TRANSDISCIPLINARIDADE DA PARAPSICOLOGIA

TRANSDISCIPLINARIDADE DA PARAPSICOLOGIA

A Parapsicologia é o estudo de certos fenômenos psíquicos de origem supostamente sobrenatural e associados à experiência humana.

Há uma tradição dentro do senso-comum que sustenta que os mundos subjetivo e objetivo são completamente distintos, sem que haja qualquer interseção entre eles. O subjetivo existe dentro da cabeça, enquanto que o objetivo existe no mundo externo.

A Parapsicologia é o estudo de fenômenos que sugerem que a dicotomia estrita entre objetivo/subjetivo pode ser, ao contrário, parte de um conjunto, com alguns fenômenos entremeando ocasionalmente o que é puramente subjetivo e o que é puramente objetivo. Chamamos tais fenômenos de “anômalos” porque são difíceis de serem explicados pelos modelos científicos tradicionais. Como exemplos de fenômenos parapsicológicos temos a psicocinese (PK) e os fenômenos sugestivos da sobrevivência após a morte, incluindo as experiências próximas da morte (EQM), as aparições e a reencarnação.

 

A transdisciplinaridade diz respeito ao que está ao mesmo tempo entre as disciplinas, através e além delas (visão de conjunto, unidade de conhecimento). Abordagem mais complexa em que a divisão por disciplinas deixa de existir. Apenas viável quando não houver mais a fragmentação do conhecimento, herança do paradigma newtoniano-cartesiano.

Daí o mais óbvio é que a Parapsicologia seja a mais dependente (integradora?) de todas as ciências. Dependente da psicologia, da sociologia, da antropologia, da estatística, da eletrônica, da informática, da medicina, da física e da matemática entre muitas outras.

 

Será a Parapsicologia a “5ª Força”?

1ª força: Behaviorismo

2ª força: Psicanálise

3ª força: Humanista

4ª força: Transpessoal

5ª força: Metapsíquica /Parapsicologia Fetal / Conscienciocentrismo ou Conscienciologia institucional

6ª força Consciencial – a vislumbrar (metadisciplinaridade, universalismo integral, simplicidade, qualidade de vida, vivências e autovivências pessoais e grupais compartilhadas e pesquisadas, etc).

 

Nesta hipótese (teoria?), o conjunto “maior” contém o “menor”. É importante esclarecer que as escolas se complementam e se interconectam, não sendo uma superior a outra. Existem problemas específicos cujas soluções são mais eficientes dentro de certa força, sem a compulsiva comparação de qual é o melhor ou pior.

Um exemplo, grosso modo, do que falo são alguns casos terapêuticos que podem ser mais bem resolvidos, em certo caso, com a Psicanálise, e noutro, com a Psicologia Transpessoal. Esta será uma posição de maior flexibilidade num paradigma emergente onde as exceções valem tanto quanto as supostas e aparentes regras.

A necessidade premente dessa irrefutável transdisciplinaridade e integração dessas forças necessárias na Parapsicologia impele o pesquisador sério a abrir mais a mente e o coração para outras áreas e ao trabalho em equipe, criando um novo contexto de pesquisa bem ao contrário da negação teórica, hipotética e gratuita, mais baseada na imaginação e na crença que nos métodos científicos já consolidados.

O fato de um conhecimento entrar em conflito com outro já consagrado não é uma evidência de que este conhecimento anômalo não seja científico ou real. Um conjunto de teorias centrais aceitas pelos participantes de uma ciência compõe uma matriz disciplinar, embora isso não exclua a possibilidade de teorias concorrentes entre si. Paradoxos não são contradições, são complementaridades.

Lanço uma hipótese que não posso responder e semeia especulações para o futuro: não seria possível, de algum modo, que os contrários científicos pudessem coexistir pacifica e coerentemente? Isto será possível num outro campo / percepção da realidade? Isto é uma questão de paradigma?

A ciência precisa ser objetiva; mas o pesquisador se utiliza e precisa de uma visão de mundo e é condicionado por um certo paradigma, fala-se então em vez de objetividade em intersubjetividade. Neste ponto exato a Mecânica Quântica nos dá esperança de possibilidades, ou melhor, probabilidades.

 

‘Se o homem errado utilizar o método certo, o meio certo operará errado’. Esta sentença, infelizmente verdadeira, da sabedoria chinesa, opõe-se da maneira mais brutal à fé que professamos no método ‘certo’, sem levar em conta o indivíduo que o utiliza.- Ditado popular

 

A Parapsicologia, estudando uma categoria de fenômenos que não se encaixa nas demais ciências, enfrenta certas dificuldades neste inter-relacionamento (interdisciplinaridade). Por envolverem muitas variáveis, algumas não bem compreendidas e difíceis de serem controladas, a replicabilidade dos fenômenos PSI não pode ser feita tal como os fenômenos comuns. Porém é sustentada com bases estatísticas fortes, como a meta-análise que avalia numerosos experimentos, e vem sendo usada na Parapsicologia desde 1985, com resultados muito positivos.

