ele, o cordão de prata, se torna mais denso, mais cor de cobre e daí o tal nome. Não se estuda projeção astral sem estudar bem as bioenergias e os chacras. E não se estuda Apometria sem estudar projeção astral.

 

  • Qual é a diferença entre sonho e projeção astral? Você pode dar algumas dicas para a gente aprender a diferenciar um sonho de uma experiência extrafísica?

 

É bem oportuno destacar que sonho e projeção da consciência são fenômenos bem distintos. Eles só têm duas coisas em comum: são fenômenos intraconscienciais e ambos ocorrem durante o sono.

Sonho – O sonho contém imagens oníricas onde Jung explicou que manifesta conteúdos inconscientes, outros preferem a teoria que são consequências das descargas elétricas dos neurônios, e sobre estes o projetor não tem qualquer controle ou domínio da situação, também se caracterizam pela incoerência e desorganização de eventos. No sonho somos meros espectadores onde não conseguimos interferir por nossa vontade. O sonho possui uma rememoração fácil.

Projeção – Ao se encontrar realmente projetado (ou fora do corpo) podemos possuir vários estágios ou graus de lucidez. Esta lucidez colabora para que tenhamos mais ou menos controle sobre os eventos à partir de nossa vontade. Supondo-se um bom nível de lucidez extrafísica, temos controle sobre os eventos que se passam durante a projeção. A projeção é um fato, sendo assim possui lógica, coerência, sequência organizada onde os fatos se encadeiam um após o outro sobre o domínio relativo do projetor. A projeção tem rememoração difícil, pois os eventos ocorrem em outra dimensão, mas as percepções são muito aumentadas.

Benefícios – São amplos os benefícios das projeções mais lúcidas. Podemos aprender fora do corpo, podemos ajudar a outros quitando karma e assim estaremos aproveitando (com ressalvas) um terço do tempo de um vida (passamos 1/3 da vida dormindo), constatamos que não existe morte perdendo o medo dela e tendo uma qualidade de vida melhor, podemos encontrar parentes e amigos já falecidos e outros de vidas anteriores, poderemos com um pouco mais de facilidade descobrir nosso passado remoto (vidas anteriores), poderemos com ressalvas ver vidas futuras (précognição), podemos ajudar os parentes e amigos nos processos de desencarnação (assistência extrafísica), poderemos acessar melhor nossos amparadores ou anjos da guarda, podemos conhecer um novo código de ética superior a moral social humana chamada de cosmoética, etc.

Há um outro termo que cria confusão no meio dos estudantes com pouca experiência, é o termo “Sonho Lúcido”. Ora, se a Projeção da Consciência não é sonho, como denominar um tipo de projeção de “Sonho Lúcido”? O correto é dizer projeção semiconsciente ou semilúcida.

Ainda gosto de fazer algumas distinções nítidas com a ideia de dar nome aos bois, para que todo este estudo vá cada vez mais se aproximando de ser ciência:

 

Caso 1 – Desdobramento x Projeção

Desdobramento – é quando o corpo astral saiu do corpo físico, mas ainda se encontra dentro do perímetro da psicosfera que possui um raio relativo e aproximado de 4 metros. É onde surge o cordão de cobre.

Projeção – é quando o corpo astral vai além deste perímetro. É onde surge o cordão de prata.

 

Caso 2 – Lucidez x Rememoração

Lucidez – a lucidez possui diversos graus de intensidade quando o corpo astral está projetado. Se há algum grau de lucidez então não há obnubilação ou sonambulismo astral.

Rememoração – uma projeção consciente (ou lúcida) não é garantia de rememoração. Paradoxalmente, poderemos vivenciar uma projeção com baixo grau de lucidez e recordar ao acordar e ao termos uma projeção extremamente lúcida e não nos lembrarmos de nada. A questão da rememoração é altamente complexa e aqui não há espaço para discorrer em tal mister.

 

 

  • Para encerrar, deixe-nos uma mensagem

 

A Viagem Astral já foi grande mito e enorme mistério até a bem pouco tempo. Ainda é permeada de dúvidas e distorções. Há grupos que a temem, há outros que a mistificam, há outros que creem que são donos dela e há os que a renegam, mas fato é que é fenômeno natural e até alguns animais mamíferos a experimentam.

Alguns romantizam o tema, mas outros tecnificam com frieza, e para mim o assunto pode ser permeado por sadia espiritualidade e sem misticismo incauto. A Projeção Astral é apenas mais um meio, mais uma ferramenta evolutiva e não um fim em si.

Eu, como subcérebro abdominal assumido (risos) não a domino, assim como também não domino o controle das bioenergias em mim mesmo, mas sem desespero vou fazendo o que posso adequado a vida simples de que disponho. Sempre digo a mim mesmo “você pode aprender com todo mundo”.

 

 

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Sobre o(a) autor(a)

Dalton Campos Roque - auto intitulado como "Tio Dalton" de forma irreverente, sempre bem humorado e brincalhão. Formado em Engenharia Civil, pós-graduado em Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia e em Educação em Valores Humanos. Manifestou eventos paranormais e mediúnicos desde o berço e foi criado neste meio, pois seu pai e dois irmãos também manifestavam fenômenos parapsíquicos ostensivos. Começou a aprender com o pai (que é médico e Parapsicólogo) Parapsicologia e Hipnose a partir dos 14 anos de idade. ----- Professor de Informática, espiritualista universalista, médium intuitivo, curioso e espontâneo em desconstruir falácias religiosas, espiritualistas e "New Age's". ----- Curte Rock Progressivo, Rock pesado, música New Age e músicas mais espirituais em geral, adora filmes de ficção científica e ação. Curte eletrônica, áudio, física e matemática. ----- É simples, irreverente, se denomina "caipira" e "sente muitas saudades de seu planeta". ----- O que mais aprecia é escrever, aprender, criar "coisas" novas e originais e organizar conhecimento com tendências mais científicas. Detesta o misticismo exacerbado New Age, o que considera uma desinformação. --- Me ame quando eu menos merecer, pois é quando mais preciso.

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