A meta-análise combina os resultados de diversos estudos e abordagens que endereçam hipóteses de pesquisa variadas. Uma meta-análise é um tratamento estatístico de dados em que se verifica a magnitude de um determinado efeito, demonstrando se o resultado é robusto (forte) ou não ao longo dos diversos estudos realizados de maneira semelhante. É fundamental que os dados colhidos para a análise tenham sido obtidos a partir de uma mesma forma, utilizando-se o mesmo procedimento básico em um experimento.

 

 O Pesquisador

Pessoalmente não acredito que se alcance a verdade dentro de um grupo, sistema, sociedade com a mesma tendência, portando pensamentos iguais ou semelhantes. Exemplo: todos serem céticos; todos serem crentes; etc.

Quando digo verdade devo utilizá-la no plural, ou seja, a verdade científica, a mística, a religiosa, a social, etc. Não incentivaríamos a inteligência, a liberdade de expressão, a criatividade, as artes e as ciências se não houvessem ideias antagônicas, esquecendo-se por um momento as diferenças conceituais entre paradoxo e contradição que levantei anteriormente.

Se a Mecânica Quântica nos sugere que a “verdade” é uma ilusão, apenas um nível de campo da manifestação da consciência, me resta teorizar que o atrito entre nossas ilusões é o que nos faz aprender e crescer, ou seja, o antagonismo da vida na diversidade das opiniões, posições e escolhas.

O fundamentalismo humano irracional existe em todas as sociedades, eras e meios no decorrer da história e são tão potentes atualmente como na época feudal, e não dependem de instrução, formação, QI ou intelectualidade.

Ninguém que não consiga aceitar e conviver em paz e harmonia psicológica, física e emocional com uma ideia democrática, justa, porém antagônica a sua merece respeito, nem o respeito científico convencional.

Se o pesquisador não concebe, nem mesmo hipoteticamente, a competência psíquica de sair de sua posição ideológica (na maior abrangência do termo, ou seja, até mesmo ideologia científica) e defender um ponto de vista contrário ao seu, não poderá ser um pesquisador isento de facciosidade.

De qualquer forma, se isto não é um pré-requisito científico – pois sabemos que não é – então é um pré-requisito humanista e humanitário – consciencial. E que mérito tem uma ciência sem consciência? A ciência serve para quê? Ela é o fim ou o meio? O que motiva o pesquisador? A crença numa tendência de resultado ou a busca absoluta da verdade? Ou o entendimento que nem a verdade, nem o absolutismo e nem a verdade absoluta existem de fato, e são apenas contextualizações psíquicas, construções da consciência?

Se as palavras são insuficientes para expressar os pensamentos, será então à ciência como se concebe no início do século XXI, suficiente para dimensionar e definir TUDO o que seja e se considere verdade?

 

O que observamos não é a natureza propriamente dita, mas a natureza exposta ao nosso modelo de questionamento.” (Heisenberg) (CAPRA,1983, p. 110)

 

Não desejo entrar na retórica da filosofia, mas creio inclusive que ela pode e deve ser instrumento da ciência entre todos os milhares de sistemas e caminhos de conhecimento e análise humana que se concebeu até hoje. Isto vai além da inter / multi / pluridisciplinaridade. Síntese inclusive da hipótese dos contrários coerentes e pacíficos de um possível paradigma futuro e longínquo, a síntese dos paradoxos – metadisciplinaridade.

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Sobre o(a) autor(a)

Dalton Campos Roque - auto intitulado como "Tio Dalton" de forma irreverente, sempre bem humorado e brincalhão. Formado em Engenharia Civil, pós-graduado em Estudos da Consciência com ênfase em Parapsicologia e em Educação em Valores Humanos. Manifestou eventos paranormais e mediúnicos desde o berço e foi criado neste meio, pois seu pai e dois irmãos também manifestavam fenômenos parapsíquicos ostensivos. Começou a aprender com o pai (que é médico e Parapsicólogo) Parapsicologia e Hipnose a partir dos 14 anos de idade. ----- Professor de Informática, espiritualista universalista, médium intuitivo, curioso e espontâneo em desconstruir falácias religiosas, espiritualistas e "New Age's". ----- Curte Rock Progressivo, Rock pesado, música New Age e músicas mais espirituais em geral, adora filmes de ficção científica e ação. Curte eletrônica, áudio, física e matemática. ----- É simples, irreverente, se denomina "caipira" e "sente muitas saudades de seu planeta". ----- O que mais aprecia é escrever, aprender, criar "coisas" novas e originais e organizar conhecimento com tendências mais científicas. Detesta o misticismo exacerbado New Age, o que considera uma desinformação. --- -Me ame quando eu menos merecer, pois é quando mais preciso.---- "Desvio-me daquilo que não posso aperfeiçoar e me aproximo daquilo que posso. Se não tenho condições de curar meu corpo, tenho condições de curar minha mente e, assim, me libertar para tomar decisões sensatas. Eu escolho o que me preocupa. O pensamento pode ser dirigido tanto para o caos quanto para a quietude. Posso optar por não esboçar infinitamente as “causas” das minhas dificuldades e projetar, no futuro, as suas limitações e agonias. Se não posso evitar que certas pessoas me condenem, posso parar de analisar seus motivos e deixar de defender meus atos. Não importa de quais aspectos eu não goste ou tenha medo, posso interromper minhas desgastantes tentativas de torná-los perfeitos." Hugh Prather - A Arte da Serenidade

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